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EXPOSIÇÕES ATUAIS


© Benedita Pestana


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ARQUIVO:


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BITRIBI




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Calçada da Estrela 128 A


05 OUT - 07 DEZ 2019

Sindicato dos Pintores

 

 

O Sindicato dos Pintores é um projecto nómada fundado por Mariana Gomes, pintora, e que, como é dito na sua página, não é nem um sindicato nem uma associação. Bate-se pela pintura de qualquer das formas: apenas a pintura se faz mostrar. Juntam-se pintores, redescobrem-se pinturas, chamam-se pintores à cena de Lisboa onde já não eram avistados faz uns anos, discutem-se pincéis, trocam-se pinceladas por dá cá aquela palha. Há lugar para tudo o que diga respeito à pintura, e numa época de meios expandidos, o que lhe diz respeito não é assim tão pouco. Por isso mesmo a lista de nomes que por este projecto passam, e que podem ser colecionados na forma de cromos e armazenados na Caderneta do Sindicato (tudo desenhado e pensado pela Mariana, na sua idiossincrática estética), vai aumentando e não tem fim à vista.


Desta vez o Sindicato dos Pintores expõe “Bitribi”, até 7 de Dezembro na Calçada da Estrela 128A (a portas meias com o Armário), de Gonçalo Pena e Leonardo Rito.


O espaço é difícil e é um difícil espaço para pintura poder ser vista, não há recuos ou espaços amplos. Mais um corredor do que uma sala, mais um espaço que pede uma passagem, do que uma paragem. Gonçalo e Leonardo habitam-no e fazem-nos habita-lo com uma pintura mural, um trabalho partilhado que foi realizado in loco, fruto da conversa, diálogo, discussão e intuição partilhada apenas através do espaço. Primeiro vai um e depois vai outro, pintam por cima, refazem e ressignificam, dignificando o gesto pictórico por excelência: a escolha. Escolher e dar a ver a escolha, e escolher ocultar e refazer e repintar.
O polvo agarra a sala toda e agarra-nos a nós também que estamos, de repente, dentro de um aquário dentro do qual um espectador atrasado nos pode também ver. Podemos ser vistos a ver, ou no caso, ser vistos a ser agarrados (a sala tem uma janela para o agradável pátio). Os tentáculos agarram-nos mas agarram todos os outros elementos, e não sabemos bem se as prateleiras que povoam o espaço-pintura são também suportadas por este polvo omnipresente.
O título dá-nos o mote para o jogo: BI, depois TRI, depois BI de novo. Uma articulação entre a representação de tridimensionalidade, a bidimensionalidade implícita à pintura, a tridimensionalidade do espaço, o descaramento com que enquanto gesto artístico quero apenas saber do BI, a bidimensionalidade da imagem enquanto metáfora. E para mim ao mesmo tempo uma indecisão de inclusão ou não da própria Mariana neste dueto BI, criar as condições não é parte da obra; TRI?
Parece que nos podem colocar todas as questões e fazer reflectir nas direcções mais estranhas, estranhas no sentido de não corresponderem a uma expectativa abstracta de reflexão de quem vai ver exposições. Aquelas prateleiras, seriam de mogno? Porquê a representação de madeiras importadas? A hiper e radical consciência de todos os simbolismos, o contínuo esforço por tornar tudo tangível à linguagem, por ser inteligível o propósito, os efeitos, a crítica implícita. Eu acho que esta exposição, com a sua reminiscente explosão surrealisticó-intuitiva , com a sua aparente luta contra o sentido e os sentidos categóricos do mundo, nos permite concluir absolutamente nada. E o nada, disseram-nos muito autores, é da ordem do inesgotável, do indescritível, inenarrável e muitas outras miragens. Mas divertirmo-nos entre o saltitar de prateleiras, entre os tentáculos do polvo (seria uma lula muito crescida?), as cebolas, os escritos, as figuras, os padrões, as cores e a falta de consequência. Arriscar deixar de produzir sentido parece-me o maior acto de resistência contra as categorias do mundo, pelo que não só recomendo a exposição Bitribi, como a recomendo para pura diversão, para brincadeira da séria, para que se possa inventar mesmo todas as leituras. Conduzidos pela dupla humorística Pena-Rito.



Catarina Real