Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.


Fotografia ©Fundação de Serralves, Porto.

Outras exposições actuais:

CORPO, ABSTRACÇÃO E LINGUAGEM

OBRAS DA SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA EM DEPÓSITO NA COLEÇÃO DE SERRALVES


Museu Municipal de Espinho / FACE, Espinho
SORAIA FERNANDES

COLECTIVA

PAUSA | LIVROS - PARTE 2


PLATAFORMAS ONLINE,
SÉRGIO PARREIRA

ZHENG BO

THE SOFT AND WEAK ARE COMPANIONS OF LIFE


Kunsthalle Lissabon, Lisboa
DIOGO GRAÇA

PEDRO VALDEZ CARDOSO

O FILHO DO CAÇADOR


Appleton [Box], Lisboa
FRANCISCA CORREIA

CATARINA BRAGA

POST-WORLD


PLATAFORMAS ONLINE,
CATARINA REAL

COLECTIVA

PAUSA | LIVROS - PARTE 1


PLATAFORMAS ONLINE,
SÉRGIO PARREIRA

NATÁLIA AZEVEDO ANDRADE

THORNS AND FISHBONES


PLATAFORMAS ONLINE,
CATARINA REAL

LOURDES CASTRO

A VIDA COMO ELA É


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

TÂNIA CARVALHO

COMO SE UMA CAMADA DE ESCAMAS BEM FECHADA


PLATAFORMAS ONLINE,
CATARINA REAL

FRANCISCO VIDAL

OFICINA TROPICAL


Zet Gallery, Braga
FRANCISCA CORREIA

ARQUIVO:


OLAFUR ELIASSON

O VOSSO/NOSSO FUTURO É AGORA




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

31 JUL - 14 JUN 2020


 

 


Olafur Eliasson (n. 1967) chega, pela primeira vez, a Portugal, para a rentrée do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, neste mês de setembro de 2019. Fá-lo através de uma magnífica exposição que se manterá passível de ser visitada até 2020, encerrando a 8 de março, no interior do museu e a 14 de junho no parque.

Como Philippe Vergne explana no catálogo que acompanha a ocasião, "a natureza, os elementos, as ciências, a matemática e a fenomenologia da perceção" são o material deste artista que tem vindo a contribuir "para expandir o universo das artes e para ampliar os limites da nossa perceção destas disciplinas". O diretor do museu fala da figura do artista enquanto cientista ou engenheiro e, efetivamente, é com frequência que atribuem a Olafur Eliasson outros títulos, principalmente o de inventor, arquiteto e universalista.

Como o curador da Tate Modern, Mark Godfrey, identificou, trata-se de um novo modelo de artista. Eliasson trabalha com cientistas, antropólogos, historiadores de arte, filósofos, economistas, artesãos e até mesmo cozinheiros, conduzindo a sua criação numa direção multidisciplinar, heterogénea e plural, com uma lógica processual complexa à qual se acrescentam uma seriedade e um sentido de responsabilidade notáveis. É desta conduta que resultam diversos projetos integrantes de uma mesma linha de investigação, ainda que abordando variadas temáticas e problemáticas. Também se distingue, transversal a todo o trabalho do artista, uma ininterrupta intenção em incutir no público a preocupação com o planeta e com o lugar e o papel que cada um nele ocupa.

Olafur Eliasson questiona não só de onde viemos, mas também, com igual ou até maior importância, para onde vamos.

O artista dinamarquês-islandês também é conhecido pela escala dos seus trabalhos, algo que agora se pode observar e experienciar em Serralves, tanto dentro do museu como fora, no parque. Foi neste último espaço que Eliasson colocou obras representativas de elementos da natureza, do ar e da água, bem como do mar, de correntes e ondas. Para tal, recorreu tanto ao uso de matérias, caso dos troncos de madeira à deriva na série Artic tree horizon (img.1,2), ou construindo integralmente objetos com formas orgânicas. Como exemplo dos segundos, indica-se Human time is movement - winter, spring and summer (img.3,4), obra de beleza e harmonia evidentes, constituída por três peças cujas estruturas e modo de distribuição no jardim cativam visual e fisicamente o espectador que as observa. Relacionam-se com a sua envolvente, a natureza e a arquitetura, ao mesmo tempo dialogando entre si num jogo de forças, eixos, energias e sinergias. Cada elemento tem a sua própria trajetória que afecta e é afetada pelas outras peças, sugerindo movimento e circulação e apelando à economia e à ecologia do ambiente. Em todo o trabalho de Eliasson, as espirais, os círculos, os arcos e as curvas agem e interagem, cruzam-se e instalam-se nos espaços, habitando-os enquanto potências vivas, naturais e livres. Como o próprio refere "na superfície de um globo, o trajeto mais rápido de um ponto para o outro não é uma recta, mas uma curva - um arco geodésico".

