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INVENTÁRIO DE COMPRAS EM PARIS DA RAINHA CARLOTA JOAQUINA ADQUIRIDO PARA O PALÁCIO NACIONAL DE QUELUZ

2018-01-11




Integrado na política de aquisições da Parques de Sintra para os monumentos sob a sua gestão, foi adquirido, para o Palácio Nacional de Queluz, um inventário do início do século XIX, com uma lista de aquisições de roupa, calçado, joias e acessórios de moda para a Família Real portuguesa.

Este manuscrito encadernado foi adquirido pela Parques de Sintra através da leiloeira Sotheby’s e do antiquário S.J. Phillips, revelando os gostos e estilo requintado da Rainha Carlota Joaquina de Portugal, consorte do Rei D. João VI.

O manuscrito de 71 páginas, que vem agora enriquecer o acervo do Palácio, está datado de “Paris, 20 de maio de 1816”, tem encadernação em couro marroquino vermelho com gravação a ouro e está marcado com as armas Reais de Espanha na capa e contracapa. Nele estão anotadas joias, roupas, artigos de lingerie, sapatos, leques, luvas, meias, cosméticos e acessórios (como por exemplo 560 lenços de mão, sapatos de seda bordados, meias da melhor seda transparente, leques de vários tipos em marfim, entre muitos outros artigos), adquiridos aos principais estilistas, joalheiros e retalhistas de moda parisienses. As aquisições foram conduzidas pela Baronesa Ardisson, em nome da Rainha Consorte, no tempo em que a Família Real Portuguesa se encontrava no Brasil, para onde se deslocara na sequência das Invasões Francesas. O documento permite obter uma boa noção da elegância e esplendor do guarda-roupa real no século XIX, e entender como a voluntariosa e controversa D. Carlota Joaquina queria estar alinhada com as tendências europeias.

Este inventário encontrava-se numa coleção privada inglesa, e foi publicado pela primeira vez no catálogo da exposição “The S.J. Phillips Collection of Jewels of Portugal”, organizado pela Sotheby’s em Lisboa em maio de 2017.

Nas palavras de Inês Ferro, Diretora do Palácio Nacional de Queluz, “trata-se de um raro documento que nos chegou em excelente estado de conservação e que nos que dá acesso às escolhas pessoais da Rainha e das Infantas. 1816 foi um ano marcante para toda a família real, e em particular para o universo feminino. D. Maria I morrera a 20 de Março desse ano e D. Carlota Joaquina era já Rainha, apesar de a aclamação de D. João VI só se vir a verificar dois anos mais tarde. Por outro lado, para a grandeza desta encomenda, processada em maio, terá também contribuído a circunstância de duas das infantas suas filhas estarem a poucos meses de partir para Espanha, onde em setembro contrairiam matrimónio com dois tios maternos: D. Maria Isabel com o Rei de Espanha, Fernando VII e D. Maria Francisca de Assis com D. Carlos Isidro. Este documento, enquanto fonte de conhecimento para o estudo do vestuário e de todo o tipo de adereços, é também fundamental para ajudar a compreender a iconografia e os retratos régios que o Palácio possui desta época, em que o “estilo império” marcava a moda então em voga.

João Távora Magalhães, representante da Sotheby’s em Portugal, indicou que estão, “muitíssimo satisfeitos com o facto de este raro e importante manuscrito ter regressado a Portugal. A aquisição de inventário real, por parte da Parques de Sintra, é particularmente pertinente, dado que o Palácio Nacional de Queluz foi a principal residência da Rainha Carlota Joaquina e é fantástico que o manuscrito possa agora ser visto como parte da história da família real naquele local e no Brasil.”