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CRIPTOART É A ENTIDADE MAIS INFLUENTE DA LISTA DA ARTREVIEW

2021-12-03




A lista publicada desde há duas décadas pela ArtReview tem por título “Os 100 poderosos: As pessoas mais influentes no mundo da arte”. Mas não têm de ser necessariamente pessoas os poderosos escolhidos. No ano passado, por exemplo, o lugar cimeiro da lista foi atribuído ao movimento Black Lives Matter, em 2018 tínhamos o #metoo em terceiro e é comum, sem surpresas, surgirem listados museus e galerias. Este ano, porém, a imaterialidade, digamos assim, é total: os NFT, os tokens não fungíveis que vieram abalar o mercado da arte, surgem em 2021 no lugar cimeiro da lista da ArtReview revelada na terça-feira.

“Perante os preços impressionantes atingidos pelo trabalho de Beeple no último ano, o mercado de arte descobriu uma nova geração de coleccionadores, enquanto artistas à volta do mundo descobriram uma forma de mercantilizar a sua arte que contorna a velho sistema do marchand”, escreve a ArtReview no texto que contextualiza a escolha do NFT. JJ Charlesworth, editor da publicação, refere, citado pelo Guardian, que os NFT deram um impulso poderoso “a um novo cruzamento entre cultura pop e arte contemporânea, mesmo que não possamos ignorar o facto de a explosão NFT ser guiada por uma especulação febril à volta das criptomoedas”.

A escolha do primeiro lugar da lista concentra todas as atenções, mas é também de notar a entrada, em segundo lugar, da antropóloga e escritora sino-americana Anna L. Sing, autora de The Mushroom at the End of the World: On the Possibility of Life in Capitalist Ruins, obra que perspectiva o fim do capitalismo perante a degradação ecológica e a precariedade económica, e co-fundadora de uma plataforma de curadoria, a Feral Atlas, que promove o encontro entre investigação científica e expressão artística. Imediatamente abaixo, uma constância: o colectivo indonésio ruangrupa, baseado em Jacarta, que propõe a prática artística como obra comunitária e ao qual foi entregue a direcção da próxima edição da Documenta, a influente exposição de arte contemporânea organizada de cinco em cinco anos em Kassel, na Alemanha, (no ano passado, o ruangrupa surgia na segunda posição). Dois artistas, o americano Theaster Gates e a alemã Anne Imhof, completam o top cinco.

O movimento Black Lives Matter, primeiro na lista de 2020, desaparece este ano, tal como o #metoo (quarto há um ano), encontrando-se no seu lugar artistas que reflectem e criam sobre as preocupações e aspirações de ambos os movimentos, como o colectivo aborígene australiano Karrabing Film Collective (oitavo lugar), a fotógrafa e artista visual Carrie Mae Weens (nono), que aborda a feminilidade dos corpos negros, ou o curador americano Ebony L. Haynes.


Fonte: ArtNews