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JULIA FLAMINGO

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Se a luta das minorias brasileiras pelos seus direitos vem aumentando - seja ela ressoada por vozes de mulheres, negros, a comunidade LGBTQI, entre outros – as manifestações de preconceito contra esses grupos não diminuiu e parecem até mais escancaradas pelos quatro cantos do país. Em pleno ano eleitoral, vê-se a ascensão e grande aceitação de um presidenciável cujas palavras de preconceito e ódio incitam cada vez mais a segregação. Num momento em que manchetes de jornais se enchem de matérias sobre feminicídio e assassinatos à revelia de negros inocentes, é cada vez mais importante que o assunto seja esgotado, polemizado e discutido. Seja por meio da política, da mídia, das redes sociais e seus influenciadores, da academia ou da arte: no Brasil, é mais do que necessário falar sobre preconceito.

A mega-exposição “Histórias Afro-Atlânticas” chega, então, neste contexto como uma contribuição cultural e histórica para o debate. Ela é organizada pelo MASP - Museu de Arte de São Paulo e Instituto Tomie Ohtake, duas das maiores instituições culturais brasileiras e sucesso de público em São Paulo, que se viram responsáveis por protagonizar a mostra que enalteça o passado afro-atlântico brasileiro e reitere a importância e o valor da sua presença na contemporaneidade. Afinal, o país recebeu cerca de 46% dos 11 milhões de africanos que foram escravizados na América, durante mais de 300 anos.

Com o projeto curatorial desenhado por Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo, a exposição segue uma tese clara: fazer um passeio intenso pela presença afro-americana na arte desde o século 16 até os dias atuais. Os 450 trabalhos de 214 artistas parecem cumprir bem a proposta dos curadores – como, porém, uma tarefa didática. Um número exacerbado de obras, que vão da escultura à pintura, passando por fotografia e instalação, substitui a sua qualidade e a vontade de admirá-los. A nobre e justa vontade de enaltecer a produção afro-atlântica cai num lugar quase caricata, onde o esforço de seguir à risca seu objetivo educativo, torna a exposição tradicional, formal e impassível.

Mas, é claro, que a coleção é permeada por ótimos destaques. A começar pela instalação do ganês Ibrahim Mahama, um dos grandes nomes da Documenta de Kassel de 2017. Na entrada do MASP, uma instalação feita com sacos de juta e sucata remete aos sacos usados para transportar cacau de Gana para outros países do mundo. Trabalho e deslocamento são, então, as palavras-chave suscitadas por “Hamida” e que regem grande parte da exposição. Outra boa surpresa é a colagem sobre pintura do americano Benny Andrews. Filho de colhedores de algodão, ele nasceu na Geórgia, região nos Estados Unidos onde a segregação racial foi especialmente violenta. Em 1969, Andrews foi responsável pelo boicote de uma exposição no Metropolitan, em Nova York, que integrada apenas por artistas brancos, contribuía para a manutenção de uma visão idealizada do negro. No MASP, ele assina a obra “Harlem EUA (Série Migrante)”, uma cena cotidiana no bairro negro nova-iorquino, que salta (literalmente) aos olhos quando se chega perto e percebe que muitos dos detalhes ganharam uma tridimensionalidade com a colagem sobre tinta.

 

Flávio Cerqueira, Amnésia.

 

Entre as pinturas de Rugendas, alemão que retratou o Brasil nos anos 1820, Albert Eckhout, holandês que junto com Frans Post recebeu a tarefa de retratar o nordeste do Brasil em 1637, além de retratos assinados pelos brasileiros Arthur Timótheo da Costa e Antônio Rafael Pinto Bandeira, estão as telas do contemporâneo Dalton Paula, e a escultura de Flávio Cerqueira, ambos brasileiros destacados atualmente pelas excelentes obras acerca de temas relacionados ao preconceito racial. Assinadas por Dalton Paula, as pinturas “Zeferina” e “João de Deus” trazem à luz dois líderes negros esquecidos pela história brasileira: ambos planejaram importantes levantes entre escravos e foram mortos na época. E o pior é que foram esquecidos pela história. Conhecido por suas esculturas em bronze, o paulistano Flávio Cerqueira apresenta “Amnésia”, uma criança que joga um balde de tinta branca em si mesmo: maneira ao mesmo tempo poética e incisiva para falar sobre o embranquecimento da população negra.

A exposição faz parte de uma onda de mostras pelo Brasil relacionadas à cultura africana ou afro-brasileira, que se volta para a história em busca de compreensão, empatia e resiliência (palavra que vem sendo bastante resgatada por aqui). Outras instituições paulistanas - como o Instituto Moreira Salles, o Sesc 24 de Maio, o Centro Cultural Banco de Brasil, o Museu Afro, para citar algumas – fizeram ainda este ano exposições com temáticas semelhantes. Para esta exposição no MASP e Instituto Tomie Ohtake, porém, faltou criatividade e sofisticação para tratar de um tema tão polêmico e atual: a mostra não consegue acompanhar a discussão tão fervorosa e mutante e não dá espaço para que o público possa enriquecer seu repertório com novas interpretações – mas oferece uma visão enrijecida e sobre o tema.

 

 

 

Julia Flamingo 
Nascida em São Paulo, Brasil, é formada em Jornalismo e História. Comanda o site Bigorna – um olhar generoso sobre a arte atual (bigorna.art.br). Colabora como repórter de artes visuais para veículos nacionais e estrangeiros. Trabalhou como repórter e crítica de arte da revista Veja São Paulo entre os anos de 2015 e 2017 e foi assessora de eventos como SP-Arte e Bienal de São Paulo.