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OPINIÃO


ARCOlisboa 2018, vista geral. Fotografia: Artecapital


Stand da Galeria Belo-Galsterer na ARCOlisboa 2018. Fotografia: Cortesia da Galeria Belo-Galsterer


Pormenor do stand da Galeria Leyendecker na ARCOlisboa 2018. Fotografia: Artecapital


Pormenor do stand da Galeria Horrach Moya na ARCOlisboa 2018. Fotografia: Artecapital


Terence Koh, Untitled, 2017. Grafite sobre papel, 66 x 50 cm. Galeria Horrach Moyà, ARCOlisboa 2018. Fotografia: Artecapital


Alexandra Cadaval, directora ÉvoraAfrica; Filipa Oliveira, curadora  ‘Em que estou a trabalhar’; Esther Mahlangu, Artista; Philippe Boutté, curador da exposição


Stand da Galeria das Salgadeiras na JustLx 2018. Imagem cortesia da Galeria das Salgadeiras.


Stand da Galeria Bessa Pereira na JustLx 2018. Imagem cortesia da Galeria Bessa Pereira.


Pormenor do stand da Galeria Bessa Pereira na JustLx 2018. Imagem cortesia da Galeria Bessa Pereira.

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EXPANSÃO DA ARTE POR LISBOA, DUAS VISÕES DE FEIRAS DE ARTE: ARCOLISBOA E JUSTLX - FEIRAS INTERNACIONAIS DE ARTE CONTEMPORÂNEA



JOANA CONSIGLIERI

2018-06-14




 

O dinamismo da arte em Lisboa tem vindo a intensificar-se nestes últimos anos. No mês de maio, surgiram, em simultâneo, duas feiras de arte, ARCOlisboa e JustLX, que trouxeram novas possibilidades de experiências estéticas e uma expansão de atividades e estímulos sensitivos na representação de artistas, obras de arte, conversas e visitas, a par de uma intenção de difundir os mercados em Portugal. A ARCOlisboa de 2018 continua a manter a dimensão do seu espaço anterior na Cordoria Nacional, inaugurando a sua terceira edição, com a presença de mais galerias nacionais e internacionais, numa seleção total de sessenta. Tal como afirma o diretor da ARCOlisboa, Carlos Urroz: «o balanço é muito positivo, a feira está estabilizada» (cf. Público, 21 de maio de 2018, p. 29).

A JustLX, no Museu da Carris, inaugura a sua presença, assente na possibilidade de apresentar outra linha de projetos e obras de arte, onde os colecionadores e amantes de arte possam adquirir arte noutro mercado cosmopolita, havendo, assim, lugar na exposição para vários trabalhos artísticos multiculturais, em particular, de artistas emergentes a nível internacional, do Brasil, México, Reino Unido, Itália, Espanha e Portugal, entre outros. Tal como afirma Pedro Loureiro da Galeria Trema: «Todos temos que ter uma oportunidade de nos mostrar. Havia um vazio que era importante preencher.» (cf. Público, 18 de maio de 2018, p. 39).

Apresentam-se trabalhos artísticos de variadíssimas linguagens, ora de foro experimental étnico, como é o caso da artista Keila Alaver, ora conceptual, da artista Marlene Stamm, ambas da Galeria 55sp, ora de exploração da desconstrução da identidade como faz a artista Naomi Middelmann, da galeria UFOFrakic, ora ainda de jovens artistas como é o caso da Galeria Bessa Pereira. Esta diversidade apresentada pelas várias galerias suscita ao visitante a descoberta de um outro mercado, que surge em vários espaços das galerias, quer nacionais, como a Galeria Trema, a Galeria 111, a Galeria Sete ou a Galeria Arte Periférica, quer internacionais, como a Via Thorey Galeria, a Heartbeats ou a Kernel, entre outras. Expande-se, assim, um leque de experiências muito diferentes, em que os galeristas arriscam pela novidade e por artistas emergentes, mas também pelo seu cariz internacional, com o intuito de criar uma análoga dinâmica que tem vindo a ser conquistada pela ARCOlisboa, ao promover visitas e eventos juntamente com outras instituições.

