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PERSPETIVA ATUAL


“World Question Center”, curado por Chuz Martínez


“World Question Center”, curado por Chuz Martínez


“Splendid Isolation”, Atenas, curado por Cay Sophie Rabinowitz: Ettore Sottsass "Metafore" 1972-78, Christodolous Panayiotou "2008", 2008, Willem de Rooij “Silver to Gold”, 2009


Christodolous Panayiotou, “2008”, 2008, em “Splendid Isolation”, Atenas, curado por Cay Sophie Rabinowitz


Ettore Sottsass, “Metafore”, 1972-78, em “Splendid Isolation”, Atenas, curado por Cay Sophie Rabinowitz


Mai-Thu Perret, “Positiveland (Isolation Bungalow Furniture)”, 2006, em “Splendid Isolation”, Atenas, curado por Cay Sophie Rabinowitz


Kenneth Anger, “Lucifer Rising” 1973, em “Hotel Paradis” curado por Nadja Argyropoulou


Zoe Beloff, “The Ideoplastic Materializations of Eva C.” 2004, video still, em “Hotel Paradis” curado por Nadja Argyropoulou


Christian Tomaszewski, “Hunting Pheasants”, 2007-08, em “How many Angels can Dance on the Head of a Pin” curado por Christopher Marinos


Dorothy Iannone, “The Next Great Moment in History is Ours”, 1970 e The Callas, “cccome?”, 2009 em “World Question Center” curado por Chus Martínez


Maria Pask, "Naturist Campsite", 2001 em "World Question Center", curado por Chuz Martínez

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2ª BIENAL DE ATENAS - HEAVEN



PEDRO NEVES MARQUES

2009-11-10




A 2ª Bienal de Atenas, sob o título de “Heaven”, terminou no passado mês de Outubro. O interesse em revisitá-la surge portanto não de uma crítica da exposição em si mesma mas da proposição da bienal, em particular, na sua justaposição com a 11ª Bienal de Istambul que finalizou recentemente.

A 1ª Bienal de Atenas, curada pela equipa que coordena ainda a iniciativa, o grupo curatorial grego XYZ (1), despertou as atenções para Atenas em 2007. A boa recepção do evento preparou assim com alguma expectativa o terreno mediático para a sua segunda volta este Verão, algo para o qual contribuiu igualmente a selecção dos curadores convidados pela XYZ (Nadja Argyropoulou; Diana Baldon; Christopher Marinos; Chus Martínez; Dimitris Papaioannou & Zafos Xagoraris; Cay Sophie Rabinowitz) e a respectiva lista de artistas.

É importante dizer como de facto esta lista apresentou uma certa frescura na inclusão de artistas que têm vindo a ganhar espaço nos últimos anos, como por exemplo e entre outros Rosalind Nashashibi e Lucy Skaer, Athanasios Argianas, Joachim Koester, Mai-Thu Perret ou Michael Stevenson, bem como através da re-exposição de autores como o cineasta checo Jan Svankmajer, o arquitecto e designer italiano Ettore Sottsass ou o americano Kenneth Anger (último dos quais devemos à Zé dos Bois a sua recente passagem por Lisboa). Curiosamente estes últimos marcaram alguns dos momentos altos da Bienal, verdadeiras âncoras conceptuais e de sensibilidade para as restantes propostas em exposição.

Sucintamente, a 2ª Bienal de Atenas estruturou-se em seis momentos expositivos sob o denominador comum de “Heaven”. O título não podia ser mais genérico, mas foi na sombra desta abstracção que os curadores convidados procuraram trabalhar. De pouco serve portanto dizer que o resultado aparentou mais o agrupamento de seis exposições minimamente relacionadas e de cunho autoral do que um todo coeso e conceptualmente vincado. As secções curadas por Chus Martínez e Nadja Argyropoulou em particular eram explícitas na continuação e aprofundamento das pesquisas de cada qual ao invés da procura de um denominador comum – o que não é na verdade pejorativo, nomeadamente por se encontrarem aqui talvez os momentos mais sólidos da Bienal. Esta fragmentação seccionada da exposição, bem como a sua localização em Palaio Falirou na zona balnear de Atenas – distante do centro da cidade e ingratamente localizada entre uma via rodoviária e um centro comercial – dá origem à crítica mais fácil da bienal, e se bem que factores como estes não favorecem a iniciativa é importante ver para lá destes.

