Links

ARQUITETURA E DESIGN




Exposição Archizines, Architectural Association, Londres. Fotografia: Ivo Poças Martins.


Exposição Archizines, Architectural Association, Londres. Fotografia: Ivo Poças Martins.


Exposição Archizines, Architectural Association, Londres. Fotografia: Ivo Poças Martins.


Exposição Archizines, Architectural Association, Londres. Fotografia: Ivo Poças Martins.


Cartaz da exposição Archizines. Fotografia: Sue Barr.


Capa do catálogo Archizines, Bedford Press, 2011.


Capa do livro Clip/Stamp/Fold – The Radical Architecture of Little Magazines 196x to 197x, Actar, 2010.


Capa do fanzine Go, n.º7, Verão de 2005. Fotografia: Archizines.


Capa de P.E.A.R. (Paper for Emerging Architectural Research), n.º1, 2009. Fotografia: Archizines.


Aforismo seleccionado do fanzine Maximum Maxim MMX, 2010. Fotografia: Sophie Pinchetti, www.purple.fr

Outros artigos:

2017-11-15


SHAPINGSHAPE NA BIENAL DA MAIA


2017-10-14


O TEATRO CARLOS ALBERTO DIALOGA COM A CIDADE: PELA MÃO DE NUNO LACERDA LOPES


2017-09-10


“VINTE E TRÊS”. AUSÊNCIAS E APARIÇÕES NUMA MOSTRA DE JOALHARIA IBEROAMERICANA PELA PIN ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE JOALHARIA CONTEMPORÂNEA


2017-08-01


23 – JOALHARIA CONTEMPORÂNEA NA IBERO-AMÉRICA


2017-06-30


PASSAGENS DE SERRALVES PELO TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES


2017-05-30


EVERYTHING IN THE GARDEN IS ROSY: AS PERIFERIAS EM IMAGENS


2017-04-18


“ÁRVORE” (2002), UMA OBRA COM A AUTORIA EM SUSPENSO


2017-03-17


ÁLVARO SIZA : VISÕES DA ALHAMBRA


2017-02-14


“NÃO TOCAR”: O NOVO MUSEU DO DESIGN EM LONDRES


2017-01-17


MAXXI ROMA


2016-12-10


NOTAS SOBRE ESPAÇO E MOVIMENTO


2016-11-15


X BIAU EM SÃO PAULO: JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA À CONVERSA COM PAULO MENDES DA ROCHA E EDUARDO SOUTO DE MOURA


2016-10-11


CENAS PARA UM NOVO PATRIMÓNIO


2016-08-31


DREAM OUT LOUD E O DESIGN SOCIAL NO STEDELIJK MUSEUM


2016-06-24


MATÉRIA-PRIMA. UM OLHAR SOBRE O ARQUIVO DE ÁLVARO SIZA


2016-05-28


NA PEGADA DE LE CORBUSIER


2016-04-29


O EFEITO BREUER – PARTE 2


2016-03-24


O EFEITO BREUER - PARTE 1


2016-02-16


GEORGE BEYLERIAN CELEBRA O DESIGN ITALIANO COM LANÇAMENTO DE “DESIGN MEMORABILIA”


2016-01-08


RESOLUÇÕES DE ANO NOVO PARA A ARQUITETURA E DESIGN EM 2016


2015-11-30


BITTE LEBN. POR FAVOR, VIVE.


2015-10-30


A FORMA IDEAL


2015-09-14


DOS FANTASMAS DE SERRALVES AO CLIENTE COMO ARQUITECTO


2015-08-01


“EXTRA ORDINARY” - JOVENS DESIGNERS EXPLORAM MATERIAIS, PRODUTOS E PROCESSOS


2015-06-25


PODE A TIPOGRAFIA AJUDAR-NOS A CRIAR EMPATIA COM OS OUTROS?


