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OPINIÃO


Vista da exposição L’ étreinte du silence, de Julia Dupont. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Vista da exposição L’ étreinte du silence, de Julia Dupont. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Vista da exposição L’ étreinte du silence, de Julia Dupont. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Vista da exposição L’ étreinte du silence, de Julia Dupont. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Julia Dupont, Untitled #3, 2021-2023. Inkjet print, 55,5 x 55,5 cm.


Vista da exposição L’ étreinte du silence, de Julia Dupont. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Vista da exposição Na pele, o silêncio, de Wanderson Alves. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Wanderson Alves, Na pele, o silêncio #25, 2020. Analog photography and inkjet print, 32 x 50 cm.


Vista da exposição Na pele, o silêncio, de Wanderson Alves. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Vista da exposição Na pele, o silêncio, de Wanderson Alves. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Vista da exposição Na pele, o silêncio, de Wanderson Alves. Cortesia Galeria Pedro Oliveira.


Wanderson Alves, Na pele, o silêncio #23, 2020. Analog photography and inkjet print , 32 x 50 cm.

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PENSAR O SILÊNCIO: JULIA DUPONT E WANDERSON ALVES



SANDRA SILVA

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Conceito de definição aporética, o silêncio é autofágico uma vez que se consome a si mesmo no pragmatismo literal da sua inexistência. Consideremo-lo condição e construção poética, abstrata e metafórica humana que invade as artes plásticas, a poesia, o cinema, o teatro, a arquitetura, a música, ou a trivialidade do quotidiano. A experiência de John Cage, em 1951, numa câmara anecoica [1], onde conseguia ouvir os sons do seu corpo – batimentos cardíacos e fluxo do sangue – e, posteriormente, a sua obra 4’33” (1952), na qual nenhum som (musical) intencional era emitido, permitiram-lhe perceber que o silêncio como ausência de som, na verdade, não existe. E se há sempre algo a ser escutado, também há sempre algo para ser visto. Logo o tempo e o espaço vazios não existem na sua plenitude. [2] De igual forma, Susan Sontag em “A Estética do silêncio” (1967), considera que o silêncio, sendo uma forma de discurso, não existe em sentido literal. E como propriedade de uma obra de arte, apenas se constitui como parte desta. Assim, o silêncio implica o seu oposto e exige a sua presença. Esta ambivalência, aplica-a igualmente a conceitos como “neutro” e “vazio”. Algo só é neutro em relação a outra coisa. E quando se olha potencialmente para o “vazio”, não se deixa de olhar para algo. Aplicar o silêncio, o vazio e a redução na arte, potencia outras prescrições intelecto-emocionais para olhar, ouvir e sentir. E são essas diversas potencialidades de pensar e perspetivar o silêncio, enquanto construção poética, e atendendo a diferentes enquadramentos (planos e ângulos), estéticas e temas, que Julia Dupont e Wanderson Alves nos fazem chegar, através das suas captações fotográficas, em duas exposições que, simultaneamente, se encontram patentes na Galeria Pedro Oliveira, entre 16 de setembro e 28 de outubro de 2023.

 

 

I
L’ étreinte du silence / O abraço do silêncio
Julia Dupont

 

