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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Helena Almeida. Fotografia António Jorge


Joana Escoval. Fotografia António Jorge


Lourdes Castro. Fotografia António Jorge


Kazuko Miyamato. Fotografia António Jorge


Kazuko Miyamato. Fotografia António Jorge


Vista da exposição. Fotografia António Jorge


Mira Schendel. Fotografia António Jorge

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COLECTIVA

A LINHA EM CHAMAS




CASA DA CERCA - CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua da Cerca
2800-050 Almada

16 NOV - 16 FEV 2020


 

"Filipa Oliveira reúne, na exposição “A Linha em Chamas”, patente na galeria principal da Casa da Cerca, um grupo de peças de artistas que trabalham, de modo semelhante, o desenho.

A curadora, com base num critério de escolhas deveras inteligente e sensível, ocupou os espaços com diversas obras, desde o desenho, à instalação, até à fotografia. Tendo tido o cuidado de lhes conferir um perímetro generoso de espaço, de modo a que cada obra se possa expandir e alargar naturalmente.

É por esse motivo que as obras respiram, e se interligam, facilitando um distanciamento necessário para que seja possível fazer as devidas correspondências e conexões. Assim como encetar as prováveis ligações projectuais entre elas.

Este espaço, entre obras, permite ao visitante deambular pela galeria, voltar atrás, avançar, hesitar, recuar, fazer as devidas comparações, possibilitando, não só descrever um percurso possível, unidirecional, como também vários percursos possíveis.

Esther Ferrer, Gego, Helena Almeida, Kazuko Miyamoto, Lourdes Castro, Mira Schendel e Joana Escoval são os nomes que compõem a seleção de Filipa Oliveira, com um único propósito: reunir artistas que de um modo ou de outro tenham desenvolvido, ou se encontrem a desenvolver, projectos onde o desenho no espaço, é primordial na sua obra, assim como a transmutação de fronteiras. Segundo Filipa Oliveira, “a exposição nasce da vontade de perceber se o trabalho de artistas como a Helena Almeida ou a Lourdes Castro tinha paralelo no trabalho de outras mulheres que estariam a trabalhar noutros lugares do mundo ao mesmo tempo. Interessava-me também este momento das vanguardas quando os limites das disciplinas são questionados e trespassados. Gosto muito da ideia desta linha que quer libertar-se da folha e tornar-se real, com um corpo que invade o nosso espaço físico. O que é incrível é que de facto havia muitas outras mulheres a trabalharem a linha da mesma forma, ou com intenções semelhantes. Por isso, para mim, a exposição é também uma forma de rescrita da história, de dar relevo e lugar de destaque a estas artistas extraordinárias."

Como se pode observar o recurso à linha como meio expressivo é a principal ferramenta artística e o mote desta exposição, constituindo o verdadeiro elo entre as várias artistas escolhidas.

Em alguns casos a linha condensa-se na imagem fotográfica, ou na superfície do papel, outras vezes impõe-se no espaço, por meio de trajectos, que a faz evadir-se da representação bidimensional, e deambular pela galeria, em formas serpenteantes, outras vezes completamente controladas, outras, ainda, geometrizantes.

A linha, com propriedade narrativa, alerta-nos para a ideia da não existência de um início e de um fim na exposição. Por vezes a obra estende-se, e o visitante reconhece o espaço que se encontra “para lá” da obra. Na verdadeira acepção de Kandinsky, o “para lá de” compreende o que se encontra perante o observador. Mas, nesta exposição, o observador pode, também, passar a fazer parte desse “para lá de”, participando nele. Os “desenhos habitados” de Helena Almeida, ou “Main traverse par les mots d’un livre”, de 1980, transmitem esta ideia de interioridade e exterioridade que se desvanesce. O percurso da linha negra que perpassa o livro de Almeida, ostenta um movimento ilimitado de trajectórias, ora frias, ora quentes, ora livres em “múltiplos ângulos”, ora em curvas e contracurvas, determinadas pela irregularidade realizada de modo propositado, como o verificado em Gertrud Goldschmidt, ou em Kazuko Miyamoto.

Os trajectos feitos de recuos e avanços tornam o fruidor, ele próprio, um agente do desenho, definindo múltiplos caminhos, ao procurar apreender a linha no espaço. Segundo Nicolaides, o desenho é gesto, movimento. Mas também é o entendimento da prática do desenho como ferramenta que envolve o uso pleno dos sentidos. Vemos através dos olhos, não somente com os olhos.

Como diria Kandinsky, “ainda aí temos a possibilidade de penetrar na obra, de nos tornarmos activos e de viver a sua pulsação, através de todos os nossos sentidos”.

Quanto à instalação de Esther Ferrer, patente também na Casa da Cerca, pressupõe uma edição das “Variações da série Proyectos espaciales piramidales”. Foi feita a partir de um projecto de uma maqueta que a artista realizou, em 1970, e é a primeira vez que é produzida em grande escala e apresentada publicamente. Ferrer pertenceu ao grupo Zaj, em 1967, e é uma figura importante da performance espanhola. A artista assenta o seu trabalho em referências como as de Mallarmé, Cage, Fluxus, o minimalismo e o conceptualismo. A problemática do feminino, o corpo, a vida ganham também preponderância, a uma dada altura, na obra da artista. Na sua acepção, não se exclui nada, tudo é importante em arte. Não existe um meio que se sobreponha a outro. Todos os acontecimentos são artísticos. Depois, as suas várias dimensões não se sobrepõem umas às outras, não há um pensamento hierarquizante. “Antes de ser uma artista sou uma mulher, antes de ser uma mulher, sou uma pessoa”.

 

As linhas trazidas para a galeria, emanam o gesto da artista, e evidenciam o esforço despendido pelo seu corpo na composição feita de traços que interceptam o espaço que realizou, e que nos deixa sem fôlego. Também se releva para um corpo que se desloca, que faz trajectória. E é esse acto que nos deixa perplexos.

 

O marido de Ferrer, Tom Johnson, foi compositor minimalista e discípulo de Morton Feldman. Talvez por isso a artista traduza as suas formas lineares em potenciais partituras e se justifique, também, a sua estreita relação com a música."

 

 

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A LINHA EM CHAMAS
Esther Ferrer, Gego, Helena Almeida, Kazuko Miyamato, Lourdes Castro, Mira Schendel e Joana Escoval

16 Novembro'19 > 16 Fevereiro'20
Casa da Cerca, Galeria Principal

 



CARLA CARBONE