A ARCOlisboa tem um caráter de solidez cuja presença e estabilidade estão baseadas no mercado dos artistas consagrados, o que favorece o reconhecimento de obras de arte e dos projetos artísticos, quer sejam nacionais quer sejam internacionais, fazendo, convergir no programa as várias instituições museológicas e culturais eruditas com os projetos e galerias de Lisboa. Deste modo, ao criar uma rede prolífera a nível cultural e artístico, com os artistas e curadores mais sonantes do meio cultural, convida os portugueses, estrangeiros residentes em Portugal ou não, e novos colecionares a visitar a feira. Assim, são apresentadas obras de uma grande parte dos artistas consagrados no mercado das artes, como Helena de Almeida, Julião Sarmento, Joana Vascconcelos, representados em algumas das galerias; Michael Biberstein e Rui Toscano na Galeria Cristina Guerra; Jorge Molder na Galeria Pedro Oliveira; Pedro Valdez Cardoso na Fernandes Santos; Rui Chafes e Carlos Motta na Filomena Soares; Miguel Branco na Pedro Cera; João Louro na Vera Cortêz; Cristina Ataíde e Mel O’Callaghan na Galeria Belo-Galsterer; ou Vasco Araújo, na Galeria Francisco Fino, que coloca o espectador no limiar da controvérsia multicultural enquanto experiência estética. Entre as galerias estrangeiras, Mario Merz e Pedro Cabrita Reis na Galeria Giorgio Persano; Veronica Kellndorfer na Galeria Christopher Grimes; Antoni Tàpies na Galeria Leandro Navarro; Marina Abromovic na Galeria Krinzinger e Joël Andrianomearisoa na Galeria Sabrina Amrani, cujo trabalho Le Labyrinth des passions marca a sua presença pelo minimalismo, repetição e diferença, no negro e no movimento.

 

Mel O' Callaghan, obras da série Em Masse (yellow sun), 2015. Acrilico s/ vidro, 160 x 120 cm e 70 x 50 cm. Imagem cortesia da Galeria Belo-Galsterer.

 

A ARCOlisboa oferece aos visitantes ou amantes de arte a oportunidade para a divulgação das conceções estéticas e artísticas contemporâneas, e coloca à disposição um leque de atividades e visitas guiadas ou não, por toda a cidade. É uma viagem ao mundo da arte para qualquer público com interesse, não estando apenas circunscrita ao meio artístico. Convida todos os interessados a percorrer a cultura lisboeta. Num panorama geral, não se limita apenas ao mercado de arte, enquanto shopping centre para os novos colecionadores e convidados, mas proporciona também a qualquer amante de artes, um passeio cultural.

Numa última instância, extrapola o valor comercial para se revelar mais como um «mapa de entretimento cultural» cosmopolita, cujas linhas divergem a partir dos dois pontos cardinais, as duas feiras, estendendo-se por toda a Lisboa. Pronuncia-se, então, um cenário dinâmico e de «festa», sendo, em certa medida um encontro e diálogo entre visitantes e curadores-palestrantes, feiras e instituições, galerias e museus.

Através das comunicações e fóruns, a ARCOlisboa interage com o público, conduzindo-o por vários curadores, como seja Isabel Carlos e Filipa Oliveira, com múltiplas conversas e temas que suscitam o debate e a descoberta sobre temáticas e recentes interesses da arte portuguesa e internacional. Selecionando, assim, diferentes participantes para várias sessões e formas de discussão. Dialoga-se sobre o colecionismo e projetos de artistas e curatoriais. Estabelece-se um encontro de museus, da Europa e da Ibero-América, de modo a que todo o visitante possa escolher as suas várias perspetivas do mundo artístico, bem como um rol de iniciativas apresentadas, quer para intercâmbio de ideias e encontros profissionais, quer para o público em geral.

Seguindo esta perspetiva de eventos numa emergência artística e cultural, deparamos com o facto de que cada polo influencia um determinado circuito que se manifesta, na sua globalidade, por uma necessidade do mundo atual que se apresenta plural, eclético e dinâmico. Isto é, torna-se cada vez mais visível esta diversidade nas várias áreas de circulação de obras de arte, o que nos leva a pensar numa espécie de descentralização do «mundo da arte», em detrimento da globalização internacional.

 

 

 

Joana Consiglieri

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