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RELATÓRIO DA CURADORIA DA 28ª BIENAL DE SÃO PAULO



IVO MESQUITA E ANA PAULA COHEN

2009-05-03




Num momento em que se fala da crise da Fundação Bienal de São Paulo e do adiamento das próximas bienais de arquitectura e arte, reproduzimos aqui parte do relatório apresentado por Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen, curadores da 28ª Bienal de São Paulo, realizada entre 26 de Outubro e 6 de Dezembro de 2008. O texto, publicado originalmente no mês passado no Fórum Permanente (www.forumpermanente.org), reúne anotações e registos do projecto curatorial “Em vivo contato”, bem como reflexões e recomendações sobre a organização e futuro das bienais.



Relatório da Curadoria da 28ª Bienal de São Paulo
por Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen


1) A 28ª Bienal de São Paulo

É com satisfação que podemos dizer que a 28ª Bienal foi mais um projecto bem sucedido da Fundação Bienal de São Paulo. Com aproximadamente 162 mil visitantes em 37 dias de exposição temos um sucesso de público, considerando que as últimas edições da Bienal de Veneza, aberta por quase seis meses, e da Manifesta, por quatro, tiveram 365 mil e 175 mil visitantes, respectivamente. Mesmo em relação ao público dos museus brasileiros de arte esse número é bastante significativo.

Do mesmo modo, o clipping da imprensa nacional e estrangeira atesta o êxito do projecto em vista do grande número de textos, entrevistas, resenhas, críticas recebidas pela 28ª Bienal, além de um grande espaço nos diversos meios electrónicos. Independente de posições a favor ou contra, o facto é que, talvez, essa última bienal talvez esteja entre as mais comentadas, e quiçá, com certo sentido de humor, tenha sido a mais falada e a menos vista! 



Esse facto reforça a importância da realização das publicações planeadas pela curadoria, que incluem os comunicados dos ciclos de conferências (ver items 2, 3 e 4 desse documento), textos reflexivos e críticos, além de imagens de todo o processo da 28BSP. Essa é a forma de expandir o trabalho para além do período de realização do evento, possibilitando, sobretudo, a sua circulação internacional. Juntamente com a pesquisa sobre a memória crítica da Bienal de São Paulo, reunida pela pesquisadora Carolina Soares durante o ano de 2008, essas publicações contém todo o processo de trabalho e reflexão. Mais do que o registo da 28ª Bienal, essas publicações constituem uma parte importante do projecto curatorial, parte essencial para que ele alcance os seus objetivos de difusão do debate proposto e desenvolvido. 



Com relação ao clipping dessa última bienal, vale observar a diferença de abordagem entre a imprensa brasileira e a estrangeira. Enquanto a primeira, com significativas e gratificantes excepções, faz alarde de impressões generalizadas e questões localizadas, sem ver, tentar analisar, ou entender o todo do projecto, independente das suas qualidades e problemas, a segunda, recebe a 28ª Bienal como uma demonstração de energia e vitalidade da tradicional Bienal de São Paulo, pelo seu investimento num projecto de risco, provocador, abrindo um debate radical em lugar de continuar na sua confortável posição de uma instituição consolidada. Na imprensa internacional a 28BSP representa uma proposta de resgate das exposições de arte contemporânea como um espaço de reflexão e experimentação, uma espécie de laboratório para as práticas artísticas e o pensamento na actualidade. Ela é percebida como um esforço de recuperar para a exposição um papel de ponta no debate e difusão da arte contemporânea, e para isso pôs em movimento um grupo qualificado de artistas, curadores, críticos e académicos que activaram o espaço e a memória da própria instituição que o realiza, assim como problematizaram o modelo e o sistema das bienais no circuito internacional.

Desde o princípio sabíamos que o projecto causaria polémica e despertaria reacções emocionais e acaloradas. Entretanto parece ter sido esse mesmo clima que prejudicou ou impediu a percepção do projeto, não apenas como uma mostra de arte contemporânea, mas como um programa totalmente articulado entre os seus componentes e que demandava a experiência de um tempo próprio, de um “estar na exposição”. O projeto buscava um visitante autónomo, curioso e aberto para fazer o seu próprio roteiro dentro do pavilhão, tendo à sua disposição a mediação de educadores, guias, mapas e textos de parede. 



