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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Contrato (A Tempo Indeterminado) - Ângela Ferreira. Fotografia: cortesia do Museu Internacional de Escultura da Santo Tirso.


Vista da exposição Contrato (A Tempo Indeterminado) - Ângela Ferreira. Fotografia: cortesia do Museu Internacional de Escultura da Santo Tirso.


Vista da exposição Contrato (A Tempo Indeterminado) - Ângela Ferreira. Fotografia: cortesia do Museu Internacional de Escultura da Santo Tirso.


Vista da exposição Contrato (A Tempo Indeterminado) - Fernando José Pereira. Fotografia: cortesia do Museu Internacional de Escultura da Santo Tirso.


Vista da exposição Contrato (A Tempo Indeterminado) - Fernando José Pereira. Fotografia: cortesia do Museu Internacional de Escultura da Santo Tirso.


Vista da exposição Contrato (A Tempo Indeterminado) - Fernando José Pereira. Fotografia: cortesia do Museu Internacional de Escultura da Santo Tirso.

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ARQUIVO:


ÂNGELA FERREIRA E FERNANDO JOSÉ PEREIRA

CONTRATO (A TEMPO INDETERMINADO)




MUSEU INTERNACIONAL DE ESCULTURA CONTEMPORÂNEA
Avenida Unisco Godiniz 100
4780-366 Santo Tirso

17 ABR - 22 JUN 2018

O ESPAÇO QUE VENCE O TEMPO

 

Diz-nos a folha de sala da exposição que o Tempo parece hoje querer fugir-nos das mãos. De facto, a aparente necessidade de tentarmos viver ao máximo aproveitando cada segundo, procurando registar todos os sítios e momentos onde estamos através da fotografia e do vídeo, é como uma espécie de batalha inglória a favor da memória, que parece impedir-nos de viver e de sentir verdadeiramente os diferentes acontecimentos que insistem em interromper o nosso quotidiano.

Ângela Ferreira nasceu em 1958 e viveu na Cidade do Cabo durante o apartheid, vivendo atualmente em Lisboa e considera-se como que uma estudiosa da arquitetura modernista, particularmente em África.

A peça que a artista apresenta no Museu Internacional de Escultura, em Santo Tirso, teve origem na participação na Bienal de Lubumbashi, província da República Democrática do Congo. A partir da peça realizada em 2013, foi criada uma instalação escultórica que contém em si duas projeções de vídeo. A escultura é uma espécie de reedição escultórica de um edifício em Lubumbashi, construído na época da independência do país. Se na Bienal, em 2013, usou o edifício como suporte à apresentação da escultura feita com madeira e luz - um género de torre de transmissão - onde o edifício funciona como uma espécie de plinto, na escultura apresentada em Santo Tirso, a artista deslocaliza a fachada deste edifício, construindo uma diagonal escultórica que corta a sala de exposições.

Um dos vídeos que a artista projeta na escultura foi filmado em frente deste edifício com traços da arquitetura modernista em África, uma performance organizada por Ângela Ferreira com dois membros de um dos coros de Lubumbashi à capela a retratar a história de um mineiro que sente que vai morrer sempre que vai descer à mina. A outra projeção apresenta uma performance sonora que retrata uma canção que se tornou o hino independentista deste país africano, uma canção escrita pela altura dos acordos entre os congoleses com a Bélgica para tratar da independência da República Democrática do Congo.

 

Fernando José Pereira (nasceu em 1961, vive e trabalha no Porto), apresenta trabalhos em duas zonas opostas do museu. Se no piso -1 encontramos um conjunto de desenhos a grafite sobre papel que refletem sobre o tempo e espaço, expostos na parede e no chão, numa instalação semelhante à apresentada no Centro Cultural Vila Flor em 2015 (com os candeeiros presos em cavaletes a iluminar os desenhos do chão), no piso 0 podemos ver o filme “O Laboratório”, a sua peça que exige mais do espetador nesta exposição.

Este filme de 38 minutos foi realizado em 2018 e filmado na fábrica Thirso, na cidade que recebe esta exposição. Esta fábrica, que entrou num estado de ruína em 1992, funcionou durante cerca de 100 anos. O seu estado estéril, de abandono e ruína (assunto recorrente no trabalho do artista), está carregado de contaminações naturais resultado do tempo que deixou as suas marcas. Fernando José Pereira trabalha sobre o tempo como uma característica fundamental para a reflexão sobre a obra de arte, considerando que sem reflexão a obra de arte não pode existir. Na era do tempo supersónico, em que somos bombardeados diariamente por fragmentos de imagens, fixas ou em movimento, projetadas pela televisão e cada vez mais pela internet e seus mecanismos de relacionamento social virtual, o artista pede ao espetador que abrande, que pare e sinta o seu filme de 38 minutos. “O Laboratório” apresenta múltiplas imagens onde a preocupação com o detalhe fotográfico é notória e a dicotomia interior-exterior está presente em muitas das imagens do filme. O dentro e o fora, usando a personagem feminina para percorrer os diferentes espaços da fábrica, conduzem o espetador a um sentimento de iminência de um possível desastre que está prestes a acontecer (sugerido também pelo som presente ao longo do percurso). As paredes manchadas pelo bolor, os vidros partidos, o chão sujo, o mobiliário abandonado e em ruína, demonstram um espaço (e um país?) refém do seu próprio destino incerto.

A personagem feminina que vai percorrendo a fábrica vai-nos alertando, com frases-pensamentos, para o estado das sociedades à deriva. Santo Tirso foi, a par da zona do Vale do Ave, uma das regiões mais industrializadas do Norte de Portugal, tendo entrado em falência (como centenas de outras fábricas na região) durante a década de 90 do século XX. As palavras (escritas por Eduardo Brito a partir da ideia original de Fernando José Pereira) conduzem-nos a uma reflexão sobre o estado em queda das nações capitalistas e da lógica marxista da constante queda dos impérios e da farsa das suas constantes reconstituições, numa incessante procura de um sistema mais humano e mais produtivo.

 



Luís Ribeiro
Doutorando em Arte Contemporânea no Colégio das Artes na Universidade de Coimbra. É membro fundador do Laboratório das Artes tendo organizado diversas exposições entre 2003 e 2015. Desenvolve a sua atividade profissional como artista, curador, produtor artístico e como professor de artes visuais.
www.luisribeiro.eu



LUÍS RIBEIRO