Não explicitarei aqui cada um destes seis momentos que pautam a bienal – para tal existe o website da bienal – www.athensbiennial.org – optando antes por criticar em particular os momentos de Chus Martínez, Nadja Argyropoulou e Cay Sophie Rabinowitz.

Abrindo a exposição, “World Question Center”, curado por Martínez com um título retirado a uma peça por James Lee Byars, apresentou um todo unificado pela composição cénica da sala, e era de facto o todo (das peças) que se impunha ao espectador, num diálogo eminentemente retórico entre autores como Thomas Bayrle, Luke Fowler, Natascha Sadr-Haghighian, Maria Pask ou Michel Auder. É certo que se sentia na proposta de Martinez uma base crítica, tão subtil quanto assertiva na simultaneidade de uma arqueologia das Artes como de uma visão singular do Presente: assemelhando-se assim o espaço expositivo a uma espécie de bunker tornado think tank de algo só minimamente intuído ou reconhecível. Esta base vem no seguimento do que a curadora tem vindo a desenvolver nos últimos anos – que não se tenha dúvidas, Martínez é uma das mais pertinentes curadoras europeias, algo que pode ser verificado pelo seu trabalho para a Sala Rekalde, Frankfurter Kunstverein e Macba – mas o resultado espelhou-se figurativamente na cacofonia sonora do espaço a qual impossibilitava o necessária concentração e tempo necessário à maioria das peças expostas. “Nada é mais difícil hoje em dia do que escapar à lógica do ‘para quê’. A lógica da exposição é simples: é pedido a cada artista que apresente um trabalho, uma questão, um hipótese pensada nos seus próprios termos. Ainda assim, a exposição deve constituir-se não pela resposta artística a um tópico, mas pela assemblage entre lógicas de pensamento bastante distintas. Lógicas que, espera-se, auxiliarão o espectador, mas por igual o artista a desenvolver diferentes interpretações do futuro próximo” (2). A proposta de Martínez é tão bem colocada quanto vazia na sua praticabilidade.

“Hotel Paradis”, sob a curadoria de Nadja Argyropoulou, teve como base conceptual o Paraíso enquanto espaço-tempo extra terreno, para lá e em paralelo à morte e na expectativa de uma outra vida: um princípio de desejo. De uma extrema solidez conceptual, a mais vincada da bienal mas por a igual a menos dialéctica na justaposição de propostas, a exposição inscrevia-se no oculto e num certo anseio antropológico de sabedoria ou reconhecimento que tem vindo a ganhar visibilidade nos últimos tempos. Balançando-se entre os filmes de Kenneth Anger e de Jan Svankmajer encontrava-se entre outros “Hotel Palenque” de Robert Smithson e “The Ideoplastic Materializations of Eva C.” de Zoe Beloff, demonstrando com rigor como a procura por modelos do pensamento e (re)conhecimento para lá da lógica e de um positivismo tem a sua história na recente produção da Arte e o quanto esta é sólida. Em particular, a inclusão de Smithson ao lado de um êxtase de peças entre a séanse e o espiritualismo foi gratificante para a complexificação de um artista algo circunscrito pela História da Arte Americana.

No entanto parece ser a secção “Splendid Isolation, Athens” sob a curadoria de Cay Sophie Rabinowitz que melhor representa a bienal e quão difuso o seu resultado acabou por ser. O agrupar de peças por artistas como, entre outros, Christodoulos Panayotou, Mai-Thu Perret, Ryan Macnamara, Willem de Rooij e Ettore Sottsass (com a delicada série de fotografias de monumentos temporários tiradas entre 1972-78, “Metafore”) atribuiu sem dúvida uma tremenda sensibilidade poética à exposição, mas esta apresentou-se em última instância enquanto um agrupar gélido de objectos distribuídos numa sala procurando sustentar-se apenas na referida poética das formas.

