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JOÃO LOURO VAI REPRESENTAR PORTUGAL NA BIENAL DE VENEZA

2014-11-03




Portugal vai ser representado na próxima Bienal de Veneza – a 56.ª edição, que se inaugura a 9 de Maio de 2015 – pelo artista plástico João Louro, uma escolha da curadora e crítica espanhola María Corral, ex-directora do Museu Rainha Sofia, em Madrid.
O facto de se ignorar, por enquanto, o espaço que acolherá a exposição de João Louro é um dos motivos que leva o artista a não poder adiantar muito sobre o trabalho que poderá desenvolver para a Bienal de Veneza. “Vão alugar um espaço, mas ainda não se sabe em que sítio será, o que é uma contrariedade para decidir que tipo de trabalho produzir”. A outra razão para João Louro não se “precipitar já com muitas ideias” decorre do próprio processo de escolha dos artistas que representam o país na Bienal de Veneza. “Nestas circunstâncias, quando é a comissária que escolhe o artista, o trabalho tem de ser de equipa, tem de haver cumplicidade e colaboração, temos de procurar ambos a melhor solução para o espaço que nos vier a ser destinado”, disse João Louro ao PÚBLICO.
Afirmando-se “muito honrado” por ir trabalhar com María de Corral, Louro diz que foi a então responsável do Reina Sofia que o “ensinou a ver arte” na primeira metade dos anos 90, através das “exposições importantíssimas” que organizou no museu de arte moderna de Madrid, num período em que havia “muito pouco que ver em Portugal”. Mas só veio a conhecê-la melhor em 2005, quando foi um dos artistas convidados para a colectiva A Experiência da Arte, que Corral comissariou para o pavilhão de Itália na Bienal de Veneza desse ano.
Logo que conheça o espaço com o qual terá de trabalhar, o artista e a comissária disporão de meio ano até à inauguração da bienal. Começarão “por uma parte mais conceptual, de discussão de ideias”, à qual se seguirá a produção física da obra, e depois a sua montagem no local onde irá ser vista. Um processo que incluirá ainda a publicação de um livro, centrado neste trabalho para a Bienal de Veneza, mas que lançará também um olhar global sobre a carreira do artista, “com textos importantes de alguns autores”, entre os quais se contará, para satisfação de João Louro, um curador e crítico de arte com quem já trabalhou e que particularmente admira, o brasileiro Paulo Herkenhoff, actual director do Museu de Arte do Rio de Janeiro.
Nascido em 1963, João Louro estudou Arquitectura na Universidade de Lisboa e Pintura na Escola de Artes Visuais Arco e, como artista plástico, está representado em diversos museus e colecções internacionais. A sua obra é geralmente situada na descendência da arte conceptual e do minimalismo, e o modo como o seu trabalho aborda criticamente diversos aspectos da sociedade contemporânea fá-lo ainda correr o risco de ser rotulado como artista político, designação que rejeita, por considerar que a obra de arte propriamente politizada “fica aquém” do “desígnio mais geral” da criação artística. O que lhe interessa, precisa, são “os sinais do tempo”, e é ao olhar para a realidade presente que a política “pode atravessar” o que faz. É justamente este imperativo de testemunhar o tempo em que vive que abre espaço para a criação. “Apesar de estar a anos-luz dele, e de saber que isto pode parecer pretensioso, a grande vantagem que tenho sobre Andy Warhol é poder falar de temas de que ele já não pode falar”, diz.
Usando a pintura, a escultura, a instalação, o vídeo ou a fotografia, a sua obra interessa-se simultaneamente pela linguagem – um conceito que aqui abarca a criação literária ou a indagação filosófica, mas também, por exemplo, o cinema – e a imagem e a visualidade. Ele próprio assume como seu desígnio a “reorganização visual do mundo”.


Fonte: Publico