Na arquitetura, as formas construídas são vocais. O vocal arquitetónico não implica audibilidade, sendo estabelecido pelas sensações que o espaço criado transmite, a partir das formas, dos materiais utilizados, das cores, das texturas e da luz. Por sua vez, estes mesmos elementos são utilizados para tornar o espaço estruturado pelo silêncio. [3] As deambulações geográficas da artista Julia Dupont, são cumpridas na paradoxalidade da serendipidade e da missão de captar a transcendência de pormenores arquitetónicos, como um fado escrito que desconhecia e que, solenemente, nos transmite através da sua lente fotográfica. Captações onde predominam as linhas geométricas, a pluralidade de materiais – metal, pedra, betão, madeira e o vidro -, e a diversidade de formas arquitetónicas sejam vernaculares, clássicas, de teor modernista ou mesmo da pragmática arquitetura brutalista. [4] Despojados da presença humana ou qualquer ser senciente, os espaços arquitetónicos, que apenas nos chegam parcialmente, cumprem-se na moldura das caraterísticas dialéticas dos seus elementos - volumetria/planura; luz/sombra; exterioridade/interioridade; cheio/vazio - apologizando as premissas de Cage e Sontag. Não visualizamos o corpo inteiro dos edifícios e as suas cercanias, comprometendo uma eventual identificação dos mesmos. O ‘todo’ fica circunscrito à imaginação, sendo a ‘parte’ a epítome que pulsa a atenção ao detalhe nas texturas lisas ou rugosas, nos cortes/traços cirúrgicos, ou mesmo nas fissuras e na tinta descarnada. Neste caso, salientando o aguçar da temporalidade na matéria, que se consumiu com o tempo, e do tempo que lhe segredou a sua inevitabilidade. Esse enlace do “chronotopos” que surge altivo na série “Polyptique”, constituída por cinco imagens do mesmo motivo arquitetónico sob diferentes tonalidades lumínicas, das várias fases do dia. A luz veste a arquitetura dotando-a de subjetividade no seu pragmatismo geométrico. É o elemento de mobilidade que transfigura a imobilidade. E que, apresentando-se artificial ou natural, intensa ou subtil, propõe diferentes narrativas na ligação com as arquiteturas. Aparecendo como modeladora de volumetrias, rompendo subtilmente a penumbra, dotando a superfície, onde é refletida, de um laranja saturado, ou apresentando-se difusa tornando quase indiscernível o traçado arquitetónico. Nas captações fotográficas de Dupont, os detalhes tanto se apresentam em elementos como a varanda, as portas, as janelas ou entradas de luz, como em apontamentos de teor abstrato. E tornar evidente essa parcialidade indistinguível da figuração do edifício, induz a pensar a vulnerabilidade que faísca da oposição figurativo-abstrato. Relatou, um dia, Pierre Soulages, figura artística incontornável do movimento de arte abstrata do pós-guerra, o seguinte episódio de infância:

" Contam-me uma história de quando eu tinha quatro ou cinco anos. Estava a desenhar grandes linhas pretas em papel branco e alguém me perguntou: 'o que estás a fazer Pierre?' E eu disse: 'Neve'. Parecia algo extraordinário. (…) O negro não estava presente pela sua qualidade intrínseca, mas também pelos seus poderes. Ou seja, por contraste, tornava o papel mais branco. Como a neve." [5]

Não obstante os elementos arquitetónicos distinguíveis, e já suprarreferidos, Dupont envolve-nos, em outras fotografias, num jogo pleonástico do pormenor do detalhe. Na imagem de uma superfície rugosa cinzento-escura, na faixa vertical dourada em fundo branco ou na ‘corporização’ da luz, que em destaque, torna enigmático e indiscernível a estrutura arquitetónica. E aqui subsiste a nossa perspetiva e imaginação. Tal como Soulages imaginou a neve na brancura do papel, por contraste com o negro, também nas fotografias de Dupont moram as (im)possibilidades que entendermos. E, assim, se percebe que “o abraço do silêncio” tanto nos é reconfortante por nos prender ao detalhe, perante a azáfama do quotidiano que nos coloca numa quase perpétua desatenção, como nos embala num desassossego através da imagem codificada.

 

 

II
Na pele, o silêncio
Wanderson Alves

 

Conta Marc de Smedt no capítulo “A linguagem dos pássaros”, do seu livro “O Elogio do silêncio”, que procurou o seu amigo Knud Victor, ornitólogo e estudioso dos sons da natureza, para perceber o que esconde o silêncio dos animais e das plantas. A resposta que obteve foi elucidativa: “O silêncio não existe; no fundo, é uma questão de amplitude. Mas existe um silêncio relativo (…).” [6] E este último, o investigador procura-o na aldeia e na montanha onde os ruídos mecânicos ambientais são, apesar de tudo, mais escassos. Auxiliado, com frequência, por instrumentos especializados, ouve a sonoridade das moscas de vinagre semelhante a um tambor africano, o barulho ensurdecedor que fazem as penas dos pássaros durante o voo, a palpitação da seiva através das fibras das bétulas, mas também o ‘silêncio´ da vigilância e do sono dos animais.

