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Houellebecq, “Le monde n'est pas un panorama”, 2007. Versão dum cenário do filme adaptado pelo autor a partir do seu próprio romance “La possibilité d’une île”, publicado em 2005. Esculturas de Rosema


Houellebecq, “Le monde n'est pas un panorama”, 2007. Versão dum cenário do filme adaptado pelo autor a partir do seu próprio romance “La possibilité d’une île”, publicado em 2005. Esculturas de Rosema


Houellebecq, “Le monde n'est pas un panorama”, 2007. Versão dum cenário do filme adaptado pelo autor a partir do seu próprio romance “La possibilité d’une île”, publicado em 2005. Esculturas de Rosema


Jennifer Allora e Guillermo Calzadilla, “Clamor”, 2006. Bunker (gesso e betão). 6, 10 x 9, 14 x 3, 05 m. Cortesia Astrup Fearnley Collection, Oslo, Noruega. Com o apoio de JS Musique Ludovic Amine Met


Liu Wei, “Seesaw”, 2007. Resina plástica e madeira, metal. 500 x 150 x 1600 cm. Cortesia: Liu Wei e Universal Studios, Beijing. Fotografia: Blaise Adilon


Liu Wei, “The Outcast”, 2007. Instalação de estrutura em aço, janelas, mesas, cadeiras e lâmpadas antigas. 450 x 1200 x 1700 cm. Cortesia: Liu Wei e Universal Studios, Beijing. F

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CARTOGRAFIAS: GEOCRÍTICA E GEOESTÉTICA NA BIENAL DE LYON



TERESA CASTRO

2007-10-01




La Sucrière, Institut d’Art Contemporain, Fondation Bullukian e Musée d’Art Contemporain
19 de Setembro 2007 – 6 de Janeiro de 2008

2007 é definitivamente o ano de todas as bienais, trienais, quinquenais e mesmo decenais (caso do mítico Skulptur Project Münster que festeja este ano a sua quarta edição). A análise perspicaz de Lígia Afonso discute bem as consequências deste surpreendente “alinhamento cósmico” (a expressão é da autora), que se presta a mediatizações e mercantilizações. No enorme mapa em que se desenrolam estas complexas manobras estratégicas, os franceses contribuem com a (nona) Bienal de Lyon, aberta ao público no passado dia 19 de Setembro. Fazendo justiça aos mecanismos de marketing expostos por Lígia Afonso, a Bienal de Lyon associa-se à (primeira) Bienal de Atenas e à (décima) Bienal de Istambul, promovendo, sob a designação “Três Bien”, múltiplos eventos paralelos, decorrendo na Bienal de Veneza, na Feira de Arte de Basileia e na Documenta de Kassel... A nível regional, a Bienal de Lyon é acompanhada por 120 manifestações, a realizarem-se em 90 locais da região Rhône-Alpes (Festival Résonance 2007). Se os números são impressionantes – dando bem conta da extraordinária máquina de produção e de montagem que se encontra por detrás deste tipo de acontecimento -, a importância da dimensão geoestratégica salta aos olhos, tanto e a tal ponto que o próprio tema da Bienal parece ser a “geocrítica”.

A “geocrítica”? Hans-Ulrich Obrist e Stéphanie Moisdon, comissários, preferem a imagem de um “livro de história e de geografia”: para o realizar desafiaram 49 comissários “de todo o mundo” a escolherem o artista essencial da década, “que ainda não tem nome”. Estes 49 críticos constituem o primeiro círculo de “jogadores”: um segundo grupo é constituído por 14 artistas a quem foi proposto conceber uma programação ou um evento. A metáfora do desafio é perfeita: Lyon transforma-se, como por magia, num gigantesco tabuleiro onde se desenrola o primeiro jogo de estratégia oficialmente subordinado ao tema “arte contemporânea”. Assinalemos desde já que Portugal, país dito periférico, não se encontra representado, e que o continente africano se resume a um comissário sul-africano... Na verdade, a ideia de Obrist e Moisdon resulta melhor no papel do que traduzida em quatro dimensões. Percorrendo os diversos locais onde se realiza a Bienal, salta aos olhos a falta de coerência interna do evento, verdadeiro elogio da acumulação onde obras muito distintas – nomeadamente no que diz respeito à sua qualidade e pertinência – convivem sem dialogar, desafiando pela sua ausência de contextualização o visitante melhor informado.