2015-05-20


BIJOY JAIN, STUDIO MUMBAI


2015-04-14


O FIM DA ARQUITECTURA


2015-03-12


TESOURO, MISTÉRIO OU MITO? A ESCOLA DO PORTO EM TRÊS EXPOSIÇÕES (PARTE II/II)


2015-02-11


TESOURO, MISTÉRIO OU MITO? A ESCOLA DO PORTO EM TRÊS EXPOSIÇÕES (PARTE I/II)


2015-01-11


ESPECTADOR


2014-12-09


ARQUITECTAS: ENSAIO PARA UM MANUAL REVOLUCIONÁRIO


2014-11-10


A MARCA QUE TEM O MEU NOME


2014-10-04


NEWS FROM VENICE


2014-09-08


A INCONSCIÊNCIA DE ZENO. MÁQUINAS DE SUBJECTIVIDADE NO SUPERSTUDIO*


2014-07-30


ENTREVISTA A JOSÉ ANTÓNIO PINTO


2014-06-17


ÍNDICES, LISTAGENS E DIAGRAMAS: the world is all there is the case


2014-05-15


FILME COMO ARQUITECTURA, ARQUITECTURA COMO AUTOBIOGRAFIA


2014-04-14


O MUNDO NA MÃO


2014-03-13


A CASA DA PORTA DO MAR


2014-02-13


O VERNACULAR CONTEMPORÂNEO


2014-01-07


PÓS-TRIENAL 2013 [RELAÇÕES INSTÁVEIS ENTRE EVENTOS, ARQUITECTURAS E CIDADES]


2013-11-12


UMA SUBTIL INTERFERÊNCIA: A MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO “FERNANDO TÁVORA: MODERNIDADE PERMANENTE” EM GUIMARÃES OU UMA EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA NUMA ESCOLA EM PLENO FUNCIONAMENTO


2013-09-24


DESIGN E DELITO


2013-08-12


“NADA MUDAR PARA QUE TUDO SEJA DIFERENTE”: CONVERSA COM BEYOND ENTROPY


2013-08-11


“CHANGING NOTHING SO THAT EVERYTHING IS DIFFERENT”: CONVERSATION WITH BEYOND ENTROPY


2013-07-04


CORTA MATO. Design industrial do ponto de vista do utilizador


2013-05-20


VÍTOR FIGUEIREDO: A MISÉRIA DO SUPÉRFLUO


2013-04-02


O DESIGNER SOCIAL


2013-03-11


DRESS SEXY AT MY FUNERAL: PARA QUE SERVE A BIENAL DE ARQUITECTURA DE VENEZA?


2013-02-08


O CONSUMIDOR EMANCIPADO


2013-01-08


SOBRE-QUALIFICAÇÃO E REBUSCO


2012-10-29


“REGIONALISM REDIVIVUS”: UM OUTRO OLHAR SOBRE UM TEMA PERSISTENTE


2012-10-08


LEVINA VALENTIM E JOAQUIM PAULO NOGUEIRA


2012-10-07


HOMENAGEM A ROBIN FIOR (1935-2012)


2012-09-08


A PROMESSA DA ARQUITECTURA. CONSIDERAÇÕES SOBRE A GERAÇÃO POR VIR


2012-07-01


ENTREVISTA | ANDRÉ TAVARES


2012-06-10


O DESIGN DA HISTÓRIA DO DESIGN


2012-05-07


O SER URBANO: UMA EXPOSIÇÃO COMO OBRA ABERTA. NO CAMINHO DOS CAMINHOS DE NUNO PORTAS


2012-04-05


UM OBJECTO DE RONAN E ERWAN BOUROULLEC


2012-03-05


DEZ ANOS DE NUDEZ


2012-02-13


ENCONTROS DE DESIGN DE LISBOA ::: DESIGN, CRISE E DEPOIS


2011-12-02


STUDIO ASTOLFI


2011-11-01


TRAMA E EMOÇÃO – TRÊS DISCURSOS


2011-09-07


COMO COMPOR A CONTEMPLAÇÃO? – UMA HISTÓRIA SOBRE O PAVILHÃO TEMPORÁRIO DA SERPENTINE GALLERY E O PROCESSO CRIATIVO DE PETER ZUMTHOR


2011-07-18


EDUARDO SOUTO DE MOURA – PRITZKER 2011. UMA SISTEMATIZAÇÃO A PROPÓSITO DA VISITA DE JUHANI PALLASMAA


2011-06-03


JAHARA STUDIO


2011-05-05


FALEMOS DE 1 MILHÃO DE CASAS. NOTAS SOBRE O CONCURSO E EXPOSIÇÃO “A HOUSE IN LUANDA: PATIO AND PAVILLION”


