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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Mensagem ao infinito, 2014.


Vista da exposição.


Grande Fossil, 2014.


Grande Fossil, 2014. Gráficos 1 e 2.


Homenagem a Ilya Prigogine – Ricochete de fosseis sobre água, 2014.


Gravidade–fosseis de folhas dependurados em árvores, 2014.


Vista da exposição.

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ARQUIVO:


NUNO VICENTE

Esculturas de terra, água, fogo, ar (parte VII)




ESPAÇO 58
Rua Capitão Leitão, n.º 58
1950-050 Lisboa

03 OUT - 15 NOV 2014


 «Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito donde a
vida e a morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, o
comunicável e o incomunicável deixam de ser percebidos
contraditóriamente.»

André Breton

 


Construtor de imagens poéticas, Nuno Vicente é um artista que mais do que trabalhar a Natureza, a pensa e vive. O seu trabalho assinala a efemeridade da existência ao mesmo tempo que a defende eterna, num diálogo permanente entre a matéria e a imaterialidade que dela se extrai, entre o que é visível e o que se intui. Esculturas de terra, água, fogo, ar (parte VII) completa o ciclo de trabalhos em torno dos quatro elementos e é, mais que qualquer outro projecto de Nuno Vicente, dedicado à Natureza.

Imbuída de um espírito poético, esta natureza é a de um tempo primordial e simbólico, tão presente na folha de árvore que fica registada na rocha, como nos diários traduzidos em código morse. A acção é o motor deste enredo temporal, em que os ciclos naturais se evidenciam. O lugar distante que por sorte se cravou na dureza da rocha, o fóssil – marca de um tempo que permanece –, é depois encontrado e comercializado. Gravidade – fósseis de folhas dependurados em árvores são a devolução à natureza, como o são Homenagem a Ilya Prigogine – ricochete de fósseis na água. A natureza não se esgota nem estagna, ela permanece e continua o seu caminho fora da intervenção do homem – o tempo transforma-se em matéria.

E é no processo de construção do tempo que estas esculturas vivem: a acção acerca do curso dos eventos, a repercussão de uma acção e a extracção da sua poética. O painel de fotografias que forma o ricochete de fósseis na água congela o instante logo antes do desaparecimento e lembra-nos da força que leva os corpos a precipitar-se para o centro da terra. Em Gravidade – fósseis de folhas dependurados em árvores acontece o mesmo movimento de queda como retorno mas regista-se o momento estático, já que o instante da queda é aleatório e dado por elementos externos à acção.

O Grande fóssil organiza o tempo, a matéria e a acção; remete a um tempo geológico, condensa as matérias e confronta-nos com acções primárias. Macerar fósseis é tão próximo da transformação de alimentos como da pintura rupestre. Esta pintura, feita com pigmento formado pelo pó de 25 fósseis de folhas de árvores, moídos diariamente durante alguns meses, parece deformar a representação no sentido em que a supera. Reduzida ao plano bidimensional e aparentemente monocromático, a matéria destas 25 árvores constrói uma geografia e atinge uma espécie de estado zero, de depuração, comparável à “supremacia do sentimento puro” do Quadrado branco sobre fundo branco de Malevich. Na sua temporalidade, duração, permanência, infinito, a natureza existe para assinalar a efemeridade da existência e o Grande fóssil requer a intervenção do homem para a sua continuidade.

Se os escritos diários forem entendidos como registos de um tempo e uma matéria que passou, voltamos a redimensionar a acção, que outra vez segue o seu curso natural quando é reenviada ao éter em sinais eléctricos em 12 pensamentos sobre a Natureza. O diário, que tantas vezes acompanha o trabalho artístico, e que define uma metodologia de fragmento em continuidade, assinala novamente a passagem do tempo, congelando-o. Estes escritos, traduzidos em código morse, são impressões de observação da natureza, e a natureza é também a natureza humana. Talvez por isso se encontrem codificados, e embora disponíveis, o acesso é barrado por uma linguagem pouco frequente.


Lara Portela

 



Lara Portela