Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Azul do céu a 0 m, 20.000 m, 30.000 m e 38.000 metros acima do nível do mar (2015), Márcio Vilela. Fotografia do artista.


Fotografia da inauguração onde aparece a obra Azul do Céu a 0m, 10.000m, 20.000m, 30.000m e 38.000m acima do nível do mar. Fotografia: João Serra de Almeida


Estratosfera a 38.000m de altitude, Impressão jacto de tinta sobre papel de algodão, 136x175cm


fotografia da inauguração onde aparece a obra Estratosfera a 38.000m de altitude. Fotografia: João Serra de Almeida


Destroços do balão a 38.000m de altitude, Impressão jacto de tinta sobre papel de algodão, 104x84cm


Destroços do balão em terra, Impressão jacto de tinta sobre papel de algodão, 109x96cm

Outras exposições actuais:

ÁLVARO LAPA

ÁLVARO LAPA: NO TEMPO TODO


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

MARISA MERZ

THE SKY IS A GREAT SPACE


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

AMELIA TOLEDO

LEMBREI QUE ESQUECI


Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, São Paulo
JULIA FLAMINGO

IRENE KOPELMAN

INDEXING WATER


Kunsthalle Lissabon, Lisboa
BRUNO CARACOL

COLECTIVA

FROM ONE LOUVRE TO ANOTHER


Louvre Abu Dhabi, Abu Dhabi
SARAH FRANCES DIAS

COLECTIVA

NSK DEL KAPITAL AL CAPITAL. NEUE SLOWENISCHE KUNST. UN HITO DE LA DÉCADA FINAL DE YUGOSLAVIA


Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid
ALBERTO MORENO

MARIANA SILVA

OLHO ZOOMÓRFICO/CAMERA TRAP


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
BRUNO CARACOL

PEDRO VALDEZ CARDOSO

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA


Galeria 111 (Lisboa), Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

ANA HATHERLY

ANA HATHERLY. TERRITÓRIO ANAGRAMÁTICO


Fundação Carmona e Costa, Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

ANA HATHERLY

ANA HATHERLY E O BARROCO. NUM JARDIM FEITO DE TINTA


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
JOANA CONSIGLIERI

ARQUIVO:

share |

MÁRCIO VILELA

ESTUDO CROMÁTICO PARA O AZUL




OCUPART CHIADO
Calçada do Sacramento, 11
1200 Lisboa

14 SET - 13 OUT 2017

CINQUENTA TONS DE AZUL

 
É um trabalho bastante estranho aquele que o artista Márcio Vilela, brasileiro a viver em Portugal, apresenta (até 13 de outubro) sob a égide da Ocupart, num apartamento do 4º andar do Consulado (e é muito mais interessante que a exposição de fotografias photoshopadas lá apresentadas). Estranho porque poderia simplesmente ser, não uma exposição artística, mas a apresentação de uma investigação científica: qual é a cor do céu? Os eruditos dirão que o céu é azul porque essa é a frequência luminosa na qual as moléculas da atmosfera difundem mais a luz do sol (se bem compreendi). E durante séculos, os pintores tentaram produzir esses tons de azul; os holandeses do século de ouro, banhados na sua luz húmida, foram os primeiros mestres nisso. Mas pintores e fotógrafos sempre foram muito mais fascinados pelos céus nebulosos, tormentosos, cinzentos e brancos: assim os famosos “Equivalents” de Stieglitz ou as composições temporais de Jacqueline Salmon. Para agradar ao artista, a pureza cerúlea é demasiado vazia, demasiado uniforme, e deve ser povoada de nuvens ou de estrelas.

 

Ele, Vilela, quer apenas um céu puro, mas quer isso em toda a sua diversidade, toda a sua profundidade, todas as suas nuances de azul: o seu projeto consistiu em prender aparelhos fotográficos e câmaras a um balão sonda que é elevado a 38 000 metros antes de explodir. Os milhares de fotografias do céu foram assim realizadas, a rarefação da atmosfera traduziu-se num escurecimento da imagem: é um Pantone de azuis que temos ali, mais rico do que qualquer catálogo de cores. O artista selecionou algumas imagens, da mais azul ao nível do solo à mais sombria no ponto mais alto da trajetória; no topo, sem atmosfera, é um negro de ausência que reina. Chegado a 38 km, o balão explode e a foto desse instante mostra o invólucro em farrapos em redor do núcleo. Os aparelhos descendem no final de paraquedas, e Vilela recupera-os.

 

Ponto de ruptura do balão a 38.000m de altitude, Impressão jacto de tinta sobre papel de algodão, 52x77cm

 

É um trabalho obsessivo de investigação, um processo que move o autor, porque (um pouco como Müller-Pohle) a máquina tira as fotos automaticamente e o artista seleciona de seguida, uma inversão da regra clássica: escolher o enquadramento do ponto de vista para fotografar. O artista não é mais um fotógrafo, no sentido de fazer fotografias, ele é o criador e organizador de um processo quase científico que leva a resultados visuais áridos e refinados. Este projeto é um pouco um beco sem saída: abandono de toda a pretensão estética para privilegiar o único programa. Os trabalhos anteriores de Vilela tinham a ver com a paisagem, que ele via um pouco como um espelho de si mesmo, e já tinha sido fascinado por outras imagens incertas, as névoas dos Açores, encobrindo quase toda a paisagem no cinza nebuloso das nuvens, o oceano visto de cima ou o "white out": uma maneira, já, de privilegiar o olhar sobre o visto.



MARC LENOT