2011-04-04


A PROPÓSITO DA CONFERÊNCIA “ARQUITECTURA [IN] ]OUT[ POLÍTICA”: UMA LEITURA DISCIPLINAR SOBRE A MEDIAÇÃO E A ESPECIFICIDADE


2011-03-09


HUGO MADUREIRA: O ARTISTA-JOALHEIRO


2011-02-07


O QUE MUDOU, O QUE NÃO MUDOU E O QUE PRECISA MUDAR


2011-01-11


nada


2010-12-02


PEQUENO ELOGIO DO ARCAICO


2010-11-02


CABRACEGA


2010-10-01


12ª BIENAL DE ARQUITECTURA DE VENEZA — “PEOPLE MEET IN ARCHITECTURE”


2010-08-02


ENTREVISTA | FILIPA GUERREIRO E TIAGO CORREIA


2010-07-09


ATYPYK PRODUCTS ARE NOT MADE IN CHINA


2010-06-03


OS PRÓXIMOS 20 ANOS. NOTAS SOBRE OS “DISCURSOS (RE)VISITADOS”


2010-05-07


OBJECTOS SEM MEDO


2010-04-01


O POTENCIAL TRANSFORMADOR DO EFÉMERO: A PROPÓSITO DO PAVILHÃO SERPENTINE EM LONDRES


2010-03-04


PEDRO + RITA = PEDRITA


2010-02-03


PARA UMA ARQUITECTURA SWISSPORT


2009-12-12


SOU FUJIMOTO


2009-11-10


THE HOME PROJECT


2009-10-01


ESTRATÉGIA PARA HABITAÇÃO EVOLUTIVA – ÍNDIA


2009-09-01


NA MANGA DE LIDIJA KOLOVRAT


2009-07-24


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR (Parte II)


2009-06-16


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR


2009-05-19


O QUE É QUE SE SEGUE?


2009-04-17


À MESA COM SAM BARON


2009-03-24


HISTÓRIAS DE UMA MALA


2009-02-18


NOTAS SOBRE PROJECTOS, ESPAÇOS, VIVÊNCIAS


2009-01-26


OUTONO ESCALDANTE OU LAPSO CRÍTICO? 90 DIAS DE DEBATE DE IDEIAS NA ARQUITECTURA PORTUENSE


2009-01-16


APRENDER COM A PASTELARIA SEMI-INDUSTRIAL PORTUGUESA OU PORQUE É QUE SÓ HÁ UMA RECEITA NO LIVRO FABRICO PRÓPRIO


2008-11-20


ÁLVARO SIZA E O BRASIL


2008-10-21


A FORMA BONITA – PETER ZUMTHOR EM LISBOA


2008-09-18


“DELIRIOUS NEW YORK” EXPLICADO ÀS CRIANÇAS


2008-08-15


A ROOM WITH A VIEW


2008-07-16


DEBATER CRIATIVAMENTE A CIDADE: A EXPERIÊNCIA PORTO REDUX


2008-06-17


FOTOGRAFIA DE ARQUITECTURA, DEFEITO E FEITIO


2008-05-14


A PROPÓSITO DA DEMOLIÇÃO DO ROBIN HOOD GARDENS


2008-04-08


INTERFACES URBANOS: O CASO DE MACAU


2008-03-01


AS CORES DA COR


2008-02-02


Notas sobre a produção arquitectónica portuguesa e sua cartografia na Architectural Association


2008-01-03


TARZANS OF THE MEDIA JUNGLE


2007-12-04


MÚSICA INTERIOR


2007-11-04


O CIRURGIÃO INGLÊS


2007-10-02


NÓS E OS CARROS


2007-09-01


Considerações sobre Tempo e Limite na produção e recepção da Arquitectura


2007-08-01


A SUBLIMAÇÃO DA CONTEMPORANEIDADE


2007-07-01


UMA MITOLOGIA DE CARNE E OSSO


2007-06-01


O LUGAR COMO ARMADILHA


2007-05-02


ESPAÇOS DE FILMAR


2007-04-02


ARTES DO ESPAÇO: ARQUITECTURA/CENOGRAFIA


2007-03-01


TERRAIN VAGUE – Notas de Investigação para uma Identidade


2007-02-02


ERRARE HUMANUM EST…


2007-01-02


QUANDO A CIDADE É TELA PARA ARTE CONTEMPORÂNEA


2006-12-02


ARQUITECTURA: ESPAÇO E RITUAL


2006-11-02


IN SUSTENTÁVEL ( I )