Ainda no parque, é inevitável referir The curious vortex (img.5,6), peça que ostenta a dimensão, o porte e a autonomia de um pavilhão. A experiência estética que fornece é tão forte como o seu próprio centro, que, com a configuração semelhante à de um tornado, pretende mover perspectivas e conceções. O artista propõe que se repensem as regras normativas instituídas na sociedade, principalmente as comportamentais, as quais identifica enquanto parte das modificações necessárias para o progresso e a melhoria da qualidade de vida. Eliasson relembra que, tal como o fenómeno natural que esta sua última obra incorpora, as nossas ações são retroativas e têm repercussões e consequências no futuro, tempo com o qual nos devemos preocupar cada vez mais. Como o artista enaltece, começa hoje a difundir-se, principalmente nas gerações mais jovens, a ideia que "o futuro é o que utilizamos para dar passos no presente".

Ao entrar no museu, no hall central, Yellow Forest surpreende quem a vê e, mais ainda, quem a atravessa, transferindo o exterior para o interior, cruzando espaços, ambientes e realidades. A obra comunica com a galeria central, onde é refletida por três grandes espelhos que determinam uma instalação que lá se encontra. The listening dimension (img.7) apresenta-se, na ala expositiva, como uma magnífica peça que comporta grandes anéis, tão reais e tangíveis quanto ilusórios, produtos de simulacro óptico. Abre uma dimensão paralela, um sistema de órbitas e esferas cujas forças gravitacionais dominam o espaço e magnetizam o público, convidando-o a integrar este universo de Eliasson.

As duas obras desenvolvidas no interior do museu contrastam com a arquitetura de geometria reta, linear e exata de Siza Vieira e relacionam-se com os jardins que se revelam através da janela da galeria central. Num contínuo de flora que se desenha até ao exterior em reflexos, espelhos e vidros, a dinâmica entre os espaços Museu e Parque, que constituiu uma das preocupações do arquiteto, foi também um dos principais pontos de interesse do artista que agora expõe.

Olafur Eliasson : O Vosso/Nosso Futuro é Agora é organizada pelo Museu de Serralves em parceria com o estúdio de Eliasson e a Galeria Tanya Bonakdar, de Nova Iorque e Los Angeles. A curadoria é assinada por Philippe Vergne, Marta Moreira de Almeida e Filipa Loureiro. Ao mesmo tempo, encontra-se patente uma outra exposição do artista, a sua segunda na Tate Modern, intitulada In the real life, cujas críticas a têm descrito enquanto magnética, hipnótica e cativante.

Como Philippe Vergne reforçou no dia da inauguração, o que se apresenta na instituição portuense não se trata somente de uma mostra de trabalho artística mas também de um projeto, que se mostra tão complexo quanto fundamental. Simultaneamente, a Presidente da Administração de Serralves, Ana Pinho, relembrou que Eliasson relaciona a arte, a ciência e o ambiente, três elementos indispensáveis e estruturais que são, precisamente, os pilares da Fundação de Serralves.

Se o trabalho artístico com motivações políticas e sociais sempre foi considerado relevante, é recentemente que se vê ser-lhe reconhecida uma particular importância, principalmente no que diz respeito às questões ecológicas. A natureza é um dos objetos primários e basilares da criação artística, porém, como Olafur Eliasson e outros artistas demonstram reconhecer, já não é requerido somente representá-la, descrevê-la e exibi-la, mas sim, defendê-la.

Por certo, reconhece-se a esfera da arte como potencial ferramenta de divulgação e consciencialização, quer pelas suas plataformas de visibilidade, nomeadamente as instituições culturais, quer pela voz e força de ação da sua comunidade. Olafur contribui, precisamente, para a responsabilidade cívica dos museus e das galerias, divulgando e problematizando o que a cultura pode oferecer à sociedade.

Por conseguinte, a importância de visitar a presente exposição não reside somente nas indiscutíveis beleza e qualidade estética da obra de Olafur Eliasson, mas também na necessária contribuição para a projeção do que aqui se trata e que, como se anuncia pelo título da exposição, é o vosso/nosso Futuro.

 

 


:::


Referências bibliográficas

GODFREY, M. (Ed.), (2019). Olafur Eliasson in Reallife. London: Tate Publishing.

ELIASSON, O. (Ed.), (2019). O v/nosso futuro é agora. Porto: Serralves publicações.



CONSTANÇA BABO