Como responder, de facto, a uma pergunta tão estranha como a colocada pelos organizadores? O que é um artista “essencial” e qual o interesse de o identificar? Como decidir da sua importância para a década quando nos encontramos apenas em 2007? Porquê continuar a reflectir em termos de decénios? Obrist e Moisdon não respondem a estas questões, mas adiantam, na sua nota de intenções, alguns elementos interessantes, por entre alusões ao trabalho teórico de Kubler e de Agamben, bem como à Biblioteca de Babel de Borges e à polifonia da história. Para os comissários, toda esta acumulação de obras constituiria, na realidade, uma tentativa de arqueologia da actualidade, reflectindo, para além disso, a globalização das questões e das tendências. Obrist e Moisdon acrescentam ainda que o “jogo” que conceberam não pretende delegar as responsabilidades conceptuais a (largas dezenas) de terceiros, mas reconsiderar criticamente a noção de lista. No entanto, percorrendo o magnífico edifício de La Sucrière, os ecos desse exercício crítico não se fazem ouvir. Deparamo-nos também, e talvez demasiadas vezes, com comissários que escolhem artistas seus compatriotas: o reflexo é natural e compreensível - mas que nos diz ele sobre suposta mundialização dos problemas, mundialização que exclui aqui, de forma gritante, o continente africano?

No Musée d’Art Contemporain, uma instalação de Michel Houellebecq intitula-se “Le monde n’est pas un panorama”. É o título da obra e não a obra que retém a nossa atenção. A coberto da “geografização” das questões que dominam hoje o mundo da arte, a Bienal de Lyon propõe-se realizar não um panorama – um espectáculo oferto ao olhar totalisante do espectador –, mas concretizar um verdadeiro jogo interactivo. Infelizmente, e esta é apenas uma das críticas possíveis, o espectador é o grande ausente do suposto palco estratégico encenado pelos comissários. A questão geográfica – profundamente contemporânea – não passa de um pretexto, o sintoma visível dessa tomada de consciência à qual já não podemos escapar: hoje em dia, a análise do espaço - dos espaços -, sobrepõe-se à análise do tempo, questão fundamental para o século de Eistein. A estética é geoestética, a crítica, geocrítica e mesmo a filosofia, na peugada genial de Gilles Deleuze, se transforma, a pouco e pouco, em geofilosofia. Tanto haveria a dizer e a explorar sobre isso – a Bienal de Lyon pressente-o e demonstra-o, mas não o faz. Na geopolítica da arte contemporânea, o evento dilui-se assim por entre as 120 (!) bienais que competem actualmente no Grand Slam da arte (a expressão é mais uma vez de Lígia Afonso). Só a sua escala monumental e o seu papel indiscutível no cenário francês, ainda muito monopolizado por Paris, lhe garantem a visibilidade.

[Entre os artistas representados no “primeiro círculo” destaquem-se os americano-porto-riquenhos Jennifer Allora e Guillermo Calzadilla, o brasileiro Marcellvs, os chineses Jia Zhang-Ke e Liu Wei. No segundo círculo, o convite foi feito aos artistas Saâdane Afif, Jérôme Bel, Claire Fontaine, Paul Chan e Jay Sanders, Trisha Donnely, Jean-Pascal Flavien, Michel Houellebecq, Pierre Joseph, Rem Koolhas, Markus Miessen, Willem de Roij, Josh Smith, Rirkrit Tiravanija e E-Flux Vídeo rental.]


Teresa Castro