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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Irene Kopelman Indexing Water, 2017. Vista da exposição na Kunsthalle Lissabon. Foto: Bruno Lopes.


Irene Kopelman Indexing Water, 2017. Vista da exposição na Kunsthalle Lissabon. Foto: Bruno Lopes.


Irene Kopelman Indexing Water, 2017. Versão aumentada da Escala de Forel-Ule. Foto: Bruno Lopes.


Irene Kopelman Indexing Water, 2017. Coluna de água - escala 1:10 Registo de visibilidade mais curto obtido com o Disco de Secchi. Foto: Bruno Lopes.

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Irene Kopelman Indexing Water, 2017. Rochas mencionadas por Liburnau na sua escala "mineral" da cor do mar (1898). Foto: Bruno Lopes.


Irene Kopelman Indexing Water, 2017. Desenhos de Fitoplâncton. Foto: Bruno Lopes.

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IRENE KOPELMAN

INDEXING WATER




KUNSTHALLE LISSABON
Rua José Sobral Cid 9E
1900-289 Lisboa

13 DEZ - 17 FEV 2018


 

Em “Indexing Water” Irene Kopelman expõe uma pesquisa em torno à relação da água com a luz, a partir de técnicas da oceanografia e da limnologia, trabalhando a partir do ímpeto taxonómico dos seus primeiros métodos na construção de uma linguagem visual que classificasse a vitalidade dos corpos de água, a partir da sua cor e da sua transparência, do modo como se deixam atravessar, como refletem ou refratam a luz.

Uma vitrine com vários minerais ordenados pela sua côr recebe-nos no andar inferior da Kunsthalle Lissabon. Estes minerais são referidos na escala de cores de Lorenz von Liburnau, naturalista austríaco que pretendia associar cores minerais a diferentes nuances da cor da água, estendendo a escala que François Alphonse Forel concebeu a partir de soluções químicas e que se iria tornar padrão na oceanografia. A escala de Forel-Ule, reproduzida numa das paredes da sala de exposição, é usada no estudo de lagos e oceanos, ajudando a classificar a actividade biológica de determinado corpo de água. Este esforço de classificação cromática tem de resto paralelo com o trabalho taxonómico da biologia e zoologia, também elas apoiadas por escalas de cor, um léxico visual que se estabeleceu pelo esforço minucioso da descrição da natureza, sendo muitas vezes acompanhado por definições metafóricas (a “cor do sangue de um coelho acabado de matar” que artista refere na folha de sala), anúncios poéticos dos limites desta linguagem, da resistência ao trabalho classificatório que a complexidade dos corpos vivos e dos movimentos das águas opõe à tarefa científica.

Tratamos de uma questão de linguagem; sem texto, trata-se de estabelecer um léxico visual e de traçar os seus limites. A sala é atravessada por um tubo de vidro de cor azul de cerca de 8 metros, 10 vezes mais curto que a medição de visibilidade mais profunda obtida com o disco de Secchi, 79 metros a 13 de Outubro de 1986 no mar de Weddell, na Antártida. Este método de medição consiste em submergir um disco branco de 30 cm anotando a profundidade a que deixa de ser visível, permitindo pela transparência da água indicar indicar o grau de actividade biológica ou de poluição de um certo corpo de água. Na esquina da sala, um disco de vidro castanho de 1 cm indica a 1:10 a leitura feita no Estreito de Madura, na Indonésia, em 1984. Os limites do visível são representados por cores dos extremos da escala, contendo-a, atribuindo-lhe uma profundidade e referindo-a a uma pureza, o azul da água destilada, inerte, em contraponto ao castanho denso de partículas que também ele torna difícil a proliferação de seres vivos. Trata-se então da uma linguagem da vitalidade, de uma possibilidade de habitar relativa do meio aquático, cuja complexidade pode apenas ser evocada pela escala de cor e que trata de lugares intermédios e de negociações. É este o espaço preenchido pelos desenhos frágeis de fitoplancton, organismos microscópicos que formam a base da cadeia alimentar dos oceanos, que se por um lado vão turvar subtilmente as águas, vão transformar a luz em alimento, incorporando o dióxido de carbono presente na água através da fotossíntese.

Trata-se de procurar conhecer a água pela luz que a atravessa. Numa esquina da sala da exposição surge um detalhe aproximado da gruta azul de Capri, de um azul que se aproxima de uma leitura da escala de Forel-Ule. A luz entra na gruta por um orifício subaquático criando a ilusão de ser a própria água a iluminá-la, preenchendo-a de um azul ondulante. Esta água é na verdade o mobilizador deste exercício, mais do que o seu objecto, permitindo ela própria pensar o mecanismo do conhecimento nas suas implicações vitais.

Irene Kopelman colaborou neste trabalho com Marcel Wernand, investigador do Royal Netherlands Institute for Sea Research (NIOZ) dando seguimento à sua pesquisa em torno às escalas de cores utilizadas pelas ciências naturais (que já se tinha debruçado sobre as paisagens vulcãnicas) e em torno aos métodos de representação usados pelos naturalistas no seu trabalho de campo. Nascida em 1974 na Argentina, vive e trabalha em Amesterdão.

 



BRUNO CARACOL