2006-10-01


VISÕES DO FUTURO - AS NOVAS CIDADES ASIÁTICAS


2006-09-03


NOTAS SOLTAS SOBRE ARQUITECTURA E TECNOLOGIA


2006-07-30


O BANAL E A ARQUITECTURA


2006-07-01


NOVAS MORFOLOGIAS NO PORTO INDUSTRIAL DE LISBOA


2006-06-02


SOBRE O ESPAÇO DE REPRESENTAÇÃO MODERNO


2006-04-27


MODOS DE “VER” O ESPAÇO - A PROPÓSITO DE MONTAGENS FOTOGRÁFICAS


share |

ARCHIZINES – QUAL O TAMANHO DA PEQUENÊS?

IVO POÇAS MARTINS


Seguiam um guia de viagem que uma qualquer turma de arquitectura tinha feito uma década atrás. Alguém tinha perdido o tempo que eles não perderam na biblioteca da faculdade a fotocopiar livros e revistas – algumas delas também fotocopiadas e desbotadas – e tinha compilado tudo o que, até àquela data, valia a pena ver. Eram uma vintena de folhas de papel de formato A6 entre dois cartões cinzentos de fazer maquetes presos por duas argolas em aço – em muito bom estado para a idade. Na capa lia-se apenas "Berlim" em relevo seco.

Estavam em Huttenstraße. Depois de três dias na cidade a seguir a lista das obras mais evidentes a visitar, tinham-se libertado da horda de turistas do museu judaico de Daniel Libeskind ou da cúpula de Norman Foster no Reichstag.

Ao primeiro edifício de gaveto em tijolo, C., que empunhava o precioso compêndio, parou. Voltou a olhar para a reprodução a preto e branco da fotografia da galeria da AEG de Peter Behrens:

– É isto?

– É. – confirmou D. a medo, interrompendo uma hesitação colectiva.

– Isto é muito bom. – ensaiou uma voz entre os quatro com uma assertividade em que todos concordaram respectivamente com um aceno de cabeça, um cruzar de braços e o desembainhar da câmara digital.

Procuraram o ângulo certo, o mesmo que já tinham visto tantas vezes impresso. P. semicerrou os olhos para desfocar o que via, tanto como a imagem do guia. Estavam afinal a dois quarteirões do troféu. Sorriram, embaraçados. Voltaram a descer Huttenstraße. Refizeram a pose e, finalmente, repetiram o ritual com renovada convicção:

– Isto é muito bom!



Esta anedota serve para ilustrar os ingredientes que estão na origem de Archizines: o entusiasmo individual ou partilhado pelos temas que gravitam em torno da Arquitectura e da Cidade e a preciosidade do material impresso que os veicula.

O limiar entre ser-se entusiasta ou um fã de arquitectura, comparável a um fã de música ou de ficção científica, transpõe-se pela vontade de passar da condição de mero espectador ou "consumidor" de arquitectura e inventar formas para ter um papel activo e visível na sua invenção, discussão ou edição. A imagem da "imprensa de garagem tal qual o rock de garagem" [1], continua aqui a ser eficaz – na militância de quem a produz e na urgência do que se quer dar a ver. Ainda que tropece despreocupadamente no erro como estes quatro archigeeks [2], na sua primeira viagem a Berlim: "Just because it’s in print doesn’t mean it’s [the] gospel. " [3]



Archizines é um "arquivo em expansão" de fanzines, jornais e revistas de arquitectura "independentes" e "alternativas" de mais de 20 países, lançadas desde o ano 2000. Nasce do interesse e de uma recolha individual feita por Elias Redstone [4] ao longo de várias viagens e torna-se agora um projecto público. Elias lança em Archizines a hipótese de se ter dado neste século um aumento relevante do número de edições de arquitectura em formato impresso, num fenómeno comparável ao período entre os anos 1960 e 1970, aparentemente em contracorrente com a actual era digital.

A primeira abertura à fruição e participação pública de Archizines deu-se com o lançamento da página web (www.archizines.com) onde, para além de se apresentarem todos os números dessa recolha, se fez um autêntico call for papers: um apelo ao envio de diferentes edições impressas com estas características.

