Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes


Vista da exposição Hello! Are You There?, de LuĂ­sa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes

Outras exposiçÔes actuais:

PILAR MACKENNA

CONSTELAÇÕES E DERIVAS


Galeria Pedro Oliveira, Porto
CLÁUDIA HANDEM

PEDRO CABRITA REIS

ATELIER


Mitra – Polo de Inovação Social, Lisboa
MARC LENOT

PEDRO TUDELA

U MADE U


Kubikgallery, Porto
CONSTANÇA BABO

COLECTIVA

PRÉ/PÓS - DECLINAÇÕES VISUAIS DO 25 DE ABRIL


Museu de Serralves - Museu de Arte ContemporĂąnea, Porto
CONSTANÇA BABO

YAYOI KUSAMA

YAYOI KUSAMA: 1945-HOJE


Museu de Serralves - Museu de Arte ContemporĂąnea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ANTÓNIO FARIA

AS VIZINHAS


Centro Cultural Bom Sucesso, Alverca do Ribatejo
FÁTIMA LOPES CARDOSO

MARIA DURÃO

EVAS


Kubikgallery, Porto
SANDRA SILVA

COLECTIVA

ENSAIOS DE UMA COLEÇÃO – NOVAS AQUISIÇÕES DA COLEÇÃO DE ARTE MUNICIPAL


Galeria Municipal do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

TINA MODOTTI

L'ƒIL DE LA RÉVOLUTION


Jeu de Paume (Concorde), Paris
MARC LENOT

COLECTIVA

ANAGRAMAS IMPROVÁVEIS. OBRAS DA COLEÇÃO DE SERRALVES


Museu de Serralves - Museu de Arte ContemporĂąnea, Porto
CONSTANÇA BABO

ARQUIVO:


LUISA CUNHA

HELLO! ARE YOU THERE?




MAAT
Av. de BrasĂ­lia, Central Tejo
1300-598 Lisboa

19 MAI - 28 AGO 2023


 

Num corpo que se manifesta escuso, ausente, é justamente por meio da voz que, de modo repetitivo, ou disruptivo, Luísa Cunha o vai parafraseando, e decompondo, das mais diversas maneiras e formas. Na exposição retrospectiva Hello! Are You There?, patente no MAAT, a artista põe esse corpo a descoberto, por via da aplicação de textos sonoros, que se vão estendendo ao longo do espaço, e conduzindo o visitante a uma reflexão em torno das grandes questões e dimensões da sociedade. Mesmo que, em muitos momentos, se recorra à utilização da ironia e do humor.

A exposição Hello! Are You There? dispõe-nos a uma escuta, não somente por via de postulados estéticos, mas também no sentido das grandes discussões que continuam assaz actuais em torno da cultura (Pop), consumismo, sociedade, psiquismo, globalização e política. Esta última, bem ilustrada, na instalação “Drop the Bomb”, de 1994.

O corpo, marcado pela transitoriedade, na exposição revela-se também um receptáculo do tempo. Como podemos ver na obra: “Mulher de 58 anos aos 2 anos”, de 2008.

Descobrimos telas vazias, onde supostamente poderiam estar imagens, ou fotografias, (provavelmente da artista), quando tinha apenas 2 anos de idade. Ao invés, observamos antes, no interior das suas molduras, pequenas frases de cariz autobiográfico, escritas com a caligrafia da artista, e descrevendo os movimentos de uma criança de tenra idade. Nas pequenas frases, sem pontuação, podemos ler: “fotografia de mulher de 58 anos aos 2 anos a andar nua no quarto com mão apoiada no parque de grades”, ou “fotografia de mulher de 58 anos aos 2 anos no quarto de pé dentro de parque de grades de olhar cerrado e esticado para cima”, ainda “fotografia de mulher de 58 anos aos 2 anos sentada num banco de jardim de jornal aberto na mão e apontando para a letra O”.

 

Vista da exposição Hello! Are You There?, de Luísa Cunha. MAAT, 2023. © Bruno Lopes

 

 

De uma forma multidisciplinar, através de textos sonoros, ou por via de formas geométricas elementares, pintadas sobre a parede de modo minimalista, o corpo é descoberto enquanto medida. Podemos verificar essa avaliação da grandeza do corpo na obra “Altura e Largura da artista”, de 2022.

A sugestão de movimento do corpo surge também subentendida nestas obras sonoras, quer por meio de descrições literais, que a artista revela em “1680 metros, 2020 – 2021”, quer por via de instigações junto dos visitantes, de modo imersivo e intimista, convocando-os previamente a um exercício cinestésico do corpo; havendo lugar para avanços e recuos, e proximidade/envolvimento com as obras, como em “Field of View”, de 2010, ou “Dirty Mind”, 1995. Neste último, compreendido por um estore vermelho, fixado na parede, semiaberto, ouve-se a voz da artista que, pelo teor das frases, provoca incómodo nos visitantes. “Dirty Mind” obriga o observador a aproximar-se da obra, dado que o texto sonoro se apresenta em baixa frequência. Os visitantes são surpreendidos com as frases: ”I saw you, going in, going down, desapear”. Sentem-se eles próprios, observados, e dilacerados por elocuções que, por se encontrarem próximos da obra, instigam à ideia de estarem a fazer algo impróprio, ou desajustado. Remetendo-os a uma condição desconfortável de voyer. A narrativa sonora da artista é dirigida ao observador, amiudadas vezes, em discurso directo. Tornando-o íntimo, e cúmplice, ao mesmo tempo, da ocorrência (d)escrita, e conduzindo-o, de modo intrusivo, a uma entrada na esfera do privado. O espectador, simultaneamente invadido, é também ele, um invasor. E isto em estados ininterruptos de loop, em que as palavras e frases vão descrevendo movimentos centrípetos, sugerindo-nos excrescências de outros tempos, como quando André Breton, enquanto estudante de medicina [1], rodeado de testes de associações livres e de interpretações dos sonhos [2], desenvolvia um trabalho, inspirando-se no automatismo do surrealismo inicial [3], na observação de neuroses traumáticas [4] e na noção de repetição compulsiva de Freud [5].

A exposição Hello! Are You There?, com curadoria de Isabel Carlos, é uma larga retrospectiva da obra de Luísa Cunha, que se estende por trabalhos realizados de 1992 a 2022, reveladora da dimensão multidisciplinar da artista, e onde se pode observar desde a manipulação do vídeo, ao desenho, com “Relva, #1 – 18”, 2005, e “Words for Gardens”, 2004, ao desenvolvimento de obras recorrendo à escultura, pintura, fotografia e instalação.

 

 

 

Carla Carbone
Estudou Desenho no Ar.co e Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Completou o Mestrado em Ensino das Artes Visuais. Escreve sobre Design desde 1999, primeiro no Semanário O Independente, depois em edições como o Anuário de Design, revista arq.a, DIF, Parq. Algumas participações em edições como a FRAME, Diário Digital, Wrongwrong, e na coleção de designers portugueses, editada pelo jornal Público. Colaborou com ilustrações para o Fanzine Flanzine e revista Gerador.

 


:::

 


Notas

[1] FOSTER, H (2000). Compulsive Beauty. The MIT Press. Pág. 1.
[2] Ibidem
[3] Ibidem
[4] Ibidem
[5] Ibidem

 



CARLA CARBONE