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APRESENTAÇÃO DOS CATÁLOGOS DO CIAJG PUBLICADOS EM 2014

2014-11-06




A livraria Assírio & Alvim, no Chiado, recebeu ontem a apresentação dos 7 catálogos do CIAJG – Centro Internacional das Artes José de Guimarães publicados em 2014. O evento contou com a participação do curador Nuno Faria, director artístico do CIAJG, o designer Pedro Falcão, responsável pela concepção gráfica dos catálogos, e alguns dos artistas e intervenientes dos ciclos expositivos deste ano, nomeadamente Jaroslaw Flicinski, Luís Pavão, João Botelho, Ilda David, Duarte Belo e Pedro Bandeira.

Pedro Falcão foi o primeiro a intervir, falando da linha de catálogos como um projecto editorial coerente e continuado em termos estéticos e conceptuais, onde a economia de meios não compromete o conteúdo.

Seguiu-se Nuno Faria, que através de um slide-show, nos foi mostrando imagens do edifício do CIAJG e a forma como este se localiza no centro histórico de Guimarães, passando por fotografias do primeiro ciclo expositivo e algumas dos ciclos seguintes. Aproveitando o slide-show, Jaroslaw Flicinski apresentou o trabalho que desenvolveu para este primeiro ciclo, intitulado “Estrela Negra”, cujo catálogo faz parte deste conjunto.

O segundo ciclo expositivo reuniu duas mostras - Carlos Relvas e Ernesto de Sousa e a arte popular - unidas pela fotografia e enformadas pela questão do enquadramento, tema que está também na base do programa do CIAGJ: um interesse pelo que ficou para além da história, o que ficou de fora da narrativa. Luís Pavão, que trabalhou sobre o espólio de Carlos Relvas, falou da sua experiência de selecção e concepção de uma exposição sobre um fotógrafo de província do século XIX num centro de arte contemporânea. A selecção das fotografias levou a exposição para âmbitos diferentes daqueles associados a Carlos Relvas. As imagens foram apresentadas sem qualquer corte, o que provoca uma leitura distinta da tradicional. Nuno Faria reforçou que esta exposição trazia ao de cima os traços de contemporaneidade de um autor do século XIX.

A remontagem da exposição de Ernesto de Sousa e a arte popular retomou alguns dos dispositivos da exposição original, como a sarapilheira e os retro-projectores, mas sobretudo mostrou a fotografia como um método de investigação, usando as imagens da mesma forma que Ernesto de Sousa as utilizava.

João Botelho iniciou os comentários sobre o terceiro ciclo expositivo, do qual fazem parte as mostras João Botelho / “Só acredito num deus que saiba dançar” e “Maria Gabriela Llansol: O encontro inesperado do diverso”, falando sobre o convite-provocação lançado por Nuno Faria ao qual o realizador respondeu com uma exposição onde tentava mostrar que a arte não se produz, vampiriza-se, por isso a proposta de dar a conhecer ao público as suas influências artísticas.
Sobre a exposição à volta do imaginário de Maria Gabriela Llansol, Duarte Belo falou da sua experiência de ter fotografado um livro para Llansol em 2006 e depois sobre o fotografar da casa da autora e do processo de trabalho de Ilda David. Esta artista, que já tinha trabalho sobre o universo da autora e que desenvolveu uma série de bordados e gravuras para a mostra, acrescentou apenas que esta exposição surgiu de encontros e de como a Llansol os encontrou a eles primeiro.

As arquitecturas e as formas utópicas de habitar o espaço são o mote para o quarto ciclo expositivo no CIAJG. Juntamente com a mostra de Ricardo Jacinto está a exposição "Escola do Porto: Lado B | Uma história oral (1968-1978)", cujo organizador Pedro Bandeira apresentou mostrando algumas imagens surpreendentes. Pedro Bandeira informou que a investigação teve início há 3 anos, quando teve contacto com esse lado desconhecido da escola do Porto, associada agora a grandes nomes da arquitectura (Siza, Souto Moura, por exemplo), mas que teve um período, entre 1968-78, em que o conflito, as manifestações, a radicalidade política, formal e social, marcaram a vivência da instituição. Pedro Bandeira terminou justificando o título irónico “Lado B”, por esta exposição ser de certa forma a memória daquilo que ficou esquecido.

Este último ciclo expositivo pode ser visitado até ao dia 11 de Janeiro de 2015.

Os catálogos aqui apresentados estarão à venda nas livrarias Assírio & Alvim.


Liz Vahia

[a autora escreve segundo a antiga ortografia]