A exposição de Archizines, esteve patente em Londres, na Architectural Association, entre 5 de Novembro e 14 de Dezembro de 2011. A exposição, pela grande quantidade de projectos editoriais recolhidos, acontece apenas um ano após o lançamento do site. Estão aqui expostos um exemplar de cada uma de 60 publicações seleccionadas do arquivo, dispostas por ordem alfabética em mesas às quais o visitante se pode sentar para as manusear com o tempo devido.

Na parede, um mapa do mundo localiza a origem das publicações e, em quatro ecrãs iPad, os 60 grupos editoriais representados respondem através de um registo em vídeo a quatro questões: "Qual a relação entre a arquitectura e o acto de publicar?", "Como se ‘edita’ arquitectura?", "Qual o papel do formato impresso na era digital?" e "De que modo estão a mudar as publicações de arquitectura?". Um quinto iPad permite a consulta do site de Archizines.

A forma como está montada a exposição – propondo uma categorização alfabética e não temática dos exemplares impressos, demonstrando a representatividade geográfica dos elementos recolhidos, expondo dúvidas e admitindo uma grande pluralidade de respostas e o próprio dispositivo expositivo, reforçam o seu carácter de arquivo, de material a ser pesquisado. O site, a exposição, o ciclo de conversas Archizines Live e a publicação do catálogo procuram desenvolver estas questões, assumindo o risco de cartografar, em tempo real, o estado actual destas publicações "independentes" e "alternativas" de arquitectura. Em tempo real, a própria discussão e participação tornam-se matéria relevante do projecto. Archizines "celebra e promove as publicações independentes e alternativas como uma arena para o comentário, crítica e investigação arquitectónicas, e como uma plataforma criativa para a nova fotografia, ilustração e design." [5]

"If anything this is just a beginning." [6] A exposição de Archizines entrará em itinerância, admitindo a cada momento a alteração dos exemplares expostos. À data da publicação deste artigo, a exposição em Londres terá já terminado. No entanto, a sua itinerância passará por Milão e Nova York (com data a anunciar) e perspectivam-se já outros locais, incluindo Portugal.

Fazem parte da exposição o fanzine Friendly Fire, a revista Scopio e a Beyond, holandesa com edição de Pedro Gadanho, que contribui também com um artigo para o catálogo de Archizines. Pertencem adicionalmente ao arquivo de Archizines as portuguesas Dédalo e NU. A totalidade das revistas recolhidas até agora e todas as que se perspectivam juntar integrarão a colecção permanente da biblioteca do Victoria & Albert Museum.


LITTLENESS, LOUDNESS E SLOWNESS

O facto de este projecto acontecer pouco mais de um ano depois da edição de Clip/Stamp/Fold [7], projecto de investigação da responsabilidade de Beatriz Colomina na Universidade de Princeton, torna inevitável a referência (se não a comparação) a estas duas décadas onde "[...] a explosão de pequenas revistas de arquitectura [...] instigou uma transformação radical na cultura arquitectónica [...]".

O termo little magazines, recuperado por Denise Scott Brown da publicação Little Review [8] torna-se chave para a compreensão do carácter destas revistas para além do lugar-comum do emprego dos termos "independente" e "alternativo". O facto de Little Review se publicitar como "The Magazine That Is Read By Those Who Write The Others", acrescenta ainda o seu papel enquanto campo de debate e inovação.

A littleness, ou a pequenês, atribuída a estas publicações não se traduz necessariamente na sua dimensão ou no tamanho da sua edição. Vemos representadas em Clip/Stamp/Fold revistas de referência com histórias que antecedem e sobrevivem ao período estudado como a L’Architecture d’Aujourd’hui, a Casabella, a Architectural Design ou a Lotus. É intrigante ver como estes projectos editoriais surgem em conjunto com outros de carácter mais circunscrito no tempo e que são, de facto, em termos materiais e de meios, revistas pequenas, muitas vezes de produção artesanal: panfletos desdobráveis, conjuntos de fotocópias agrafadas com graus muito distintos de sofisticação gráfica. Em Clip/Stamp/Fold, descreve-se este período como um moment of littleness, onde estas publicações estabelecidas, muitas vezes em resposta a uma conjuntura económica desfavorável, encontram nessa adversidade uma janela de oportunidade para as mudanças nas suas políticas editoriais, com reflexo nos meios materiais usados, como o papel e os tipos de impressão, nos autores e nos projectos escolhidos. É neste contexto que surge o Cosmorama na Architectural Design com o seu entusiasmo pela ficção científica, as estruturas insufláveis, as tecnologias de comunicação e as drogas, ou que em Casabella se promove a Arquitectura Radical, de que são exemplo as colagens de grupos como os Archizoom.

