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Michael Noll, Four computer-generated random patterns based on the composition criteria of Mondrian\'s Composition With Lines, 1965


Michael Noll, Ninety Parallel Sinusoids With Linearly Increasing Period, inícios 1960s


Harm van den Dorpel, Event Listeners, 2015 (captura de ecrã)


Harm van den Dorpel, Event Listeners, 2015 (captura de ecrã)


Vienna Bienal 2015 – Ideas for Change


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ARTE DIGITAL E MUSEUS: UMA NOVA ERA



PATRÍCIA PRIOR

2015-06-20






Uma das primeiras exposições que marca o início da era digital foi a mostra intitulada Computer-Generated Pictures, que se realizou em abril de 1965, na Galeria Howard Wise, em Nova Iorque (galeria inaugurada em 1960 e encerrada em 1970). Howard Wise foi um percursor da arte digital nos anos de 1970 e 1980 e uma importante figura no desenvolvimento da vídeo arte. As obras apresentadas na referida exposição dos cientistas Bela Julesz e Michael Noll eram pinturas em 2-D, geradas por computadores, e outras em 3-D, que eram vistas com uns "óculos especiais". Algumas delas em série davam a ilusão de ver uma escultura de diferentes pontos de vista. Contudo, foi a partir da Op Art – movimento relacionado com uma ideia de geometria abstratizante que cria ilusões óticas – que os trabalhos de Michael Noll se desenvolveram, com base por exemplo nas pinturas da artista britânica Bridget Riley, que curiosamente foi reconhecida internacionalmente também em 1965 na exposição The Responsive Eye, no MoMA, também em Nova Iorque. Noll gerou padrões em computador simulando pinturas de Riley, que se tornaram bastante conhecidas e que lhe permitiram estudar a estética visual da década de 1960.


Já neste ano a imprensa norte-americana pronunciava-se sobre os progressos do computador como tecnologia para os artistas e nos baixos custos, que no futuro permitiriam o avanço desta forma de arte [1].


Cinquenta anos passados e eis que o Museu das Artes Aplicadas de Viena (MAK), em comunicado do dia 23 de abril de 2015, anunciou a compra de uma obra de arte digital, um "Secreensaver", com Bitcoin, a criptomoeda apenas digital e independente de uma instituição financeira, que usa a criptografia para as funções de segurança. A obra Event Listeners (2015) de Harm van den Dorpel (Zaandam, Holanda, 1981) – artista que estudou Inteligência Artificial em Amesterdão – vai ser em breve apresentada na Bienal de Viena 2015 intitulada Ideas for Change (de 11 de junho a 4 de outubro), na exposição coletiva 24/7 The Human Condition. Dorpel participou anteriormente numa exposição online do New Museum de Nova Iorque, num projeto que se realiza desde 2012 e que consiste na produção de exposições online (www.newmuseum.org/exhibitions/online). Uma grande parte do trabalho do artista holandês existe online em sistemas de informação que programa. As suas obras estão inseridas em sistemas de linguagem, produção artística e internet, em que os vírus, literal e figurativamente, estão reproduzidos.


No press release de apresentação, o MAK designa este ato como uma nova forma de colecionar na era digital. O MAK é assim o primeiro museu do mundo a adquirir uma obra digital autenticada através da galeria online www.cointemporary.com (fundada pelos artistas Valentin Ruhry e Andy Boote) e detém os direitos de propriedade e autenticação gravados no "ascribe" – um registo de propriedade – isto é, um registo digital de propriedade que usa a tecnologia que potencia a Bitcoin.


Partindo da definição de arte digital do Austin Museum of Digital Art (primeiro museu dedicado exclusivamente a mostrar arte digital), a arte digital é a arte que usa a tecnologia digital de três formas: como produto (obra que no resultado final deve ser vista numa plataforma digital, num computador ou noutro suporte eletrónico), como processo (criada através de um médium digital, como um software), ou como objeto. A arte digital em si mesma ganha forma com base num script codificado e pode ser facilmente transmitida, via email, ficheiros de vídeo, ou mesmo no Facebook, em videoconferências, em ficheiros áudio, entre outros.