Se, por um lado, a visualidade rebaixada em todo o espaço expositivo contribuiu para dificultar essa percepção por parte do público – e talvez merecesse da curadoria outra estratégia ou formalização, por outro lado, a experiência da 28BSP representou uma relevante mudança no padrão da própria Bienal de São Paulo. Propôs outro uso do pavilhão, reduziu as dimensões da mostra, abandonou o espectacular em favor do processo de trabalho, e construiu um tempo próprio do acontecimento, isto é, bases inteiramente novas para a relação com os visitantes. Essas qualidades só poderão ser percebidas e avaliadas no seu sentido pleno dentro de algum tempo, depois de uma ou duas novas edições da exposição.

Algumas realizações, no entanto, podem ser tomadas como conquistas importantes para os programas da exposição. No que concerne às publicações, o Guia da 28BSP, juntamente com o plano do pavilhão, conduziam o visitante pelo projecto segundo a orientação dos curadores e dos artistas. O Guia seguiu o partido editorial da Bienal anterior, apostando desse modo na importância da identidade visual, uma constante nos meios usados como forma para afirmar a presença da organização.

O Jornal 28B, com edição de Marcelo Resende, tinha como objectivo levar a Bienal de São Paulo para um público novo, fora do circuito da grande imprensa. Para tanto, associou-se ao Jornal Metro, de distribuição gratuita pela cidade. O jornal trazia ao leitor desinformado sobre a Bienal o que acontecia semanalmente no pavilhão no Parque Ibirapuera, ao mesmo tempo em que funcionava como um catálogo, um registo, do processo da 28BSP. Segundo depoimentos de Educadores nos espaços expositivos, diversos visitantes vieram a Bienal pela primeira vez por terem recebido o jornal na rua. Isto indica um potencial de visitantes e frequentadores a ser explorado pelos novos projetos da FBSP, além do acerto na estratégia de aproximação. 



Neste quadro, o website da 28BSP, ainda no ar por um ano, também demonstrou ser um recurso fundamental para a realização do projecto. A possibilidade de preparar uma visita ou de recuperar um evento quase ao mesmo tempo em que ele acontecia, representou a oferta de um serviço eficiente e qualificado.

A montagem do sector educativo da 28BSP, inicialmente, encontrou dificuldade na contratação de um Curador de Educação em razão do desgaste da Fundação Bienal junto aos profissionais da área – relações conturbadas, falta ou atraso nos pagamentos, interferências internas e externas – assim como pelo pouco tempo disponível para a montagem de uma equipe e o planeamento e implantação de um projecto. Desde o início, era intenção da curadoria rever as visitas guiadas como prioridade dos programas educativos, em favor de outro tipo de relação mais qualificada com os visitantes. Daí a opção por educadores que actuavam próximo aos trabalhos nos espaços expositivos, num embate directo com os visitantes, mas com a possibilidade de uma experiência ou relação mais individualizada, contrária ao roteiro padrão das visitas guiadas. Para tanto, foram contratados educadores mais experientes e investiu-se na formação deles através do contacto direto e intenso com artistas, curadores, trabalhos e programas da 28BSP. Desse modo, cada um desses profissionais teve a oportunidade de desenvolver um trabalho a partir da sua própria experiência do projecto. Se a curadoria buscava a autonomia do espectador, o mediador também teria que ter a sua própria para poder responder conforme a demanda de cada novo visitante. A ideia era não haver padrões a serem seguidos. Segundo relatórios recebidos, a experiência parece ter sido apreciada por todos, com registos de respostas significativas e gratificantes. 



Por outro lado, e de modo a assegurar e implementar certa continuidade nos programas da Bienal, dois outros projectos desenvolvidos na bienal anterior, em 2006, tiveram uma nova etapa na 28BSP: O Ambulante, antes chamado de Centro-Periferia, coordenado por Guilherme Teixeira, que desenvolve um trabalho localizado de inclusão social por meio da arte, e o Formação de Professores, coordenado por Anny Christina Lima, destinado à actualização dos professores da rede de ensino e a capacitação deles para conduzirem as visitas dos seus alunos à Bienal, assim como a outros espaços destinados à arte contemporânea. A coordenação e orientação dos educadores estiveram a cargo de Jussara Fonseca. 
É importante registar ainda a significativa contribuição da 28BSP para o enriquecimento e especialização do Arquivo Histórico Wanda Svevo. Por meio de doações e aquisições, mais de 500 volumes de catálogos e publicações diversas produzidas pelas muitas bienais ao redor do mundo, são agora parte integrante do acervo. O material é único e de tal relevância que já vem sendo solicitado para empréstimo e apresentação em outras bienais. Além disso, todas as palestras e conferências foram gravadas em vídeo e devidamente editadas e incorporadas ao AHWS. Dessa forma, muito do que foi a 28ª Bienal de São Paulo, nos seus ciclos de palestras e apresentações por parte de críticos, historiadores, curadores e artistas convidados, pode ser revisto e estudado a médio e longo prazo por meio dos registos organizados no Arquivo. Também foram incorporados ao acervo cópias dos programas de vídeo de artistas, curados por Wagner Morales e Maarten Bertheux, e que eram apresentados no vídeo lounge da 28BSP. 





