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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga


Vista da exposição de Marisa Merz The Sky is a Great Space, 2018. Fotografia: Filipe Braga

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CONSTANÇA BABO

ARQUIVO:


MARISA MERZ

THE SKY IS A GREAT SPACE




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

19 JAN - 22 ABR 2018



O Museu de Arte Contemporânea de Serralves anunciou, para o ano de 2018, mais uma ambiciosa programação. Como ponto de partida, apresenta-se o magnífico espólio da protagonista feminina da arte povera, Marisa Merz (Turim, 1926), premiada pela sua trajetória artística, em 2013, com um Leão de Ouro da Bienal de Veneza.

Trata-se, não só, da primeira grande mostra de trabalho de Merz na Europa, como da sua estreia a solo, na medida em que, até à data, apenas tinha participado, pontualmente, em colectivas e sem particular destaque. Esta ocasião, patente desde 19 de janeiro, constitui o segundo momento, após a exposição inaugural no Hammer Museum (Los Angeles), ambas comissariadas pela curadora chefe da instituição americana, Connie Butler.

Suzanne Cotter teve, ainda, um papel determinante no planeamento e na concretização deste projeto em Serralves e destacou a obra da artista como "extremamente forte e relevante".

A 6 de fevereiro de 1999, quando o espaço do museu consistia apenas na Casa de Serralves, expôs-se o universo criativo e plástico de Mário Merz (Milão, 1925 - Turim, 2003). Este fora um dos artistas italianos mais reconhecidos do séc. XX e um dos pioneiros a desenvolver uma arte pobre, através de materiais e processos alternativos aos tradicionais, como resposta à imensa crise social e económica que Itália sofreu entre os anos 60 e 70. A exposição intitulada A Casa Fibonacci foi particularmente marcante para a instituição portuguesa e permanece, ainda, a nível nacional, como referência no contexto da respetiva corrente artística.

Hoje, é com a artista que foi mulher de Mario que se desenha um momento de igual importância, desta vez já no edifício de Álvaro Siza. Este é o momento de conhecer Marisa individualmente, como mulher e como mãe que cria a partir do seu diário doméstico e que imprime, mesmo nas obras mais abstratas, um certo caráter representativo e narrativo. Deixa-se, também, motivar pelo natural, pelo tempo e pelo que significa o percurso, tanto vivencial como artístico.

Marisa Merz traz a arte povera a Serralves, revelando um trabalho que parte de objetos pré-existentes, do quotidiano e da natureza e que, através de elaboradas experimentações materiais, resultam em formas tão invulgares quanto orgânicas. Vários elementos que utiliza na sua produção artística pertenciam a Mário e, inclusivamente, foi com ele que produziu uma extensa mesa em espiral, peça agora exposta em Serralves.

O Céu é um grande espaço apresenta três décadas de uma obra que não se encontra disposta por ordem cronológica, mas de acordo com as diferentes dinâmicas criativas que a curadora identificou. A exposição começa, precisamente, com uma maioria de peças recentes das quais se destaca visualmente a última instalação que a artista produziu, composta por redes e barras de ferro dispostas de modo amplo no chão. Tal escolha de superfície é particularmente recorrente na obra de Merz e de outros autores da mesma corrente artística pois, ao nível do solo, as obras tendem a permanecer num estado mais cru, mais real e mais próximo da matéria.

A arte povera é, justamente, um dos movimentos que mais beneficia de uma exposição informal, despojada e até primária para que o seu contacto com o espetador se concretize de um modo mais direto. Evita-se, assim, uma espécie de contemplação religiosa que, recorrentemente, é induzida a toda a obra quando colocada numa estrutura expositiva formal, tal como pelintos ou molduras. A colocação das peças no chão, a par da escolha de materiais e processos de produção pobres rebate e desafia a capitalização da arte, afastando o objeto artístico do seu entendimento como objeto de consumo. A fuga às lógicas do mercado da arte é, pois, um dos principais interesses dos artistas poveros que representam as fragilidades dos contextos sociais em que se encontram.

Também na pintura, Marisa apresenta uma invulgar escolha de materiais, por sinal tão curiosa quanto as próprias representações que nela se revelam. Entre figuras humanas e outras, mais recentes, quase angelicais, surgem inúmeros rostos que se multiplicam, ainda, em desenhos e esculturas. Estas últimas destacam-se particularmente, na medida em que, enigmáticas e aparentemente inacabadas, poderão compreender-se como representativas do processo de produção da artista. As pequenas peças escultóricas emergem de uma urgência de manipulação do material e de um simultâneo desinteresse em levar a representação até ao nível do realismo.

 

 

Paralelamente, observando como conjunto todo o corpo de trabalho de Marisa, identifica-se um progressivo abandono do abstrato e um proporcional crescimento do representativo, ambos materializados numa diluição da qualidade experimental nas peças mais recentes. Curiosamente, também Mario, a certa altura do seu percurso artístico, na década de 70, começou a desenvolver trabalhos mais figurativos. No caso de Marisa, a prática do desenho já ocorria, ainda que menos frequentemente, desde os anos 60 e apenas posteriormente começou a explorar a escultura. Como tal, a curadora considera a pintura o centro da prática de Merz e distribuiu-a igualmente por todas as galerias.

Esta exposição distinta e singular quebra barreiras tanto plásticas quanto conceptuais sendo, pois, absolutamente adequada para iniciar esta nova programação que, como a presidente da administração do Museu de Serralves, Ana Pinho, referiu tem o objetivo de transpor fronteiras.

Pode ainda destacar-se esta ocasião como mais um exemplo de sucesso das parcerias que a instituição desenvolve, neste caso com a Fondazione Merz (Itália), com o Metropolitan Museum of Art (Nova Iorque) e com o Hammer Museum (Los Angeles). A estes acrescenta-se o Museum der Moderne Salzburg (Áustria), para onde seguirá esta marcante obra, ainda a cargo de Connie Butler, prolongando e alargando, assim, a dimensão e a visibilidade da artista.

É, pois, tempo de conhecer, observar e experienciar internacionalmente o trabalho de Marisa Merz, elevando-a a uma escala tão ampla e plural quanto a sua própria expressão artística.



CONSTANÇA BABO