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A OPEN SOCIETY FOUNDATION DOA $15 MILHÕES PARA A DEVOLUÇÃO DE ARTEFACTOS AFRICANOS

2019-11-18




A Open Society Foundation, organização de doações fundada pelo financeiro-filantropo George Soros, prometeu US$15 milhões em quatro anos em esforços de base, institucionais e governamentais, para devolver artefactos culturais saqueados às nações africanas.

"O legado da violência colonial tem implicações profundas na maneira pela qual o racismo e os desequilíbrios de poder são perpetuados hoje", disse Patrick Gaspard, presidente da Open Society. "Não se trata apenas de devolver peças de arte, mas de restaurar a própria essência dessas culturas. Estamos orgulhosos de apoiar esse movimento no sentido de reconciliar erros históricos."

A iniciativa, que pode incluir apoio a litígios, formação de reuniões de especialistas e estudiosos africanos, figuras culturais, autoridades políticas e líderes espirituais, será liderada por Rashida Bumbray, diretora de cultura e arte da Open Society; Anthony Richter, diretor de iniciativas especiais; e Ayisha Osori, diretora da iniciativa da organização para a África Ocidental.

A promessa apoia as recomendações do escritor e economista senegalês Felwine Sarr e do historiador de arte francês Bénédicte Savoy, que pedia a restituição permanente da arte e dos artefactos africanos que haviam sido adquiridos através de "roubo, saques, despojos, truques e consentimento forçado." O relatório, encomendado pelo presidente francês Emmanuel Macron e publicado no ano passado, pedia à França a criação de um inventário de todas as obras que entraram nas coleções francesas durante o domínio colonial na África e traz sob escrutínio cerca de dois terços das noventa mil peças de arte africana adquiridas antes de 1960 atualmente em museus franceses.

No início deste ano, o ministro da cultura alemão também concordou em estabelecer protocolos para o repatriamento, e a ministra federal da Cultura, Monika Grütters, anunciou em fevereiro que 2,17 milhões de dólares em fundos estatais foram garantidos para pesquisas de proveniência das obras que entraram nas coleções de museus alemães durante a era colonial.

"Com grande parte do legado cultural pré-colonial da África abrigado em museus europeus, esses artefatos estão fora do alcance de milhões no continente africano, que têm direito ao seu próprio conhecimento e produção cultural", disse Bumbray. "A restituição não é apenas sobre como dimensionar o passado, mas sobre o acesso à própria herança e a necessidade de manter essa conexão para as gerações futuras".



Fonte: Artforum