2) Recomendações do ciclo “A Bienal de São Paulo e o Meio Artístico Brasileiro – Memória e Projecção” 



O ciclo de encontros “A Bienal de São Paulo e o Meio Artístico Brasileiro – Memória e Projeção” foi uma das quatro plataformas de debates que integraram o projecto curatorial da 28ª Bienal de São Paulo. Com início em 19 de Junho e fecho em 4 de Dezembro de 2008, e sob a coordenação da curadora Luisa Duarte, a série de depoimentos reuniu ao todo 49 nomes relevantes do meio artístico brasileiro, convidados a resgatar uma memória pessoal em relação à história da Bienal de São Paulo, pensar a sua vocação, e ainda expor expectativas quanto ao futuro da exposição e à relação da instituição com a comunidade. Apresentamos aqui um resumo das principais considerações feitas ao longo das 24 semanas de debates. São proposições que podem contribuir para a reflexão do Conselho de Administração, oferecendo possibilidades para uma actualização desse património das artes e da cultura do país.



Foi possível perceber, ao longo dos encontros, dois eixos principais de questões no debate sobre a Bienal de São Paulo. Um deles diz respeito ao formato da exposição e aos processos ligados directamente ao seu planeamento, produção e implantação. O outro diz respeito à relação da instituição Fundação Bienal com a exposição Bienal, o seu objectivo primeiro, e com o meio artístico brasileiro em particular, já que se trata de uma organização que opera com recursos públicos, supondo, portanto, representatividade na gestão e transparência nos processos de trabalho. Nesse resumo dos pontos trazidos pelos participantes deste ciclo, ressaltamos o aspecto institucional, pois ele é, seguramente, o maior motivo de tensão/fricção da FBSP com a comunidade artística. 



a) O futuro da exposição Bienal passa por reformas profundas na Fundação Bienal, que dependem, sobretudo, da actuação da sua direcção e do seu conselho, mais do que da curadoria. Há uma pergunta que a comunidade artística gostaria de fazer, a cada conselheiro da Fundação: Qual o seu papel dentro da instituição? Foi sugerido que a Fundação Bienal deveria possuir um código de obrigações e procedimentos para os seus conselheiros.

b) A revisão da estrutura organizacional e do modelo de gestão administrativa da Fundação Bienal, que apareceu diversas vezes ao longo do debate como algo urgente, deve ter como objectivo imprimir racionalidade, planeamento e um caráter programático para tornar efectiva e sistemática a realização da exposição Bienal, adoptando métodos e procedimentos transparentes, orçamentos controlados e realistas, e buscando eficiência e aperfeiçoamento na implementação dos objectivos prioritários da instituição.

c) É consenso geral a necessidade de se rever o cronograma de actividades da Fundação, adequando-o às demandas do planeamento e produção de cada nova edição da Bienal. Isto é, parece ser necessário ajustar a escolha de cada nova curadoria para a exposição, bem como do próprio presidente da Bienal, de forma a garantir tempo hábil para os trabalhos de pesquisa e produção do evento, bem como para o planeamento administrativo/financeiro, que viabiliza o projecto, qualquer projecto.



d) Proposta de um novo pacto social na formação do Conselho de Administração, buscando reunir voluntários genuinamente interessados na cultura e na arte, e que possam ajudar a preservar a vocação primeira da Bienal de São Paulo, a de continuar sendo uma reserva de criatividade, conhecimento e pensamento crítico, qualidades próprias da arte. A exposição Bienal de São Paulo surge em 1951, marcando o aparecimento de um projecto civilizatório da elite paulista da época, cujo objetivo era o de fazer de São Paulo um centro da cultura de ressonância mundial. Para que esse espírito primeiro retorne à Bienal, é necessário repensar as motivações de cada conselheiro para fazer parte da Fundação Bienal, bem como repensar a qualidade dos vínculos que a Fundação estabelece actualmente com o meio artístico brasileiro. 



