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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Melvin Moti, Echo Chamber (2012). Fotografia: Bruno Lopes


Melvin Moti, Echo Chamber, 2012. Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes


Ludwig Gosewitz, Three women - Three children / Triptychon (pormenor),1993. Desenho. Fotografia: Bruno Lopes


Ludwig Gosewitz, 2 portraits / Dyptychon (for Daniel Spoerri) (pormenor), 1990. Desenho. Fotografia: Bruno Lopes


Melvin Moti, Atlas Eclipticalis (2012). Fotografia: Bruno Lopes


Melvin Moti, Echo Chamber, 2012. Vista da exposição. Fotografia: Bruno Lopes

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MELVIN MOTI

Echo Chamber




KUNSTHALLE LISSABON
Rua José Sobral Cid 9E
1900-289 Lisboa

09 FEV - 24 MAR 2012


Only connect
E.M. Foster




O espaço Kunsthalle Lissabon é palco da primeira exposição do artista holandês Melvin Moti em Portugal, sob o título Echo Chamber. O lugar torna-se assim numa câmara onde uma polifonia de vozes e influências conceptuais ecoa: o percurso artístico de Ludwig Gosewitz, a obra literária de E.M. Foster e ainda a obra The Large Glass (1915-23) de Marcel Duchamp. Deste modo, Melvin Moti recusa a tentativa de criar uma discursividade artística própria, privilegiando a confluência e a continuidade dada a abordagens de outros autores: “I hope this space will become a physical space through which the attempts of other artists will echo.” (1)

A exposição, composta por quatro obras, representa um núcleo de sentido que nos remete para a concepção de Tempo a partir de uma abordagem astronómica. “So really, each one of us is 4.7 billion years old. In this exhibition I’d like to think of the constellation as a pattern in time rather than in space.” (2), afirma o artista. O termo constelação complexifica-se, tornando-se uma metáfora para a malha temporal e espacial em que indubitavelmente nos inserimos, como se cada existência estivesse provida da antiguidade sideral – um Passado colossal em cada ser-humano, pois que em cada um consta o minuto originário. “This exhibition however is based on the idea that we’re all a continuation of the big bang, and our very own celestial body is a part of a constellation itself.” (3), prossegue Moti.

A diversidade de superfícies que espelha os conceitos que o artista explora parece prender-se com a ausência de um pensar a espacialidade, em oposição a uma reflexão que incide sobre a temporalidade. A ubiquidade e a imaterialidade do Tempo estão, deste modo, representadas nos desenhos de Ludwig Gosewitz, através de esculturas ou pintadas directamente numa parede.

As obras do artista Ludwig Gosewitz, integradas na exposição de Moti, Three women – Three children / Triptychon (1993) e 2 portraits / Dyptychon (for Daniel Spoerri) (1990), constituem, respectivamente, um tríptico e um díptico de pinturas nas quais a geometria circular contrasta com um espraiar de cores quentes e frias, criando como que dois planos sobrepostos através dos quais é estabelecido um antagonismo ordem/desordem, aludindo este a uma fertilidade que lhe é intrínseca.

Em Atlas Eclipticalis (2012) uma constelação de pontos e linhas converte uma das paredes da sala numa abóbada celeste minuciosamente traçada sobre o fundo branco. A multiplicidade cromática e a geometria das linhas parecem convergir numa única proposição: de um modo ou de outro, tudo se coliga num diversificado Uno. Echo Chamber (2012), uma mesa que ocupa o espaço central da sala e sobre a qual podemos ver uma série de pequenas esculturas esféricas de diferentes tonalidades e dimensões, parece colocar o espectador diante de um sistema planetário flutuante, devolvendo uma materialidade concreta aos conceitos representados na exposição.

A continuidade autoral que Moti sugere, aludindo a influências de outros autores e apresentando mesmo peças de outros artistas, está em harmonia com a abordagem do conceito de Tempo enquanto continuidade sem rupturas, como que afirmando que, mesmo na Arte, a originalidade é ilusória, pois que um antes e um depois permanecem inalienáveis.

Em Echo Chamber, Melvin Moti reúne obras que, no seu conjunto, promovem uma reflexão em torno da ordem astronómica, pensada de um modo geométrico, bem como da continuidade temporal que tudo contamina, e que faz de todos nós fragmento integrante de uma unidade sem hiatos, pois que os primordial e derradeiro suspiros universais pertencem e pertencerão a todos os que habitam a existência.


NOTAS
(1) Melvin Moti, Words Don’t Come Easy (conversa entre Melvin Moti, João Mourão e Luís Silva acerca da exposição Echo Chamber) Kunsthalle Lissabon, Fevereiro de 2012.
(2) Ibid
(3) Ibid


Maria Beatriz Marquilhas