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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição com Drawing Life (2020 - em curso). Lapis sobre papel. Foto: Bruno Lopes.


Vista da exposição com Drawing Life (2020 - em curso). Lapis sobre papel. Foto: Bruno Lopes.


Vista da exposição com Drawing Life (2020 - em curso). Lapis sobre papel. Foto: Bruno Lopes.


Zheng Bo. Drawing Life (2020 - em curso). Lápis sobre papel, cada página 21 cm x 29,7 cm.


Zheng Bo. Drawing Life (2020 - em curso). Lápis sobre papel, cada página 21 cm x 29,7 cm.


Zheng Bo. Drawing Life (2020 - em curso). Lápis sobre papel, cada página 21 cm x 29,7 cm.


Zheng Bo. Pteridophilia 1 (2016). Vídeo (4K, cor som), 17 min.


Vista da exposição com Pteridophilia 1 (2016). Vídeo (4K, cor, som). Foto: Bruno Lopes.


Vista da exposição com Pteridophilia 4 (2019). Vídeo (4K, cor, som). Foto: Bruno Lopes.


Vista da exposição com Pteridophilia 4 (2019). Vídeo (4K, cor, som). Foto: Bruno Lopes

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ARQUIVO:


ZHENG BO

THE SOFT AND WEAK ARE COMPANIONS OF LIFE




KUNSTHALLE LISSABON
Rua José Sobral Cid 9E
1900-289 Lisboa

18 JUN - 29 AGO 2020


 

Do artista Zheng Bo, a exposição The Soft and the Weak Are Companions of Life foi inaugurada no dia 18 de junho e estará até 29 de agosto na Kunsthalle Lissabon, em Lisboa. Trata-se de uma série de desenhos e de vídeos que propõem uma reflexão sobre a relação entre o ser humano e plantas locais da ilha de Lantau, Hong Kong, onde reside.

Partindo de uma recusa da visão antropocêntrica sobre a natureza, Zheng Bo explora o binónimo Natureza-Humanidade em dois espaços distintos da galeria. Um primeiro, onde se encontra a série de desenhos Drawing Life. E um segundo, que consiste num dispositivo de black box, em que são projetados os vídeos Pteridophilia 1-4.

Sob superfícies de papel claro, o artista chinês desenhou a lápis algumas espécies raras de plantas que pululam na ilha de Lantau. Utilizando uma técnica que converge num efeito de esboço quase displicente, os desenhos servem como prólogo para a visualização dos vídeos filmados entre 2016 e 2019. Entrando-se na black box, as projeções da série Pteridophilia (que derivada do grego pterid- "feto" e -philia "amor") emanam cores vibrantes, estendendo-se o universo de flora, agora mais colorido e invadido por momentos e movimentos sexuais entre vários jovens.

Neste segundo espaço, os quatro vídeos projetados planteiam uma aura de intimidade entre a Natureza e o corpo nu, uma aura natural e naturalista que contrasta com a visão do artista sobre o mundo contemporâneo. Um mundo em que muitos cidadãos desconhecem o tipo de plantas que circundam as próprias casas e as suas cidades, um mundo em as questões de género ainda são consideradas questões marginais.

 

Pteridophilia 2 (2018). Vídeo (4K, cor som), 20 min.

Pteridophilia 4 (2019). Vídeo (4K, cor som), 16 min.

 

 

As filmagens de jovens rapazes em contacto íntimo com plantas e árvores da floresta de Taiwan mostram corpos humanos a lamberem, beijarem, morderem e a terem relações sexuais com as folhas e os ramos das plantas. Apresentando uma simbiose entre o ser humano e o meio vegetal, estes vídeos também apresentam as duas dimensões do audiovisual – o áudio e o visual - a comunicarem entre si de forma igualmente simbiótica e orgânica. As cores, a predomínio do verde, o iluminado e o nu conjugam-se com os sons orgásmicos, os barulhos das plantas a serem mastigada ou beijadas, o som da água a nascer e o ruído do vento a penetrar as folhagens. Assim, nestes vídeos que têm tanto de provocador, sexual e arrojado como de sensível, natural e singelo, ambas as dimensões do audiovisual pintam um cenário florestal de Liberdade.

Os corpos nus, tal como as plantas despidas, sem referências à cidade, à urbe ou a um Tempo, evocam uma experiência sensorial. Ora através de planos gerais - enquadramentos que se assemelham a quadros animados - ora através de planos de pormenor de mãos e bocas, Zheng Bo alerta para a empatia, a sensibilidade e a liberdade sexual. O predomínio da pele, dos olhos e dos restantes órgãos sensitivos em Pteridophilia espelham, deste modo, a filosofia do artista em relação ao Humano, à Natureza, à Sexualidade e a uma aspiracional interação idílica entre estas três esferas.

Inaugurada no mês do orgulho LGBTQIA+, e num contexto em que a as preocupações com a sustentabilidade e a proteção do planeta Terra são cada vez mais frequentes e urgentes, a existência desta exposição, bem como a prática e a investigação artísticas que este artista chinês tem desenvolvido ao longo da última década, constitui-se como um uma práxis (socio)cultural particularmente relevante, pertinente, importante e necessária.

Em suma, Zheng Bo, que já teve o seu trabalho incluído nas Bienais de Liverpool, de Xangai e de Veneza, entre outros eventos e instituições orientais e ocidentais, propõe através desta exposição uma reflexão sobre comunidades marginalizadas a partir de plantas marginalizadas. Apresentando ambientes quase oníricos onde o verde, o natural, o livre e o queer são celebrados, ambientes em que a Natureza e o Humano se fundem em relações sem hierarquias latentes, a The Soft and the Weak Are Companions of Life funciona como um profícuo cartão de visita para o universo criativo de Zheng Bo.
 

 



DIOGO GRAÇA