Os avanços nas tecnologias de impressão e de comunicação terão desempenhado um papel-chave na definição de práticas de vanguarda nos anos 1960/70 pela sua rapidez e economia. Estas publicações novas e energéticas ajudaram a formar uma rede global de troca entre estudantes e arquitectos e entre a arquitectura e outras disciplinas. A inclusão em Clip/Stamp/Fold do "The Whole Earth Catalogue", editado por Stewart Brand, uma espécie de manual de instruções para a construção de comunidades hippies que se estabeleceram em desertos e outros locais remotos norte-americanos, é representativa desta abertura multidisciplinar, particularmente importante numa altura de crise ideológica e de grande fascínio pela ambivalência da tecnologia – do computador à bomba atómica: "We are as gods and might as well get good at it." [9]



A falta de distanciamento temporal (e disciplinar) não nos permite ainda traçar idênticas hipóteses acerca da real relevância deste conjunto de publicações representadas em Archizines. Numa primeira abordagem, no entanto, pode-se constatar um considerável baixar de "volume sonoro" comparativamente àquele do discurso dos anos 1960/70, com influência da expressão ruidosa do movimento hippie, da pop e do punk.

A democratização dos meios tecnológicos nesta viragem de século justifica a maior facilidade do surgimento de publicações deste tipo mas, como já foi referido, não deixa de ser inesperado face à ainda maior acessibilidade, economia e rapidez que representa, por exemplo, a blogoesfera. Pode encontrar-se na actual conjuntura profissional e económica que a arquitectura atravessa, com um grande número de profissionais e pouco acesso a oportunidades de prática de projecto, a origem deste suposto fenómeno, com, por um lado, uma maior disponibilidade para o desenvolvimento da actividade editorial e de investigação académica, mas por outro, como reacção a este mesmo estado de crise. O ressurgimento de formatos impressos, num tom bem menos ruidoso que aquele retratado em Clip/Stamp/Fold, poderá ele próprio ser um reflexo deste espírito do tempo de hoje mas, tal como se levantou no decurso das mesas redondas de Archizines Live, poderá ser igualmente uma reacção à velocidade própria da comunicação da era digital.

Esta postura de abrandamento de velocidade tem tanto de posição crítica como de atitude nostálgica. O revivalismo das publicações impressas, sobretudo as de produção mais artesanal, faz-se por absoluta necessidade mas também numa postura quase fetichista, pela dimensão táctil do livro-objecto à semelhança do livro de artista.

É assinalável a inclusão em Archizines da edição actual de Quaderns, revista iniciada em 1944 que, como as mencionadas, partilha o estatuto de publicação de referência tendo, também ela, antecedido e sucedido a Clip/Stamp/Fold. Poder-se-á afirmar que Quaderns, no seu formato actual, atravessará um moment of littleness, visível numa aparente economia de meios de produção e na prática própria do fanzine de "oferecer uma revisão de materiais" com base em "fragmentos arrancados de [outros] número[s] da revista". [10]


ALTERNATIVO, ALTERNANTE
e outros temas para debater a propósito de
Archizines

"The objective of this work is to become the object of a discussion." [11]

A categorização dos exemplares constantes de Archizines à luz do seu carácter mais ou menos independente ou alternativo não é uma tarefa simples. Parece, de facto, inútil sem que se responda à pergunta "Mas alternativo a quê?" – À Internet? À difusão da arquitectura em meios generalistas? Às publicações académicas?

Mais do que um discurso claramente alternativo, passível de ser lido na totalidade das publicações expostas, encontramos uma verdadeira alternância de pontos de vista, de objectivos e de linguagens que se podem identificar ao passar de uma revista para a seguinte, mas também na exploração de um só exemplar. Percorrendo os objectos expostos, descobrem-se vidas múltiplas nestes projectos editoriais: apesar da militância pelo formato físico, a sua presença na internet é quase uma regra, seja como base de divulgação e distribuição das edições impressas, seja como forma de acesso a facsimilae em versões digitais; tanto estão representadas em Archizines edições artesanais, distribuídas localmente e em pequenas quantidades, como projectos de grande tiragem e de venda internacional; tanto funcionam como plataformas de investigação académica em arquitectura, como pretendem estabelecer pontes com outras disciplinas ou com um público mais vasto.

