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:: WHITNEY BIENNIAL 2017

SÉRGIO PARREIRA

2017-03-15



1. Rafa Esparza | 2. John Riepenhoff. Fotografias: Sérgio Parreira 

 


A Whitney Biennial 2017 abre esta semana em Nova Iorque pela primeira vez na nova localização do Museu no Meatpacking district. Na última edição o Whitney Museum ainda se encontrava na Madison Avenue que hoje alberga o Met Breuer.

A Whitney Biennial foi criada em 1932 por Gertrude Vanderbilt Whitney, comemorava o Museu apenas um ano de vida. Num período em que a maioria das exposições na América eram extremamente conservadoras e reportavam principalmente artistas clássicos e internacionais, o Whitney e a Biennial introduziram um novo discurso no panorama artístico dos Estados Unidos: Arte contemporânea Made In USA, de artistas maioritariamente desconhecidos aquando da mostra, e alguns emergentes.

 

Lyle Ashton Harris. Fotografia: Sérgio Parreira

 

A Whitney Biennial revelou ao longo das suas setenta e oito edições artistas de nacionalidade americana que marcaram a nossa história global da arte e que são hoje referências indiscutíveis para o entendimento de inúmeras tendências e períodos artísticos, não unicamente locais, mas mundiais. Artistas como Georgia O’Keeffe, Jackson Pollock, Jasper Johns, Robert Rauschenberg, Barbara Kruger, Agnes Martin, Richard Serra, Ellsworth Kelly, Roy Lichtenstein, Robert Mapplethorpe, Robert Wilson, ou Julian Schnabel, de uma lista interminável.

 

1. Raúl de Nieves | 2. Kaya. Fotografias: Sérgio Parreira

 

A bienal marcou também momentos na história em que a sociedade Americana atravessava períodos particularmente sensíveis, de conquista de direitos fundamentais fossem eles de género, sexualidade, raça, ou durante a crise mundial do vírus da SIDA. Desde os meados dos anos 80 e até hoje divulgou a genialidade de artistas ou grupos, como as Guerrilla Girls, Matthew Barney, Sadie Benning, Jeff Wall, Stan Douglas, David Hockney, Elizabeth Peyton, Cecily Brown ou James Siena.

A edição de 2017 tem a co-curadoria de Christopher Y. Lew e Mia Locks que iniciaram um trabalho de pesquisa em 2015 e que culmina nesta mostra de 63 artistas que ocupa o quinto e sexto andares do museu, com instalações também nos terraços e outros espaços, como as salas de conferências, o lobby e escadarias, e ainda off-site na Lower Manhattan Arts Academy. É de destacar também o programa de filmes que será apresentado todos os fins-de-semana no teatro do Museu, com projetos dos artistas que os curadores consideram ser os mais interventivos no momento na moving image Norte Americana.

 

John Divola. Fotografia: Sérgio Parreira

 

A instalação da exposição é extremamente arejada, há espaço para as obras respirarem e comunicarem com o público, o que segundo alguns críticos não aconteceu nas últimas edições em que se chegou a apresentar mais de 200 artistas numa única exposição. As temáticas abordadas e o carácter formal e estético dos objetos, está eventualmente um pouco saturado, o que em termos de concretização artística pode não querer dizer mais nada, para além disso mesmo. A pintura está particularmente representada na exposição, dos quais são exemplo os trabalhos de Carrie Moyer ou Aliza Nisenbaum; temos objetos que exploram a temática da crítica institucional ou da justiça, como os de Cameron Rowland e do coletivo Occupy Museums; no vídeo temos Anicka Yi e os Postcommodity collective, entre outros; e instalações com materiais extremamente diversos, desde os tecnológicos aos mais tradicionais como são as de Samara Golden, Raúl de Nieves, e Ajay Kuria; ainda e previsivelmente, trabalhos com foco no clima sociopolítico assim como a tradução sentimental e de frustração dos agentes, como são destes exemplos as obras de Henry Taylor, Celeste Dupuy-Spencer e An-My Lê. A realidade virtual (VR) também está representada com uma obra extremamente violenta do artista Jordan Wolfson, em que nós basicamente assistimos ao artista a espezinhar e agredir gratuitamente até à morte uma pessoa contra o cimento (desfigurando e destruindo a cabeça do indivíduo) numa rua da América. Em realidade virtual esta experiência é extremamente desagradável para não dizer insuportável, mas o trabalho faz-nos questionar as potencialidades desta técnica enquanto “vivência” artística, ou simplesmente experiência, e interrogar o carácter artístico do objeto. Seguramente pertinente, inteligente, embora muito próximo do intolerável, sendo quase impossível compactuar com o artista, que nos declara cúmplices no crime que tem a duração de dois minutos e vinte e cinco segundos.

 

Asad Raza. Fotografia: Sérgio Parreira

 

Segundo a co-curadora Mia Locks: “Quando os artistas são apanhados numa trama coletiva de autorreflexão, introspeção, descoberta e análise pessoal, de certa maneira, essas temáticas e sentimentos fazem invariavelmente parte do seu trabalho, e consequentemente desta exposição”. Esta afirmação comprova-se, a apresentação transparece estes fatos, que se vertem na nossa experiência ao percorrer esta Whitney Biennial 2017.

 


Sérgio Parreira
IG: aloversdiscourse

 

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WHITNEY BIENNIAL 2017
17 de Marco - 11 de Junho, 2017
Whitney Museum of American Art, 99 Gansevoort Street, Manhattan
www.whitney.org

 




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