e) Implantar um sector educativo que trabalhe de forma permanente na Fundação Bienal. A falta de continuidade nos programas e actividade da Fundação é o seu ponto mais fraco e vulnerável, com um alto custo financeiro. É como se, a cada edição, começasse tudo do zero! A existência de um núcleo básico funcionando dentro da instituição garantiria uma continuidade de actividades nos intervalos entre as exposições, de modo a despertar e promover o interesse continuado pelos temas e questões em debate na arte contemporânea. A formação e a educação do público para a arte do seu tempo, assim como o aperfeiçamento do meio artístico brasileiro, é de modo inquestionável o principal papel desempenhado pela Bienal de São Paulo ao longo da sua história. Juntamente com o Arquivo Histórico Wanda Svevo, um serviço educativo permanente seria um espaço de reserva de conhecimento e acúmulo de experiência, podendo desenvolver um programa mais efectivo e sistemático junto aos diversos públicos que frequentam a Bienal. Nesse sentido, é importante observar que durante todo o ciclo, houve unanimidade por parte dos participantes quanto ao papel fundamental que a Bienal teve na formação do olhar local. Ou seja, pensar com determinação o sector educativo da Fundação Bienal é tratar com cuidado um dos principais eixos vocacionais da Bienal desde o seu primeiro momento a formação para a arte contemporânea.

f) Uma questão frequentemente abordada pelos convidados era como activar o espaço do pavilhão no Ibirapuera e fazer um melhor uso dos recursos da Fundação Bienal, para além do período da exposição. Como resposta, a parceria entre a Bienal e outras instituições de arte seria um dos passos iniciais, utilizando-se da rede de trabalho, única no país, construída pela Fundação Bienal nos seus 58 anos de história, para transformá-la numa espécie de agência de incentivo à actividade artística no Brasil e promover a sua difusão no exterior. A FBSP poderia trabalhar para se tornar um lugar de apoio e investimento na pesquisa e produção contemporâneas com um programa de residência para artistas, curadores e críticos, algo semelhante às agências governamentais nos países europeus, por exemplo. Nesse quadro, um programa de publicações periódicas também deveria ser considerado.





3) Recomendações do ciclo “Backstage”

Sob coordenação do curador Jacopo Crivelli Visconti, o ciclo “Backstage” reuniu representantes de agências governamentais de países como Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Portugal, Noruega, Grã-Bretanha, Bélgica, Chile e Argentina, que se ocupam do financiamento e apoio à participação de seus artistas em eventos internacionais de artes visuais. Eles são agentes fundamentais para o funcionamento do sistema das bienais, principalmente em relação à sua economia. Devido à especificidade dos profissionais e visando um melhor aproveitamento da oportunidade, o evento foi apenas para convidados, particularmente curadores e directores de instituições culturais. As conversas trataram de questões como a proveniência dos recursos em cada um dos países, os seus objetivos e a definição de programas e estratégias a médio e longo prazo, o papel dessas agências nas novas formas de promoção do nacionalismo no mundo globalizado, as novas lógicas geopolíticas e as variáveis socioeconómicas que as norteiam. Backstage foi uma plataforma privilegiada e original de discussão do sistema globalizado das Bienais.

Nesse encontro foi importante perceber o prestígio que tem a Bienal de São Paulo, juntamente com as bienais de Veneza, Sydney, Istambul e a Documenta, as únicas com apoios assegurados sempre nos orçamentos dessas agências. Entretanto, por falta de planeamento e um calendário ajustado a realização de uma mostra periódica internacional de arte contemporânea, a Bienal de São Paulo perde valiosos recursos de financiamento para as pesquisas de cada curador convidado. A falha foi observada por quase todos os participantes do encontro, que trouxeram à consideração o facto de que muitas vezes a Bienal de São Paulo solicita recursos de última hora, e em desacordo com o calendário financeiro e fiscal de cada uma das organizações. Segundo eles os recursos existem para a Bienal de São Paulo, mas na maioria das vezes ele não é usado no momento certo. Isto para dizer que a Bienal de São Paulo poderia, se de facto o intervalo entre duas bienais fosse integralmente planeado e trabalhado em consonância com essas agências, obter apoio e recursos pelos dois anos.