Contudo, a dificuldade em vender e controlar a produção da arte digital é uma questão que se tem levantado. Como manter a propriedade e a autoria nas produções artísticas a partir do digital?

As obras digitais não são materializáveis per se, por isso continuam a ser não apropriáveis no sentido físico. É neste sentido que vão surgindo algumas problemáticas: como definir status e valor das imagens digitais (códigos binários que produzem representações visuais)? Ou como definir uma imagem digital como original, se em segundos pode ser duplicada infinitamente? Como vender/comprar estas imagens e depois armazená-las e manter a sua autenticidade?


As respostas chegaram o ano passado de Berlim. Fundada em agosto de 2014 por Trent McConaghy, Bruce Pon e Masha McConaghy, o "ascribe" (www.ascribe.io) foi construído para promover a interação da arte digital com o mercado da arte, as plataformas educacionais, os arquivos e as coleções. É um meio que permite desenvolver a prática da arte digital, as comunidades e as instituições envolvidas de forma segura e mantendo a propriedade intelectual e a autoria, numa época em que estes valores são colocados em situações que o meio digital pode dificultar.


Artistas, instituições museológicas, colecionadores, ou galerias podem usar este meio para transferir obras em formato digital, registadas devidamente nesta plataforma. O “ascribe” automaticamente atualiza o formato digital, mantendo-se em linha com os mais recentes formatos.


Uma obra é registada e de seguida o ficheiro é arquivado na cloud, servindo como arquivo para o artista, contendo toda a informação que o autor quiser adicionar à obra: título, data de início e fim da produção da obra, historial expositivo, propriedade, anexação de ficheiros relacionados com a obra, etc., mas sobretudo, é um meio eficaz de preservação da obra.


Através de um “selo” que assegura a existência da obra de arte, de uma potência criptográfica e baseado nas novas tecnologias, o título e a proveniência são gravados e protegidos. Existem preceitos legais para ações relacionados com copyrights e direitos de autor da propriedade digital. Este sistema permite proteger os direitos dos copyrights dos autores/criadores contra a violação e o direito de comercialização. O registo, licença e transferência do copyright são pensados e assegurados pelo “ascribe”. Os artistas podem fazer upload de uma obra em formato digital e cada edição da obra recebe um único número de identificação criptado que é inseparável do original. Assim, a segurança da propriedade está assegurada num trusted ledger – a bitcoin blockchain, ou seja, uma “cadeia de blocos” que funciona como um banco de dados que regista as transações da bitcoin. O blockchain pode ser visto como uma base de dados onde qualquer pessoa pode adicionar informação, mas não é possível eliminá-la.


Colecionar arte como pinturas, esculturas, ou desenhos, teve o seu desenvolvimento a nível da armazenagem física ao longo das últimas décadas. Os novos programas de gestão de coleções permitem controlar e gerir as obras de uma coleção e a autoria e autenticidade de uma obra não é comummente posta em causa. A assinatura na obra, fisicamente, autentifica uma obra automaticamente, embora sempre tenha havido falsos…


Como procurámos demonstrar, a arte digital não tem essa facilidade da obra de arte "física", ao nível do mercado da arte, mas também da sua preservação, armazenamento e autenticidade, questões que os museus têm procurado responder atualmente. Como manter a proveniência registada de um ficheiro digital, se o ficheiro pode ser copiado? Para o mundo artístico tentar introduzir fisicalidade numa obra digital tem sido um dos objetivos principais, a que o MAK de Viena veio dar um sinal positivo de arranque de um sistema, de uma solução bem conseguida.


Sobre as novas memórias e os arquivos do futuro (que já são presente), pois é isso que aqui destacámos, há uma série de autores que trabalham estes temas e que procuram refletir a melhor forma de preservação de conteúdos digitais. O recente livro Digital Preservation for Libraries, Archives, and Museums de Eduardo Corrado e Heather Lea Moulaison é um bom exemplo.

Em modo de síntese e como refere a autora norte-americana Marita Sturken, a relação do poder da tecnologia na nossa cultura atual jamais pode ser ignorado.




Patrícia Prior




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Notas


[1] Para mais informação ver o sítio Digital Art Museum e o artigo do próprio artista Michael Noll de homenagem a esta exposição Computer-Generated Pictures (Consultados em maio de 2015).