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Alexandre Cabrita, Galeria Minimal. Fotografia: Jean Breschand


Alexandre Cabrita, Galeria Minimal. Fotografia: Jean Breschand


Gerardo Burmester, Galeria Fernando Santos. Fotografia: Jean Breschand


Siza Vieira, Galeria Da Miguel Bombarda. Fotografia: Jean Breschand


Miguel Flor, Artes em Partes. Fotografia: Jean Breschand

IN.TRANSIT. Fotografia: Jean Breschand" data-lightbox="image-1">
André Alves, IN.TRANSIT. Fotografia: Jean Breschand


Cristina Mateus, Galeria Fernando Santos. Fotografia: Jean Breschand


Armando Ferraz, Galeria Graça Brandão. Fotografia: Jean Breschand


Luís Filipe Santos, Galeria Plumba. Fotografia: Jean Breschand

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INAUGURAÇÕES SIMULTÂNEAS_SÁBADO 13, PORTO



SÍLVIA GUERRA

2007-01-16




As galerias de arte da cidade do Porto concentradas na Rua Miguel Bombarda e nas suas artérias periféricas optaram por uma estratégia de inaugurações simultâneas desde o final dos anos 90. Esta estratégia adoptada na maioria das capitais europeias e algumas cidades americanas, nos seus quarteirões de shopping artístico, permite uma tarde de festa em que os cocktails de inauguração destilam um movimento giratório de visitas às exposições entre artistas participantes, compradores afirmados e a geração da cultura contemporânea. Como se toda uma rua ou quarteirão fosse uma única casa com muitas portas.

Lembro-me de ver no início dos anos 2000 o ícone musical Jay Jay Johansen a estacionar o seu Ferrari na Rue Louise Weiss em Paris e partilhar com desconhecidos o “ pastis” das inaugurações de arte contemporânea. Esta artéria do XIII arrondissement parisiense foi a escolha alternativa à concentração das galerias no Marais (IV arrondissement); hoje as suas inaugurações simultâneas tornaram-se decadentes e nem uma exposição de Joseph Kosuth na Galerie Almine Rech reanima o “not-in” do local. A migração faz-se, no entanto, dentro da própria cidade com fluorescências na zona da Bastille (XI arrondissement) e supremacia ainda na zona vizinha a Beaubourg.

O Porto, capital da burguesia portuguesa, com tradições de linhagem clássica ou industrial do litoral nortenho mantém o seu núcleo artístico na Rua Miguel Bombarda. Ao contrário da dispersão galerística da capital, aqui a moda das inaugurações simultâneas de fins dos anos 90 mantém-se para tentar aglutinar o público. Porém o fenómeno de migração faz-se não entre quarteirões como em Paris mas entre as nossas duas grandes cidades: Porto e Lisboa. Devido ao decréscimo de compradores nas galerias da Invicta algumas delas abriram recentemente filiais em Lisboa: a Galeria Quadrado Azul, a Galeria Fernando Santos, a Presença e a Graça Brandão.

Sábado, 17.30 horas: Na escuridão fria do início da Rua Miguel Bombarda vêem-se pequenas deslocações entre portas iluminadas: começo pela Galeria Minimal que apresenta os trabalhos de Alexandre Cabrita. “Batman em Bombaim”, pinturas, a óleo sobre tela. A preto e branco o não-herói de Antonioni sentado no passeio medita sobre o estado do cinema em pintura. Podemos questionar o porquê desta transposição da imagem cinematográfica para o suporte pictórico, do ecrã rectangular para a tela quadrada ou o reactualizar da iconografia dos anos 70 a cores e a sua transposição para o bicolor. Continuo pelo belíssimo espaço da oficina abandonada da galeria Fernando Santos que apresenta diversas obras de Gerardo Burmester onde sobressai a grande instalação que parece celebrar o círculo sagrado da estante alquímica do artista, porém o verdadeiro nome da obra é “O Império do aborrecimento – 2ª parte”; as obras do mesmo autor expostas no outro espaço da galeria contrariam o seu outro título “o frio aumenta com a claridade”.

