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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.


Vista da exposição. Fotografia: Sérgio Parreira.

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SÉRGIO PARREIRA

ARQUIVO:

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GILBERT & GEORGE

THE BEARD PICTURES




LEHMANN MAUPIN
536 W 22nd Street & 201 Chrystie Street
NY

12 OUT - 22 DEZ 2017

CÓDIGO BARBA

 

Não é muito vasto o número de artistas que podemos enumerar que se juntaram no matrimónio e igualmente na carreira artística, tornando ambas as uniões em acontecimentos de sucesso. Podem-se destacar Marina Abramovic e Ulay, Diego Rivera e Frida Kahlo, Pablo Picasso e Françoise Gilot, Man Ray e Lee Miller, e evidentemente Gilbert Proesch e George Passmore. Todos estes casais, de alguma forma alimentaram a sua produção artística da existência e interação com o seu parceiro, nuns casos mais denotados do que outros, mas no que respeita a Gilbert & George essa corelação, interligação, e presença constante situacional transformou-se numa intensa produção artística.

Com diferentes nacionalidades, Gilbert, Italiano e George. Britânico, conheceram-se a 25 de Setembro de 1967 enquanto ambos estudavam escultura na Saint Martin´s School of Art, e segundo George, isto aconteceu pois ele era o único que entendia o medíocre Inglês de Gilbert. Pouco tempo depois decidiram juntar-se e criar uma entidade artística única que perdura até hoje.

A exposição que vi recentemente destes artistas em Nova Iorque na galeria Lehmann Maupin (lehmannmaupin.com), com uma exibição simultânea em Paris (Galerie Thaddaeus Ropac, ropac.net), é representativa da genialidade de Gilbert & George, e uma vez mais certifica e patenteia uma assinatura formal à qual nos foram habituando, que raramente desaponta, e que manifesta uma coerência invulgar naquilo que poderíamos designar de uma fórmula visual de indubitável êxito e mestria.

Eu diria que vejo centenas de obras de arte contemporânea mensalmente; percorro eventualmente uma média de 10 galerias por semana, e curiosamente, ou raramente me encontro perante uma experiência que eu posso considerar extasiante. Quando isso acontece, tenho necessariamente que pausar, e tentar perceber e entender as razões, embora esse exercício possa ser ingrato quando articulado à exaustão, aniquilando eventualmente o impacto da experiência do usufruto da obra de arte, que creio todos nós um pouco expectamos que se aproxime do sublime.

Esta nova série de obras de Gilbert & George intitulada The Beard Pictures, e que celebra 50 anos de criação dos padrinhos da Brit-art, capta de imediato a nossa atenção e acuidade visual, pelas suas intensas cores e dimensões. Todas as obras/imagens tem mais de um metro de largo e altura, e outras mais de três metros de largo e dois de altura, o que faz com que estas representações nos absorvam por completo. O espaço da galeria transforma-se num ambíguo habitat pictórico de cor, em que figuras embarbadas se repetem em diferentes cenografias e short film stories, aludindo simultaneamente ao universo da banda desenhada satírica ao género cartoonístico.

Nos meandros da simbologia ficcional, Gilbert & George, nomeiam todas as obras com um imaginário non-sense dadaísta, Beard Alarm, Beard Alert, Beard Attack, Beard Aware, Beard Beers, Beard Code, Beard Cross, Beard Front, Beard Green alarms, Beard Garden, e por aí fora. Outro elemento comum a todas as obras é o arame farpado, que numas imagens mais do que outras transforma os abarbados Gilbert & George em alegóricos prisioneiros das suas criações. Há inúmeras conotações possíveis nestas obras, mas seguramente podem identificar-se referências bélicas ao terrorismo, à exclusão e separação, à guerra e insegurança, ao próprio new status do Reino Unido e o Brexit, e naturalmente a mundificação e banalização da imagem masculina do homem com barba, que o duo parodia personificando a barba como máscara do género másculo.

Cinquenta anos atrás vivíamos numa lógica do formalismo e do minimal, em que o artista não considerava sequer enquanto individuo e personalidade, incorporar as suas criações artísticas. Gilbert & George foram pioneiros ao se posicionarem no espaço de contemplação do objeto artístico, sendo também essa a sua mais significativa revolução, a identidade pessoal enquanto objeto de arte.

The Beard Pictures são uma experiência única de sabedoria estética e artística de um duo que ao ser questionado se alguma vez usou barba, simplesmente respondeu: Certainly not! What do you think we are, normal or something!? (Seguramente que não! Que pensa que somos, normais ou algo semelhante!?).

 

Sergio Parreira
@artloverdiscourse
 

 



SÉRGIO PARREIRA