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O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


SUSANA MENDES SILVA

A arte do século XXI…? Outros espaços: Margens criativas.




MAC/CCB - MUSEU DE ARTE CONTEMPORâNEA
Praça do Império
1449-003 LISBOA

06 DEZ - 06 DEZ 2025


CONFERÊNCIA: Sábado, 6 de dezembro, 15h30, Auditório do MAC/CCB
Participação gratuita, sujeita ao número de lugares disponíveis.



«Sobre a prática artística»
Por Susana Mendes Silva, artista, professora e investigadora



Conferências CCB/CICANT_ECATI
A arte do século XXI…? Outros espaços: Margens criativas.


Em 1926, o historiador e teórico da arte Carl Einstein publica, em Berlim, na famosa Propyla?en-Verlag, a A arte do século XX. Bem cedo, pensaram muitos. Logo nos primeiros parágrafos da obra, Einstein toca um problema que parece repetir-se agora, o do «ceticismo desta época».

O fazer criativo do homem consiste, também, em criar uma dimensão que não pertence ao regime do natural, da cognição, do conhecimento, mas sim da imaginação e das novas formas de redesenhar os objetos, ainda que às primeiras dimensões possa ainda estar ligada. A arte, porque age a partir do real, e sobre ele, é construtora e configuradora do real, já que o organiza, reorganizando os seus objetos em torno de leis que não existem na natureza, mas só e sim na própria pulsão criativa do homem; porque só a arte tem o poder de «transformar as coisas em signos nunca vistos» (Carl Einstein). Compreende-se esta caracterização porque para Einstein se tratava sempre, e principalmente, de se afastar do seu tempo, de criar distâncias para poder pensar, de um querer ir mais além da época histórica, procurando a simultaneidade temporal das formas de ver que a história até então tinha produzido, «o dever», diz em A arte do século XX, de «transformar a atividade e a perceção humanas». Para Einstein tudo se jogava nas formas de afeção da visualidade e da organização das imagens, antecipando muito das fraturas que, no mesmo século, vieram a produzir-se e que ainda hoje subsistem. É essa forma de reorganização da visão que recolhe dentro de si o conceito do alucinatório, um elemento que para ele pertence à arte enquanto instrumento que permite recriar novas formas de ver, não um meio ou instrumento que dá a ver formas, que projeta ideias ou sensações, mas que provoca modificações do olhar e, ao fazê-lo, produz novos modos de ver, de recriar a própria realidade. Por isso, para este, a arte é sempre, também, da ordem do político. O uso do conceito de alucinatório remete, em Einstein, para processos psíquicos complexos que ligam condições subjetivas e condições objetivas, processos psíquicos e fenómenos percetivos, fenómenos sociais, também. Quando o alucinatório se produz, ocorrem para este processos de reações entre o psiquismo e o fenómeno biológico, produzindo-se dessas reações o trans-visual, um conceito que vai mais além da simples definição da arte como algo estanque, completamente definido. Entre estas possibilidades, queremos pensar, um século depois, a situação da arte no século XXI; e, para tal, não só Carl Einstein nos interpela, também vem a jogo a conhecida afirmação, vezes sem conta repetida na última centúria, de Samuel Beckett num título muito afim ao que propomos: «É o fim que é o pior, depois o meio, depois o fim, no fim é o fim que é o pior.» (L’Innommable, 1958)