Nesse encontro foi apontada ainda a necessidade de uma organização semelhante às agências no Brasil, que pudesse fazer uma interface local na rede de trabalho que constitui essas organizações, assessorando-as em questões logísticas e operacionais. Um parceiro representa um aprofundamento nas relações entre os países, ao mesmo tempo em que uma demanda das novas estratégias que movimentam a cooperação entre as nações: bienais, residências de artistas, trabalhos coletivos, intercâmbio. A possibilidade de tomar para si esse papel de articuladora poderia ser considerada pela Fundação Bienal num processo necessário de avaliação e revisão de suas possibilidades de actuação no Brasil e no mundo hoje. Trata-se de assumir um campo de actividades permanentes para a instituição, tendo em vista sua experiência e rede de trabalho constituída.





4) Recomendações do ciclo “Bienais, bienais, bienais...”

Esse ciclo organizado pela curadoria, com a colaboração de Giancarlo Hannud e Marieke van Hal, reuniu directores e/ou curadores das seguintes bienais ou exposições similares: Sydney, Istambul, Manifesta, Palestina, Carnegie International (Pittsburgh, EUA), Angola, InSite (San Diego/Tijuana, EUA/México), Lyon, Sharjah (Emirados Árabes), Bruxelas, São Tomé e Príncipe, Trondheim (Noruega), Berlim, Chile e Mercosul. O encontro tinha como objetivo discutir a proliferação de mostras sazonais, problematizar o modelo e seus procedimentos reguladores, confrontar e trocar experiências e realizações. Ao mesmo tempo, buscava formar para o Arquivo Histórico Wanda Svevo um conjunto de documentos de modo a constituir uma tipologia de bienais, um mapa da cultura das bienais hoje, registando os seus diferentes propósitos, o contexto em que se inscrevem, e seus modos específicos de planeamento e desenvolvimento.

Além do valioso material reunido, descrevendo experiências como a de uma bienal na Faixa de Gaza, ou da sofisticada Bienal de Trondheim, dedicada a escolas de arte, fica como elemento para reflexão uma vez mais o prestígio e a expectativa que existe sempre em torno da Bienal de São Paulo, assegurando-lhe um lugar único e consolidado entre todas elas. O modelo de exposição, “mostra internacional de arte contemporânea” aliado ao nome “bienal”, parece ser ainda uma estratégia eficiente para os mais diversos interesses e agendas ganharem visibilidade internacional, se inscreverem em circuitos políticos, sociais e culturais os mais variados, e com resultados mais ou menos eficazes. Também variam as estruturas administrativas e os recursos financeiros, mas, com maior ou menor peso, quase todas se apoiam ou recorrem aos recursos existentes nas redes e agências internacionais de promoção da cultura, da inclusão social e da educação. 



Não haveria deste encontro uma recomendação específica para o Conselho, a não ser o de registar uma expectativa de que a Fundação Bienal de São Paulo, por seu considerável peso político e cultural, apoie e participe de uma rede de bienais que se está articulando a partir de um núcleo na comunidade europeia, responsável, entre outras actividades, pela mostra Manifesta. Entretanto foi interessante observar que a Bienal de Sydney é, talvez, a que mais se assemelhe à de São Paulo: mostra já tradicional, no Hemisfério Sul, resultado do trabalho em parceria entre a iniciativa privada e a administração pública, e com propósitos muito semelhantes, ainda que com diferentes resultados. Mas o aspecto a ser considerado da experiência australiana é o calendário com que operam. Ao início de cada nova edição da mostra é também anunciado o curador da próxima bienal. Desse modo, o novo curador tem a oportunidade de acompanhar a etapa final de um projeto expositivo, ao mesmo tempo em que é introduzido em uma rede internacional de colaboração e cooperação. Também é importante registar que um grande número dessas bienais desenvolve as suas mostras a partir de um valor pré-estabelecido para cada projeto curatorial. Isso é um factor determinante para as dimensões e ambições do projecto, pois assegura a sua realização em conformidade com o planeamento e a capacidade de captação da instituição responsável. 



Dentro desse ciclo houve ainda dois painéis sob o título “A Bienal de São Paulo vista de fora”. O objectivo era o de trazer ao público brasileiro um pouco da imagem da Bienal de São Paulo no exterior, como ela é vista, qual o papel que tem no conjunto das bienais internacionais e na promoção e difusão da arte contemporânea. Pela primeira vez no Brasil, pode-se ouvir uma multiplicidade de vozes que ofereceram outra cartografia da Bienal através de olhares externos a ela. 