Uma passagem pelo espaço extremamente acolhedor das Cirurgias Urbanas onde se expõe o álbum de viagem da fotógrafa Mariana Cortesão.
Prosseguimos já em cortejo de amigos até a um novo espaço, a Galeria Da Miguel Bombarda, e dentro da parede vitrine vemos Álvaro Siza, o nosso caro Pater Familias da arquitectura a assinar serigrafias e autografar desenhos; a galeria expôs na sua inauguração exclusivamente trabalhos em desenho, escultura e tapeçaria do arquitecto – e todas as obras estavam vendidas.
Fui calorosamente acolhida por um dos galeristas históricos da cidade do Porto, respeitado por diversas gerações de artistas, comissários e compradores pelo seu profissionalismo, o director da galeria Quadrado Azul, que me concedeu uma visita guiada pelas obras da sua colectiva de artistas: de Artur Barrio a Francisco Tropa.
O edifício Artes em Partes fervilha de animação como é habitual nestes dias festivos e no rés-do-chão o designer de moda Miguel Flor expõe uma extensão da sua obra em texturas de tecido, no projecto “Materia Print” uma impressão a cor, da massa humana de uma discoteca, aglutinada numa trama tecnológica.
Subimos ao segundo andar e no projecto IN.TRANSIT vemos o trabalho de André Alves - “ Coisa, controlada pelo medo de identificação ou elmo ”. Esta entidade “Coisa” preenche todo o espaço criando volumetrias quase barrocas em papel craft; o Ser apropriou-se da sala onde vive sendo os desenhos apolíneos, nos muros, quase desmistificadores da presença oculta que se esconde na instalação em papel sem escrita. Esta intervenção no espaço de André Alves lembra-nos o mistério das ficções de Maria Gabriela Llansol.

Atravessamos a Rua para entrar no “Atelier Minimo” de Armando Ferraz ou no mundo íntimo do artista decomposto a X-acto.
Vemos os diálogos impressos como uma legenda de filme mudo, de viagem suburbana filmada em vídeo por Cristina Mateus no terceiro espaço da galeria Fernando Santos e na galeria Serpente temos as fotografias de Douglas Kirkland que nos faz salutarmente sair do panorama artístico nacional.
Na galeria Presença, a instalação de Mário Pires Cordeiro desafia com a sua iconografia “futuro-digital” os seculares estandartes de cortejos nacionais e festas populares minhotas.
Segui numa corrida até à galeria Plumba pois às 20.00 horas as portas fechavam para ver aeroplanos ou a recordação de outra migração oceânica de Carlos Drummond de Andrade - o seu planador glosado por Luís Filipe Santos em “du monde ordinaire” (pintura, imagem fixa digital e escultura).
Termino a tarde a discutir com o galerista da Plumba sobre estas migrações de norte a sul do país e de outras viagens com o artista exposto.

Infelizmente o meu périplo não foi exaustivo, faltou-me ver a galeria 111, a Arthobler, entre outras, mas nesta visita “zapping” notei que a pintura ainda predomina como objecto artístico de venda e, por vezes, como no caso das obras de Ana Léon marcadamente datada nos anos 80 (Serralves com a sua retrospectiva ali tão perto…) ou as esculturas de juventude de Siza Vieira, surgem duas ou três instalações de grandes dimensões; mas a arte vídeo esteve ausente.
Concluindo as obras estetizantes tem a supremacia.

O ambiente estava relativamente tranquilo nestas inaugurações de sábado no Porto: questionava-se a tranferência das galerias para Lisboa, mas sentia-se o surgir dum certo espírito corporativo entre galerias que, na cidade dos comerciantes sempre existiu entre comerciantes para lutar contra o desaparecimento da Rua dos Galeristas como outrora os Douradores da sua Rua.


Sílvia Guerra
Crítica independente