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O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


PEDRO VAZ

Pentimento




CAPC - CÍRCULO DE ARTES PLÁSTICAS
Piso Térreo do Edíficio da Biblioteca Municipal Parque de Santa Cruz, Jardim da Sereia
3001-401 COIMBRA

17 JAN - 17 JAN 2018


LANÇAMENTO DE LIVRO: 17 de janeiro, 16h30


Lançamento de «Pentimento», de Pedro Vaz
CAPC Sereia


Apresentada em 2015 na bienal Anozero, a peça de Pedro Vaz, «Pentimento» — e a forma como evoluíu —, deu origem a uma edição que integra textos de Carla Alexandra Gonçalves, Elisabete Marques, Isabella Lenzi, João Queiroz, João Silvério, Lourenço Egreja, Maribel Mendes Sobreira, Paula Januário, Pedro Vaz e Sérgio Fazenda Rodrigues. As fotografias de «Pentimento» são de Jorge das Neves e Pedro Vaz, o design gráfico é de João Bicker.

Em meados de novembro de 2015, anunciava-se a pintura de «uma tela de 4,5 metros por 1,5 metros, num dos canteiros do Jardim Botânico, onde Pedro Vaz iria captar o espaço e as suas mudanças ao longo de um ano». Indicava-se que o artista iria «usar a tela como um palimpsesto, em que se pinta por cima de um suporte já utilizado, registando as mudanças do tempo e das estações no Jardim». Explicava-se que o processo de pintura daquela tela branca, começaria depois da bienal terminar e que a técnica que seria utilizada era o pentimento, um processo artístico em que a alteração à pintura é feita quando o trabalho criativo ainda está a decorrer.


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A peça Pentimento foi desenvolvida em 2015, no contexto de uma residência de um ano, para a primeira edição da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra Anozero. Esteve integrada na exposição Link, comissariada por Carlos Antunes e Luísa Santos.
Esta exposição estava instalada em diversos locais da cidade: Jardim e Museu Botânico, Aqueduto de São Sebastião e margens do rio Mondego. A mim foi-me dirigido o convite para criar uma peça para o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.
A evolução desta peça tem no núcleo uma mudança de planos. Na sua órbita circulam as minhas intenções iniciais, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, o tempo astrofísico e condições atmosféricas, bem como a noção de uma nova contribuição que esta obra acrescentava à minha pesquisa artística.
Esta peça proporcionava-me elementos novos, ainda que em continuidade com a minha prática de trabalhar em contacto com a natureza.
Um deles era o facto de este ser um contexto de jardim, de natureza artificial, em oposição à natureza semi-selvagem na qual é habitual eu trabalhar. Por outro lado, o meu projecto artístico desenvolve-se com recurso frequente à expedição imersiva. Neste caso, era a peça ela mesma a ser exposta ao exterior ao longo do ano da residência.
Portanto, havia uma transferência directa para a obra da prática imersiva a que a minha pesquisa recorre.
A primeira ideia para intervir foi a de uma pintura que perseguisse a evolução da natureza em redor da tela. Ou seja, pintar em função das épocas do ano e das alterações de luz, de cores, das diferentes profundidades de visão, com a densidade de vegetação no verão a impedir o alcance visual distante do inverno.
A minha preocupação localizou-se na literalidade do contraplacado de madeira do suporte. Em como fixar essas diferentes camadas da aparência da natureza à superfície da tela.
Foi exactamente como solução para essa necessidade de sobreposição de camadas de tempo que surgiu a decisão de levar a cabo uma peça inspirada na ideia de pentimento.
No entanto, esta foi uma decisão que apenas precedeu o que viria a ser a mudança mais determinante para esta peça.
Na antecipação da sua execução, todo o cenário de Liquidâmbares, Faias, Áceres Japoneses, Magnólias ou Palmeiras rodeando a gigantesca tela me pareceu impossível de fixar em cada um dos seus momentos, nas intermináveis variações da sua aparência em movimento. Sucediam-se no meu espírito imagens dos esforços do pintor de Victor Erice em El Sol del Membrillo, como impossibilidades dessa transparência retrospectiva.
Mesmo optando por coberturas em camadas, recorrendo ao pentimento, constatei que a tentativa de acompanhar o tempo resultaria apenas num conjunto de atrasos sucessivos.
Foi face à perspectiva dessa insatisfação que optei por uma mudança de direcção. Em alternativa ao pentimento clássico, decidi repetir a aplicação de um preparativo base de gesso acrílico na tela. Levei a cabo preparações de tela sobre preparações, para a optimizar para a exposição à natureza, que espontaneamente fazia a sua pintura com a colagem à tela da passagem do tempo: os pólenes, chuva, sol.
Esta aplicação não retocava a minha fixação da natureza na tela, mas sim a fixação que o ambiente imprimia directamente sobre ela, sem a minha interferência.

Pedro Vaz
www.pedrovaz.com


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