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Fotografia: Namalimba Coelho.
















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A MINHA CARTA (ADIADA) PARA MALICK SIDIBÉ



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Há dois anos, precisamente por esta altura, planeei uma viagem ao Mali, para realizar um dos meus sonhos. Sim, sou daquelas que acredita que temos de ser nós a ir até eles. Foi em maio de 2014, cheguei a ter tudo organizado. Ia viajar para Dakar, tendo previsto fazer a ligação a Bamako por camioneta, visto ser a única solução viável, dentro das opções disponíveis na altura, já que, também queria aproveitar para visitar a Bienal de arte de Dakar, que inaugurava nessa mesma semana. Os voos para Bamako, a partir de Lisboa e Dakar, eram caríssimos e escassos; a ligação por comboio há muitos anos que deixara de funcionar; e a única solução, real e imediata, era fazer a viagem por camioneta, em condições que preferia nem imaginar, tendo em conta os relatos que fui lendo quando pesquisava sobre as aventuras a que me iria propor no contexto da mesma. Mas, nem isso me impedira na altura, já que, as experiências mais incríveis que recordo ter concretizado na vida foram nestas circunstâncias e em consequência destes rasgos de atitude. Entretanto, a vida real daqui impôs-se, e eu deixei, e, por motivos que me ultrapassavam, acabei por desmarcar a viagem, o hotel, que já tinha reservado, o imaginário com o qual adormecia todas as noites enquanto contava, entusiasmadamente, os dias para o início desta minha tão querida e esperada viagem, adiando com ela a concretização de mais um sonho que então me propus realizar.


Mas, houve um detalhe, o principal, o mais mágico de todos, o que me movia a fazer esta viagem... a viagem que originou a viagem. O nunca o adiei. O primeiro momento que fiz questão de materializar, em antecipação da concretização deste sonho. O que deu origem a toda a possibilidade de tornar real esta minha tão sonhada aventura. Uma carta... A Carta... manuscrita, destinada ao mestre Malick Sidibé, juntamente com o envelope, que planeava enviar-lhe por correio, com a morada do estúdio, como forma de anunciar que o iria visitar, apresentando-me, mesmo sem ele me conhecer, mesmo sem eu o conhecer, arriscando-me a lá chegar sem ele nunca a ter recebido, sem ele nunca me receber, mas o importante era, começar por concretizar esse primeiro passo, o de escrever a carta e preparar o envelope que seguiria para o Studio Sidibé, a partilhar com o mestre que, a Namalimba, desconhecida, iria chegar em breve, para concretizar um sonho - o de o conhecer e ao Studio Sidibé, para sentir e descobrir, ao vivo e a cores, todo aquele imaginário da fotografia africana feita por ele, que fui desde sempre acompanhando, à distância e em teoria.


Tinha muita esperança e vontade de conhecer o mestre, no seu espaço sagrado, rendida a todos aqueles cenários, que davam vida a cada uma das sessões que realizou ao longo das cinco décadas em que retratou a cultura popular local do Mali. Aquele estúdio que, para mim, simboliza um altar, com a certeza de que, quando o pisasse, iria fechar os olhos e conseguir reproduzir, na minha memória, cada uma das centenas de imagens que vou gravando do imaginário Sidibé. Momentos únicos, que retratam décadas e décadas de uma identidade social do quotidiano do Mali, com uma linguagem visual tão própria, tão forte, tão idiossincrática, com o cunho inconfundível do mestre Sidibé. Os retratos, a preto e branco, mas que nos fazem viajar por um caleidoscópio imaginário de cores, padrões, expressões que, foram dando vida aos inesquecíveis cenários preparados no estúdio, permitindo contar a própria história das histórias que ali se foram captando ao longo dos tempos. Consigo visualizar tudo isso, na minha memória, com tanta intensidade, como se tivesse lá estado, vivido, sentido, feito parte daquele imaginário que nunca cheguei a conhecer por ter adiado demasiado.


Esperei o momento ideal, fui protelando... joguei com o tempo, o meu e o dele.


Ao desmarcar a viagem em maio de 2014, pensei na possibilidade de a remarcar para novembro de 2015, por ocasião da então muito aguardada edição da bienal de fotografia africana, "Les Rencontres de Bamako", da qual Malick é um dos percursores. Em novembro, uma vez mais, adiei, pois a instabilidade política no Mali intensificou-se e, também eu, voltei a permitir-me adiar este sonho, por esta e outras circunstâncias de vida que, uma vez mais, me fizeram reportar no tempo esta oportunidade, que agora se perde, no dia 14 de abril, com o triste anúncio do desaparecimento de Malick Sidibé, aos 80 anos de vida.


Resta-me a carta e o envelope, que guardarei no coração e no pensamento, lamentando ter adiado tanto, até perdermos o lendário e eterno Mestre.


RIP Malick Sidibé. “L’oeil de Bamako” 1936 – 2016


 


Namalimba, a desconhecida.