Ou seja, num espaço de diálogo entre formas, sensibilidades e metodologias pouco soçobrou da Bienal que o encontro entre peças de estéticas aprazíveis, bem colocadas e com noção da situação actual em que parte da arte contemporânea (pelo menos europeia) se encontra: uma fragmentação de estéticas entre Passado, Presente e Futuro, entre a arqueologia e a futurologia, procurando no entretanto uma qualquer posição política da actualidade. O feito não é pouco; encontrarmo-nos no interior deste movimento por natureza difuso deve ser algo encarado com entusiasmo mas sem celeridade; e a qualidade foi extremamente elevada em Atenas. Mas a sensação que fica do projecto curatorial – e não necessariamente dos artistas – é precisamente a de uma disparidade e de uma falta de enraizamento, de proposta.

Para mal ou para bem (dos artistas) as bienais são momentos de curadoria. Onde é a curadoria na sua relação com a Arte que se eleva à discussão. Entre a 2ª Bienal de Atenas e a 11ª Bienal de Istambul a primeira destacou-se talvez pela instabilidade do momento, isto é, pela noção das direcções mas em simultâneo pela falta de sentido ou para onde estas nos portam; a segunda pelo assumir de uma posição e de um enquadramento crítico tão em falta no borbulhar de bienais. Se Atenas se posicionou na apreciação da autonomia da Arte como integralmente política, esta não deixou se ver assombrada pela vertigem de um autismo dessa autonomia. Em contraponto, Istambul teve a virtude de uma visão crítica da actualidade enraizada na condição pós-comunista na qual vivemos, mas no ar pairou a sombra do quão evidente foi o completo desajuste, senão mesmo ingenuidade, das propostas artísticas na sua expectativa de eficácia política perante os objectivos curatoriais da Bienal.

Em suma, entre uma e outra o que ressalta é a explícita desadequação dos modelos expositivos em si mesmos. Que é o próprio modo de fazer a crítica e exposição, em suma o diálogo entre a proposta e o público, que é preciso reavaliar se o que se pretende é um posicionar vincado do formato bienal – o qual de resto, contra diversas críticas e reconhecendo a sua saturação, me parece ainda assim um formato essencial ao reunir de discussões eminentes à prática artística e a uma noção das exigências e direcções dos tempos. Em ambas foi gratificante sentir a vitalidade das propostas, uma certa energia e vontade, quando comparadas com produções como Veneza. Mas enquanto não for pensado criteriosamente o formato bienal em si mesmo tal não é o suficiente para marcar um diferença curatorial – se o que se pretende é, como foi tão evidente em Istambul, a criação temporária de um centro de reflexão e crítica para lá da mera exposição. A Manifesta 6 (3), abortada a poucos meses da sua inauguração em Chipre em 2006, perpetua o seu assombramento.


Pedro N. Marques



NOTAS
(1) O XYZ é constituído por Xenia Kalpaktsoglou, Poka-Yio e Augustine Zenakos.
(2) “Nothing is more difficult nowadays than to escape the logic of the ‘what for’. The logic of the show is simple: every one of the artists is requested to submit a work, a question, a thinking hypothesis in their own terms. Nonetheless, the show should be here conceived not from the artistic response to a topic, but as an assemblage of very different thinking logics. Logics that hopefully will help the viewer, but also the artists to develop further different interpretations of the near future.”, excerto do parágrafo de apresentação da secção “World Question Center”, por Chus Martínez, trad. autor.
(3) Tendo sido seleccionada a cidade de Nicósia no Chipre como o local da sexta edição da Bienal Manifesta, a qual se dá em diferentes regiões a cada edição, a equipa curatorial composta por Anton Vidoke, Florian Waldvogel e Mai Abu EIDahab decidiu montar uma escola temporária, com diferentes secções centradas em conferências, workshops, encontros e publicações, na cidade ao invés de recorrer a um modelo expositivo. A bienal foi no entanto cancelada a menos de dois meses da sua prevista inauguração a 23 de Setembro 2006 por decisão da Nicosa for Art Limited (entidade representativa do município da cidade e dos ministros da cultura e da educação cipriotas), não chegando como tal a ser realizada.