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Ciclo
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JUN 2010
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O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 

PERFORMANCES NO ESPAÇO PÚBLICO

Totemismo Urbano




BAIXA DO PORTO



30 JAN - 30 JAN 2010


Data e local: Sábado, 30 de Janeiro, a partir das 18.30h, na Baixa do Porto. O percurso inicia-se no Jardim de S. Lázaro, Porto



Apresentação

Artistas: Paulo Mendes - Miguel Moreira - Marianne Baillot - Albuquerque Mendes - António Olaio - Gabriela Vaz-Pinheiro


Ciclo concebido para o espaço público em horário crepuscular no mês de Janeiro, 
”Totemismo Urbano” assume o ambiente de acção em todas as suas variáveis, explorando o potencial cenográfico das condições climatéricas (até certo ponto imprevisíveis), dos edifícios, jardins e suas simbologias, e da iluminação artificial, numa psicogeo-grafia parcialmente instantânea e improvisada, contraposta ao atrito da atmosfera contextual, procurando evocar nesses espaços uma dimensão simbólica proveniente dos estratos de memória e significado que emanam dos locais explorados.

”O carácter fundamental do totemismo animal é a existência de um pacto mal definido, mas de natureza religiosa, entre certos clãs humanos e certos clãs animais.”
Salomon Reinach, «Phénomènes généraux du totémisme animal», Cultes, mythes et 
religions, Tome I, Éd. Ernest Leroux, Paris, 1905
“Totemismo Urbano” é, assim, um totemismo bastardo, que transcende as categorias do 
totemismo animal (o mais comum em todo o planeta) e vegetal (mais raro), penetrando na excepcional área do totemismo inorgânico. 
Ao carácter específico de cada “performance” contrapõe-se a negociação entre o indivíduo e o potencial simbólico dos espaços e artefactos urbanos que o rodeiam.
Partindo de uma hipotética tabula rasa em que os referenciais-padrão do espaço citadino foram apagados, explora-se um contexto semelhante ao dos cultos de carga surgidos no Pacífico após o contacto com a tecnologia ocidental: os intervenientes estabelecerão relações com as estruturas, edifícios e paisagens circundantes, num processo de reconfiguração de espaços pela projecção animista da acção dos “performers” nesses elementos e objectos, que irão adquirir um papel totémico.
Filipe Silva & Jonathan Saldanha / SOOPA



Percurso

O percurso na baixa do Porto iniciar-se-á no Coreto do Jardim de S. Lázaro com o Projecto “silêncio, ordens, preces, ameaças, elogios, censuras, razões, que querem que eu compreenda do que eles dizem”, de Paulo Mendes. De seguida na Praça dos Poveiros encontramos “Na Rua” de Miguel Moreira e nas escadas do Passos Manuel (Rua Passos Manuel) teremos “Black Falls” de Marianne Baillot. Albuquerque Mendes apresenta “Quem Quer Ser Lobo, Veste-lhe a Pele” na Praça D. João I e na Avenida dos Aliados junto da Menina Nua, António Olaio apresenta “Not a Love Song”. O projecto “Pensamento/Acção 010” de Gabriela Vaz-Pinheiro irá realizar-se no decorrer e durante as restantes performances.



PERFORMANCES

Paulo Mendes
silêncio, ordens, preces, ameaças, elogios, censuras, razões, que querem que eu compreenda do que eles dizem,
2010

Uma nova performance de Paulo Mendes a partir dos textos “À espera de Godot” de Samuel Beckett e “As Bodas de Deus” de João César Monteiro.
Um coreto na cidade. Anoitecer. Dois personagens, ou apenas um e uma mala aparentemente abandonada. Um discurso violentamente silencioso sobre o presente, ou talvez sobre o passado.



