CARLOS BUNGAHabitar a ContradiçãoCAM - CENTRO DE ARTE MODERNA Rua Dr. Nicolau de Bettencourt 1050-078 LISBOA 07 NOV - 30 MAR 2026 INAUGURAÇÃO: 7 de Novembro, 18h30–23h00, na Nave, Mezanino e outros espaços do CAM Carlos Bunga Habitar a Contradição O CAM apresenta a maior e mais complexa instalação realizada até à data por Carlos Bunga (n. 1976), um dos artistas portugueses com maior projeção internacional, nascido no Porto e atualmente a viver e a trabalhar em Barcelona. Intitulada Habitar a Contradição, a mostra, com curadoria de Rui Mateus Amaral, diretor artÃstico do Museu de Arte Contemporânea de Toronto (MOCA), partiu de um dos desenhos surrealistas de Bunga – A Minha Primeira Casa Foi Uma Mulher 1975 (2018) – que evoca a viagem da mãe do artista, grávida, de Angola para Portugal, em 1975, fugindo à guerra civil, para salvar a sua filha de dois anos e o seu filho por nascer. Trabalhando, como habitualmente, com materiais frágeis e provisórios – cartão, tinta e fita adesiva – o artista cria para a Nave do CAM uma monumental floresta de formas cilÃndricas de diferentes escalas, que evocam colunas arquitetónicas e troncos de árvores, a que se juntam várias outras esculturas, algumas inéditas. Explorando a estética do provisório e a polÃtica da sobrevivência, as construções de Carlos Bunga, envolvem o visitante espacial e emocionalmente, evocando lugares de abrigo transitório moldados pela memória, o trauma e a precariedade da vida. Esta instalação, apresentada em diálogo com obras da Coleção do CAM selecionadas pelo artista, estende-se a outros espaços interiores e exteriores do edifÃcio. As cadeiras do jardim são deslocadas para o espaço expositivo, trazendo os códigos visuais e a energia do exterior para o interior. No átrio do CAM, objetos domésticos como mesas, candeeiros, armários ou tapetes, intervencionados pelo artista, conferem uma sensação de casa a um espaço que representa, por definição, um local de passagem. Convidado a selecionar obras da Coleção do CAM, Carlos Bunga escolheu trabalhos pouco ou raramente mostrados, que desafiam a classificação fácil, que pairam entre estados, ou que existem como objetos efémeros. Alguns foram adquiridos como estruturas instrutivas (Túlia Saldanha, Sala de Descontração [1975/76]) ou requerem materiais orgânicos para crescerem de novo (Doris Salcedo, Pelagria Muda [2008]). Outros são esculturas portáteis e adaptáveis (Francisco Tropa, Scripta [2018]), possuem contrapartes ausentes (Maria Helena Vieira da Silva, A poesia está na rua I [1974]) ou distinguem-se por um acentuado jogo de luz e sombra (Keiichi Tahara, Lisbonne, Eté [1988]). Outros ainda são fragmentos de uma série maior (Larry Clark, Gardens of Lisbon #3, #4, #6 [1988]) ou são completados através de correspondência ativa (Wolf Vostell, Além-Tejo Vos-Tejo [Lisboa, 15 maio 1979]). Além destas, outras obras da Coleção do CAM e da Biblioteca de Arte e Arquivos, convocadas pelo artista e curador para este mostra, estabelecem pontes surpreendentes com os trabalhos efémeros de Bunga, concorrendo para transformar a exposição numa meditação sobre a ausência, a impermanência e a reinvenção. O programa público desta exposição, sob a forma de performances, leituras e encontros, a decorrer nas noites de sábado no CAM, foi buscar inspiração à obra Night Works (1978), do artista Fernando Calhau, um trabalho que integra a exposição e que explora a vida noturna, com o seu simbolismo e os seus fantasmas. No dia 14 de março de 2026, Carlos Bunga regressará ao CAM para transformar a sua obra ao vivo perante o público, cortando-a, desmontando-a e recompondo-a de novo. Foi editado um extenso catálogo com um ensaio de Rui Mateus Amaral (disponÃvel no presskit em anexo), contando, ainda com textos de Roland Groenenboom, Omar Kholeif, November Paynter, Rina Carvajal, Catarina Rosendo e do próprio artista. ::: Carlos Bunga (Porto, 1976) estudou na Escola Superior de Arte e Design, em Caldas da Rainha. Atualmente a viver e a trabalhar em Barcelona, o trabalho de Carlos Bunga desenvolve-se em torno das possibilidades da forma. O que começou como uma investigação sobre os limites da pintura, transformou-se num trabalho que hibridiza suportes e superfÃcies, até que a pintura passa a ser um espaço de atividade. O seu processo ecoa as experiências dos artistas conceptuais e performativos das décadas de 1960 e 1970, que recorriam a gestos simples e iterativos para gerar uma intensidade sensorial e emocional. Ao longo dos anos, a sua obra estendeu-se ao desenho, à escultura, à instalação, à fotografia e ao vÃdeo. |


















