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EXPOSIÇÕES ATUAIS


I’m hungry to keep you close..., 2014, Petrit Halilaj. Instalação. Vista de exposição, Kunsthalle Lissabon, Lisboa. Fotografia: Bruno Lopes


I don’t have a room, I don’t have a mind. Nevermind! (Pia Pia), 2014, Petrit Halilaj. Instalação e disfarce de canário. Vista de exposição, Kunsthalle Lissabon, Lisboa. Fotografia: Bruno Lopes


I don’t have a room, I don’t have a mind. Nevermind! (Drago Mandarino), 2014, Petrit Halilaj. Disfarce de canário. Vista de instalação, Kunsthalle Lissabon, Lisboa. Fotografia: Bruno Lopes


I’m hungry to keep you close..., 2014, Petrit Halilaj. Instalação. Vista de exposição, Kunsthalle Lissabon, Lisboa. Fotografia: Bruno Lopes


I’m hungry to keep you close..., 2014, Petrit Halilaj. Kunsthalle Lissabon, Lisboa. Fotografia: Bruno Lopes

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PETRIT HALILAJ

I'm hungry to keep you close. I want to find the words to resist but in the end there is a locked sphere. The funny thing is that you're not here, nothing is.




KUNSTHALLE LISSABON
Rua José Sobral Cid 9E
1900-289 Lisboa

17 JUL - 27 SET 2014



O ambiente tardo século XIX disfarçado em galeria white cube da Kunsthalle Lissabon tornou-se em um campo de vestígios, de algo que se passou, antes, talvez ali, mas, possivelmente também, algures diferente.

O autor desta transformação é o jovem artista kosovar Petrit Halilaj (1986), e os vestígios são parte da sua instalação para a representação do Kosovo na última edição da Bienal de Veneza, em 2013. O que em La Sereníssima tinha sido um ninho-gaiola enorme que continha dois canários vivos os quais podiam ser vistos pelo público através de uns pontos específicos, agora são as paredes dessa instalação (feitas por painéis de madeira pintados de branco) instaladas na galeria principal da Kunsthalle Lissabon, encostadas à parede ou seguradas ao alto, em curva vertical a lembrar o voo das aves, por grandes pés de metal em formato de garras de pássaros.

Nos painéis brancos, outrora formando parte do ninho-gaiola, agora fazendo-nos lembrar voos e camas, estão os vestígios escatológicos dos dois canários. Provas de um encontro a dois, com uma certa intimidade, do qual não fizemos parte, mas que podemos reconhecer, através dos restos dos fluidos corporais, agora secos.

Neste reconhecimento do que está ausente parece estar a chave desta obra, como o próprio título indica. É normal focar na biografia do artista - o abandono da terra natal em guerra, a migração, o seu amor pelas aves – e isto também faz parte da sua persona artística, mas, na sua aludida intimidade, a instalação tem ressonâncias que não transportam esse tipo de trauma, mas sim uma emancipação à qual se chega através do corpo, também em relação com outros corpos.

Provas ou lembranças de encontros pessoais e íntimos estão espalhados pelo resto da galeria: cabides em madeira dados a Halilaj, um vestido de terno amarelo pendurado que aparenta estar em um estado impecável, e, no entanto, parece ser uma referência cromaticamente velada ao vestido azul da Mónica Lewinsky, o que faz querer procurar manchas, rasgos, sinais de actos furtivos.

Além disto há também elementos cartoonescos (onde a escatologia e o humor corporal não carecem): uma instalação sonora de alguém intermitentemente a reproduzir grasnidos de pássaros, dois fatos de disfarce de canário, tipo aqueles usados pelas mascotes das equipas desportivas, abandonados pela galeria. Este último par de obras tem o nome I don’t have a room, I don’t have a mind. Nevermind! (Pia Pia) e I don’t have a room, I don’t have a mind. Nevermind! (Drago Mandarino) e o artista tem os vestido em performances e em inaugurações. Não obstante o título, aqui parece continuar o tema da emancipação: fatos e disfarces são abandonados para uma nudez, supostamente a dois, que mais uma vez é sugerida mas não vista. Mesmo do título pode-se deduzir uma certa libertação, sem, porém, cair no falso romantismo da loucura, a não ser que seja uma euforia temporária.

Em um ambiente sujo e de certa forma alienador, Petrit Halilaj cria intimidade e calor. Os elementos mais claramente ornitológicos, como as garras e os grasnidos, são também os mais cómicos e desconfortantes, mas também lembram que em cada voo pode haver queda.



Eva Oddo