A revista italiana San Rocco, também representada em Archizines, cujo primeiro número foi editado em 2010, torna explícito no seu texto de apresentação a possibilidade da utilidade de uma postura híbrida para a construção de um discurso crítico e, sobretudo, de um "novo tipo de arquitectura". San Rocco posiciona-se voluntariamente num cenário de contradições e de tensões: revê-se nas singularidades de Aldo Rossi e de Giorgio Grassi sem querer ser exactamente um ou o outro, defende uma arquitectura simultaneamente monumental e frágil e uma atitude que é séria e que também não é séria.

Une estes diferentes projectos editoriais o facto de terem como objectivo satisfazer a vontade individual de quem os faz; residirá aí a sua independência, ainda que possam ter algum tipo de ligações institucionais. É esse um ponto comum possível de estabelecer entre o extinto Go e P.E.A.R., ambos auto-intitulados fanzines mas distintos em termos físicos e de financiamento. Um é composto graficamente e impresso pelos próprios autores – "à socapa" no escritório de um dos membros, enquanto o outro é impresso e paginado profissionalmente, e custeado pela instituição académica a que pertencem os autores. Classificar estas publicações quanto à sua independência passa, do mesmo modo, por identificar as suas distintas relações de dependência.

"In old days books were written by men of letters and read by the public. Now books are written by the public and read by nobody." [12]

O fenómeno da auto-publicação não é novo e também hoje tem, em geral, um tempo de vida curto, seja por constrangimentos económicos, seja pela sua natureza auto-complacente e autofágica. A existência de meios como este de Archizines, impulsionados pela internet, poderá inverter ou, pelo menos, retardar esta tendência. Possibilita-se, por um lado, o contacto com uma base mais vasta de "consumidores" e, por outro, a amplificação a uma escala virtualmente global de projectos editoriais que, de outro modo, poderiam apenas ambicionar uma relevância local.

::::

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

::::

Ivo Poças Martins
(Porto, 1980) Ivo Poças Martins é co-editor do fanzine Friendly Fire (impresso em Fânzeres), membro fundador do escritório Ivo Poças Martins e Matilde Seabra, arquitectos e doutorando pela FAUP. Links: www.pocasmartins-seabra.com, www.friendlyfire.info

::::


NOTAS


[1] LOPES, Diogo Seixas, “Garage Media”, in NU, n.º18, NUDA/AAC, Coimbra, Março 2004.

[2] ZEIGER, Mimi, “On content, fandom and how James Dean, Jarvis Cocker and James Murphy changed Architectural publishing”, in ARCHIZINES, Bedford Press, Londres, Novembro 2011.

[3] Citação de Michael Jackson tornada “Aforismo” por Mimi Zeiger, in Maximum Maxim MMX, 2010.

[4] Elias Redstone é curador independente, escritor, editor e consultor residente em Londres e Paris. Além de fundador e curador de Archizines, é editor-chefe do London Architecture Diary e colunista online da T Magazine do New York Times.

[5] REDSTONE, Elias, “On Archizines”, in ARCHIZINES, Bedford Press, Londres, Novembro 2011.

[6] REDSTONE, idem.

[7] COLOMINA, B., BUCKLEY, C., ed., GRAU, U., ed. im., Clip/Stamp/Fold – The Radical Architecture of Little Magazines 196x to 197x, Princeton, Actar, 2010.

[8] Little Review é uma revista literária americana fundada por Margaret Anderson e publicada entre os anos 1914 e 1929

[9] BRAND, Stewart, “We are as gods” in Whole Earth Catalogue – Access to Tools, 1, 1968.

[10] Da secção “Arquivo”, no site de Quadernswww.tinyurl.com/6xc9j7v

[11] Tino Sehgal, This objective of that object (2004).

[12] WILDE, Oscar, “A Few Maxims For The Instruction of The Over-Educated”, publicado anonimamente na edição de 17 de Novembro de 1894 de Saturday Review.