Miguel Moreia
Na Rua
2005-2010

Nas últimas criações do Útero a relação entre os elementos Cidade/Rua/Homem têm sido o motor principal da criação e os pontos de partida para reflectir sobre o homem e o mundo de hoje.
Andar pela rua e provocar/comunicar com as pessoas que estão de passagem.
Procurar desviar as pessoas da sua vida quotidiana e trazê-las para o espaço da reflexão, do pensamento, da fantasia, do sonho.
Chamar as pessoas de casa para a rua, para a cidade. A cidade ainda como espaço de encontro. Espaço de sedução. De olhar. De descoberta entre nós e os outros.
Quando Reflectimos sobre a rua, sobre a cidade reflectimos também sobre nós próprios. Reflectimos sobre o espaço, a acção, a intervenção que queremos ter no mundo. A escolha de um caminho a percorrer.



Marianne Baillot
Black Falls
2010

A vida tal como a conhecemos terminou, e no entanto ninguém é capaz de apreender o que foi que a substituiu… Suave e regularmente, dir-se-ia que a cidade se consome a si própria.

Paul Auster, In the Country of Last Things.



Albuquerque Mendes
Quem Quer Ser Lobo, Veste-lhe a Pele

1ª Grande corrida de sacos - Curadores Portugueses em acção.
Esta performance trata do milagre da Curadoria. No mundo dos Curadores encontramos alguns dos seres sociais mais perfeitos da natureza. Competição,carácter desportivo num desporto quase "Olímpico".



António Olaio
NOT A LOVE SONG
2010

A ideia de dança, esta coisa que parece querer ser dança, permanece como uma espécie de ligante abstracto dos jogos conceptuais que vou fazendo ao longo da minha pintura, das canções com o João Taborda, dos meus vídeos.
A estátua da menina nua da avenida dos Aliados do Porto e o traje académico de professor de Coimbra que visto nesta performance serão confortavelmente fáceis e pitorescos, mas a brancura daquela estátua naquele espaço recentemente higienizado, no contraste com o negro do traje, pode acrescentar uma plasticidade que não advirá certamente só do contraste entre as cores. Certamente, na enorme potencialidade dos clichés gerarem complexidade, a plasticidade ali será certamente de outra ordem. E, apesar de ajudar, a Love song dos PIL como banda sonora, não passará de mais um ingrediente no jogo. Como os “Rei e rainha rodeados de nus rápidos” de Duchamp, pareço afectado pela extrema velocidade que aquela menina nua, mesmo parada, tem. Só me resta dançar, para tentar compensar a coisa.



Gabriela Vaz-Pinheiro
Pensamento/Acção 010
2010

Em 1964 um grupo de artistas portugueses deslocou-se a um local indiferenciado nos Estados Unidos para executar uma caminhada de cerca de uma hora e trinta minutos. Repetiram-na em vários outros locais. Em 1996 um novo grupo mobilizou-se para ir ao Reino Unido com o mesmo propósito. “Pensamento/Acção 010” propõe realizar em Portugal e no Porto o mesmo evento no dia 30 de Janeiro de 2010 entre S.Lázaro e a Avenida dos Aliados.

“Pensamento/Acção 010” é um projecto que mimetiza acções de mobilização social. Refere-se à acumulação e reverberação de gestos colectivos mas, na verdade, não propõe mais do que uma reflexão sobre as condições específicas que levam as pessoas, em cada momento ou cidade, a manifestarem-se publicamente. É um projecto sobre a hesitante consciência entre a projecção do pensamento individual e a eficácia da acção colectiva, ou vice-versa.



“TOTEMISMO URBANO” EM CONVERSA
Sexta-feira, 29 de Janeiro, 18h,
A Sala - Rua do Bonjardim, 235, 2º Porto

Participantes: Paulo Mendes, Gabriela Vaz-Pinheiro, Marianne Baillot, Albuquerque Mendes, Susana Caló e Godofredo Pereira. Moderação de Filipe Silva

Discussão informal antevendo “Totemismo Urbano” e temas relacionados, como o totemismo, a urbanidade, o lugar do pensamento mágico na sociedade tecnocrata do 3º Milénio, entre outros.




Produção:
OOPSA, Associação Cultural
www.soopa.org

concepção:
Jonathan Saldanha e Filipe Silva

Programação:
Susana Chiocca