É a natureza que, maioritariamente, substancia o mundo fotográfico de Wanderson Alves. O artista privilegia o binómio preto e branco, nas suas diferentes saturações, dotando as fotografias de uma aura complacente com a nostalgia existencial. E tal sucede porque habita plasmada, na sua obra artística, a consciência da inexistência do silêncio pleno. E se, este último, em Dupont nos chega, concetualmente, pela matéria inanimada e a abstração, Alves convoca para tal, a transcendência da vida e da morte, inerente ao mundo orgânico. Conjeturando, através da sua objetiva, a natureza nas suas amplitudes e nos seus detalhes, nas exterioridades e interioridades espaciais e, não ironicamente, na sugestão do som. Complicando a filosofia entre a realidade e a metáfora.

A figura humana entra nesta equação, resumida a silhueta negra, sem detalhes e espectral, numa alusão ao anonimato do ser. E detém-nos na trivialidade do gesto, na mão que ao abrir ligeiramente a persiana ou a cortina permite que a luz rasgue o silêncio da penumbra. Por sua vez, num fundo abstrato, onde o negro e o branco da luz palpitam num intenso contraste, uma figura humana, em pé, surge contemplante. E captado em perspetiva aérea, o mar revolto, disforme e espumoso conta-nos sobre o arrebatamento da natureza em oposição à figura humana, deitada em terra, diminuta, sozinha, complacente com o ruído e o sublime. Há, em algumas imagens, o sugestionamento de movimento e do ruído, por ele potenciado. No pássaro solitário que voa na imensidão do céu, nos pássaros que surgem alinhados nos cabos, ou no vento que se enlaça na Erva-das-Pampas. Outras imagens da natureza, como flores, folhas, plantas e galhos, surgem num enquadramento visual fechado, em espaços exteriores, interiores ou indefinidos. E nem sempre essas captações chegam ao público, com nitidez visual. Sobressaindo as diferentes formas e funcionalidades do posicionamento físico e concetual do artista, e das possibilidades mecânicas e tecnológicas com que a fotografia, enquanto ‘média’, oferece ao jogo artístico. E potencia dinâmicas, para lá do fardo da petrificação.

Por fim, a morte. Das flores em jarras e da borboleta intacta no frasco de vidro transparente, com tampa de rosca, que nos recorda o “voyeurismo” da beleza, a observação científica e a fragilidade da vida. Num sopro, tudo se desvanece. E aí encontramos “na pele, o silêncio”.

 

 


Sandra Silva
Licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e mestre em Estudos Artísticos - variante Estudos Museológicos e Curatoriais, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, com uma dissertação sobre a interligação entre arte e ciência. Dedica-se à investigação independente, com particular interesse pelos diversos temas da arte e curadoria contemporânea.

 


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Notas

[1] Espaço projetado para não receber qualquer fonte externa de ruído, e de contenção de ondas sonoras e eletromagnéticas.
[2] Stromberg Guinski, G., & Carneiro Rodrigues, I. (2023). A concepção de silêncio em John Cage e Toru Takemitsu sob a luz da teoria pós-humana. (Portuguese). Revista Vortex, 11(1), 1–20, p.13.
[3] Mishra, J., Shrivastava, V. & Singh, A.K. (s.d.). Silence of Architecture. Disponível aqui.
[4] Folha de Sala da exposição com autoria de Marc Lenot.
[5] Berthomieux, S. (Diretora). (2017). Soulages [Documentário]. Les Films d’Ici Méditerranée.
[6] Smedt, M. (2001). O Elogio do Silêncio. Cascais: Sinais de Fogo, p.84.


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Julia Dupont
L’ étreinte du silence

Wanderson Alves
Na pele, o silêncio

Galeria Pedro Oliveira
16 SET – 28 OUT 2023