O primeiro painel, organizado por Michael Asbury e com a apresentação de quatro trabalhos especialmente produzidos para a ocasião, trouxe aspectos históricos na construção do lugar da Bienal de São Paulo no cenário internacional como o espaço privilegiado para arte brasileira e latino-americana, e a proposição de novos parâmetros para se pensar o lugar da arte contemporânea. O segundo, organizado pela curadoria, encomendou quatro trabalhos a curadores e académicos da Argentina, Venezuela, Canadá e Alemanha sobre o histórico das representações nacionais desses países em São Paulo, revelando os programas e estratégias adoptados por essas participações desde 1951 e o que elas representavam em termos nacionais e internacionais. O interessante de ambos os painéis foi perceber que a Bienal de São Paulo – independente das crises havidas ao longo da sua história e que são entendidas no exterior como um problema local e afeito exclusivamente à sociedade e à cultura brasileira – é considerada pelas suas realizações e pela mudança que causou na cena artística internacional nos seus quase 60 anos de actividades regulares.





5) Recomendações da Curadoria da 28BSP ao Conselho de Administração da FBSP



A partir do início dos trabalhos de planeamento, implantação e realização da 28ª Bienal de São Paulo, a curadoria concentrou esforços no sentido de registar e analisar cada etapa do processo, de modo a produzir uma espécie de radiografia da instituição Fundação Bienal de São Paulo, para apontar perdas, desvios, sugerir ajustes e eventual reciclagem ou transformação no seu modo de operação, tendo em vista a realização de seu objectivo primeiro, uma mostra periódica de arte contemporânea internacional.

Vale observar ainda que, passados 46 anos da criação da Fundação Bienal de São Paulo, o seu objetivo principal, fazer as bienais de São Paulo, segue sendo muito importante para o meio artístico brasileiro e internacional. Entretanto, considerando as profundas mudanças ocorridas no país, no continente e no mundo desde a I Bienal, em 1951, fica evidente a necessidade de uma reformulação dos processos para a execução de sua actividade principal, assim como levar em conta as demandas por novos serviços no circuito em que ela se inscreve. Isto implica numa reestruturação da sua organização e na implantação de métodos e sistemas para planeamento e gestão em acordo com a realidade do sistema em que operam as instituições culturais hoje.


(…)


6) Conclusão



“Por sua própria definição, a Bienal deveria cumprir duas tarefas principais: colocar a arte moderna do Brasil, não em simples confronto, mas em vivo contacto com a arte do mundo, ao mesmo tempo em que, para São Paulo se buscaria conquistar a posição de centro artístico mundial”.

(Lourival Gomes Machado, “Apresentação”, I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1951, pg. 14).

Com 58 anos de trabalho e história, a Bienal de São Paulo é motivo de orgulho para a cidade, o país, e, principalmente, para todos aqueles que trabalharam e colaboraram com ela ao longo desse tempo. Não há como negar que os objectivos a que a mostra periódica criada em 1951 se propunha, foram plenamente alcançados: São Paulo é um centro artístico internacional e os artistas brasileiros são participantes activos no circuito globalizado das artes visuais hoje. Que papel pode, então, ter agora a Bienal de São Paulo diante de uma nova ordem profissional, técnica, económica, institucional que ela própria ajudou a construir aqui e serviu de modelo em outros lugares? Como ela pode atender as novas demandas do circuito em que se inscreve? Como é que os seus dirigentes e responsáveis pensam o seu futuro? Está claro que ela não pode continuar sendo uma benesse dada ao público por uma acção entre amigos, pois trabalha com dinheiro público. 



Esperamos que esse conjunto de recomendações e sugestões contribua para uma revisão efectiva e actualização da Fundação Bienal de São Paulo. Ela fez-se necessária conforme o consenso geral diante do estado actual da instituição, de defasagem na estrutura e métodos profissionais de trabalho em relação às outras organizações no país e no exterior e à realização de seus próprios objetivos; de perda vocacional e ausência de propósitos e metas claras nos seus programas; de falta de sintonia e representatividade do meio em que opera. Como se pode ver por esse relatório e conjunto de recomendações e sugestões há muitas expectativas no sentido de uma resposta da instituição a todas às inquietações da comunidade artística e intelectual, que se interessa pela instituição, porque ainda acredita no potencial formador e transformador do seu projeto. Espera-se que ela seja uma instituição representativa dessa comunidade, transparente nos seus procedimentos, consistente nos seus objectivos e programas, enfim uma organização preparada, atenta e flexível às demandas e desafios do século XXI.





Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen



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