Links

Subscreva agora a ARTECAPITAL - NEWSLETTER quinzenal para saber as últimas exposições, entrevistas e notícias de arte contemporânea.



ARTECAPITAL RECOMENDA


Outras recomendações:

Meus Pequenos Amores / My Little Loves


Sharon Lockhart
Museu Coleção Berardo, Lisboa

Paisagens Ocultas - Apologia da Pintura Pura Óleos, 2014-2017


NIKIAS SKAPINAKIS
Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, Lisboa

GÉNERO NA ARTE. CORPO, SEXUALIDADE, IDENTIDADE, RESISTÊNCIA


COLETIVA
MNAC - Museu do Chiado , Lisboa

Num Jardim Feito de Tinta


Ana Hatherly e o Barroco
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Splitting, cutting, writing, drawing, eating…


Gordon Matta-Clark
Culturgest, Lisboa

Debaixo do Seu Nariz


JOÃO MARIA GUSMÃO + PEDRO PAIVA, ROSÂNGELA RENNÓ, JULIÃO SARMENTO
Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, Lisboa

Chama Xamânica | João Simões


Otelo M.F. e João Simões
ZDB - Galeria Zé dos Bois, Lisboa

False Ground


Marianne Mueller
CAV - Centro de Artes Visuais, Coimbra

In and out of Africa


coleção Treger Saint Silvestre
Oliva Núcleo de Arte, S. João da Madeira

PROJETOS CONTEMPORÂNEOS


DANIEL STEEGMANN MANGRANÉ
Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto

ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 

share |

JOSÓ LOUREIRO

Boné




CRISTINA GUERRA CONTEMPORARY ART
Rua Santo António à Estrela, 33
1350-291 LISBOA

18 ABR - 11 MAI 2017


Inauguração 18 Abril, às 22h00, na Cristina Guerra Contemporary Art


"Boné é uma exposição de sinapses-mortas*. São quadros, como sempre. Um quadro ocupa um lugar vago numa parede e ali permanece até que alguém o substitua ou, em tempos de maior agitação e tumulto, o mande pela janela fora. Resistir na parede e aplacar estoicamente qualquer tipo de golpes - sendo, até hoje, o mais cómico e certeiro de todos o arremesso de uma singela peça de louça sanitária - não é um dos seus menores feitos, cumprido ao longo dos séculos com assinalável graciosidade. E assim continuará a ser.

Fossem barro, atirá-los-ia à parede e ficariam como ficassem: um centímetro acima ou abaixo, um centímetro à esquerda ou à direita, não fez nunca para mim a mais pequena diferença. Dirijo a minha atenção para o interior das pinturas, não para a forma como são encenadas. A fita métrica, apesar de ter um alcance (e plasticidade) bastante superior à maioria das ideias que assombram as exposições, é usada em excesso e com demasiada credulidade. Esquinas e arestas, paredes inadequadamente cheias ou vazias: nada disto chega a ter a relevância de um problema.

Não me esqueço de que o destino mais provável de tudo o que fazemos é uma arrecadação bolorenta qualquer. O que também é mais um alívio do que um problema. O tempo, um transeunte ubíquo e judicioso, encarregar-se-á de resgatar alguma coisa deste olvido pesado - eventualmente. Portanto, mais vale a uma obra de arte ter logo um início de vida pública atribulado e completamente desprotegido.

Não tenho nenhuma explicação plausível para o facto de dedicar a maior parte do meu tempo a pintar rectângulos de pontas cortadas ou linhas que invariavelmente escolhem os desvios mais longos para chegar a um destino. Porque motivo pintaria alguém, com incansável obstinação, maçãs sobre uma mesa? Por tudo, menos para ser plausível.

Mas não vou falar das pinturas. De uma maneira ou de outra, estarão nas paredes.".

José Loureiro, Abril 2017

*Sinapsismo, ponto nº12