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PUNTI LUMINOSI E A PERCEPÇÃO DO CONTÍNUO



ANA BARROSO

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“(...)

Quais rosas, no âmbar mágico, a compor

Rubribordadas de ouro, só

Uma substância e cor

Desafiando o tempo.”


Envoi Ezra Pound




Já se sabe que começar pelo princípio é o mais difícil. Não será certamente essa a intenção primeira quando se regressa ao arquivo, até porque no confronto com a obra de arte suspensa do tempo e da percepção atuais (literalmente), o artista inspira-se na sua incompletude para a valorizar de forma inequívoca: nela e com ela convoca o fragmento e a totalidade, o passado e o presente, a noite e o dia. O arquivo assume-se, portanto, como um catalisador de conhecimento, memória, experiência e criatividade. Tudo está em tudo, sem contornos definidos, o conceito e a presença física.

A exposição temporária “Devolver a Vista”, patente na casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, organiza-se e pensa-se em torno da importância do arquivo na criatividade contemporânea e cria um diálogo com peças de mobiliário, pintura e cerâmica da coleção do médico oftalmologista. “Devolver a Vista” recorre-se da sua literalidade (na sala do primeiro andar estão expostas várias revistas de oftalmologia usadas por Anastácio Gonçalves na sua prática médica) e desenvolve-se numa pulsão pessoal e idiossincrática para se materializar numa instalação sonora (Miguel Sá, sala de entrada), impressões digitais e modelos em gesso (Marta Galvão Lucas, sala grande) e diapositivos, fotografias e vídeo (Paulo T. Silva, sala pequena e sala do primeiro andar).

As peças clássicas do arquivo entram em diálogo com as novas tecnologias e coexistem num tempo não cronológico, mas estético. Se o homem pertence irrevogavelmente ao seu tempo, pode procurar uma não coincidência com ele, no sentido de que existe um outro tempo, para além do aqui e agora. A continuidade da instalação de Miguel Sá (a instalação está pensada e montada para estar em funcionamento contínuo, isto é, para além do horário de visita, mas ativa 24 horas por dia durante toda a duração da exposição e incorpora um armário em madeira do século XVII). O som contínuo é também a memória de outros tempos (passado e futuro) e inscreve a música como arte de impossível fixação. Miguel Sá concorda: “Concordo absolutamente. A edição de Rodney Graham Parsifal (1882 – 38,969,364,735) que aborda a questão ambígua da autoria, da repetição ou loop, da importância do suplemento e da continuidade, poderá ajudar a contextualizar a peça. André Gonçalves da ADDAC System, a meu pedido, construiu um sintetizador modular que tornou o objectivo inicial exequível - uma peça sonora que "toca" ininterruptamente, desde a inauguração à finissage e que permite o aditamento de novos sons (gravações de campo dentro e fora da CMAG, excertos do ciclo de concertos que vai decorrendo ao longo da exposição) enquanto é reproduzida - dia e noite.” A peça protege-se pela composição em loop, tal como a vida se protege pela repetição. O visitante é quem decide o tempo de permanência com a obra.

A exposição inclui também uma série de concertos que acontecem junto ao crepúsculo, momentos que retomam a singularidade do momento na imbricação da lonjura da instalação. O ciclo de concertos no âmbito da exposição teve início em Dezembro de 2015 e prolonga-se até Março de 2016. A programação, Miguel Sá em parceria com a editora Shhpuma, teve como mote o ensaio sobre "A verdadeira arte de tocar instrumentos de tecla" (1753) de Carl Philipp Emanuel Bach. Até ao momento, podemos assistir aos concertos de André Gonçalves & Rodrigo Pinheiro, Rafael Toral, Joana Gama & Luís Fernandes, Tiago Sousa. Em breve, estará disponível no site informação sobre os concertos a decorrer em Fevereiro e Março.


Se Agamben definiu a contemporaneidade como uma relação singular com o próprio tempo, que adere e se distancia deste ao mesmo tempo, o trabalho exposto por Marta Galvão Lucas reforça a ideia do filósofo italiano. Dos potes de cerâmica chinesa do séc. XVIII aos modelos incompletos em gesso, o visitante pode ver e auferir de procedimentos na criação artística, construção física e em presença, cada vez mais importante numa época de voragem do virtual.

O tema da cegueira é um tema clássico que perpassa a história e a arte. A cegueira pode ser total ou parcial, mas é ela que impede a luz de entrar, impossibilita a definição dos contornos, a revelação da verdade. A sombra inerente à obra (aqui por estar escondida do olhar humano) vem dar lugar a uma vontade de se mostrar e de revelar. Desvenda-lhe o pormenor, devolve o fragmento ao seu lugar originário importante na fruição e compreensão da obra. Os diapositivos de Paulo T. Silva reinterpretam as pinturas e desenhos de Boudin, Guardi e Domingos Sequeira. Aqui as possibilidades da tecnologia dão a ver ao olho humano o que este normalmente não poderia alcançar: ou por mera incapacidade ou por falta de atenção. O pormenor esconde-se na imensidão e é necessário iluminá-lo para que ele também possa dar um outro sentido ao todo. É como a floresta: densa, fechada e escura que vamos encontrar na sala do primeiro andar. Mas também a floresta que inspira o artista (o próprio Courbet tem várias obras sobre o tema). O olhar que perscrute aquela árvore, aquele fio de luz enfiado num ramo, um charco castanho e quase impercetível.

Devolver aos sentidos os lugares imaginários onde ainda não se esteve. Pontos de luz a brilhar no escuro. Um mundo em visita.


 


Ana Barroso


 


:::

 

Exposição


Devolver a Vista

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

18 Dezembro a 27 Março


 


Concerto de Tiago Sousa (excerto):



Tiago Sousa - concerto CMAG ”Devolver a Vista” 28/1/2016 


 


Próximo concerto: dia 17 de março, 19h: Lower trio (Vitor Rua, Miguel Sá e Fernando Fadigas)