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José Álvaro Morais


Ciclo de Cinema
Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto

Autografia


Miguel Gonçalves Mendes
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ARQUIVO:

O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 

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CICLO DE CINEMA

José Álvaro Morais




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 PORTO

17 JUL - 30 JUL 2017


A primeira retrospetiva integral de José Álvaro Morais no Porto decorrerá ao ar livre, no Parque de Serralves, constituindo uma oportunidade única para redescobrir uma obra maior e ver projetadas a Norte imagens do Sul. Poucos foram os realizadores que terão conseguido interrogar o país de forma tão livre e luminosa. A mostra inicia-se com a estreia de Silêncios do Olhar, documentário de José Nascimento que propõe uma aproximação ao processo criativo do realizador e à singularidade do seu universo, seguindo-se uma apresentação cronológica dos filmes de José Álvaro Morais. A viagem e o exílio, as raízes culturais e o espírito do lugar, a tensão entre pertença e evasão, são alguns dos pontos de fuga que atravessam esta obra onde se pensa o magnetismo de um país que atrai tanto quanto repele.
Curadoria: António Preto
Local: Clareira das Bétulas
Horário: 22h00
Acesso: 3€ ou mediante aquisição de bilhete Parque
Amigos de Serralves: 1,5€

17 JUL
José Nascimento
Silêncios do Olhar | Portugal, 2017
2K | cor | 104 min.
Mais do que uma homenagem póstuma, Silêncios do Olhar, do realizador José Nascimento, é uma aproximação à intimidade do processo criativo de José Álvaro Morais e oferece um acesso privilegiado à obra do realizador. Nele se sondam temas e polaridades, ensaiando uma arqueologia das opções estéticas e afetivas que recolocam José Álvaro Morais no centro do seu próprio cinema.

18 JUL
Cantigamente n.º 3 | Portugal, 1976
16mm | cor | 85 min.
A obra de José Álvaro Morais, realizada toda ela já em democracia, inicia-se com duas encomendas para a televisão, Domus de Bragança (1975) e Cantigamente (1976), filmes que evidenciam o interesse do cineasta pela montagem visual e sonora.

19 JUL
Ma Femme Chamada Bicho | Portugal, 1976
16mm | cor | 79 min.
A confirmação de uma linguagem própria, com filmagens enérgicas e rápidas, chega em Ma Femme Chamada Bicho (1976), retrato de Maria Helena Vieira da Silva rodado em apenas cinco dias.

24 JUL
O Bobo | Portugal, 1987
16/35mm | cor | 123 min.
José Álvaro Morais trabalhou também processos de preparação e de escrita com uma longa maturação, como é o caso de O Bobo (1987), onde o texto de Alexandre Herculano sobre a fundação da nacionalidade serve para perspetivar historicamente as contradições do Portugal contemporâneo. Rodado quase integralmente em estúdio, o filme é uma das produções mais ambiciosas e atribuladas do cinema português (o negativo ficou guardado nas câmaras de
refrigeração da Tobis durante seis anos, por falta de financiamento) tendo sido milagrosamente concluído minutos antes de ganhar o Grande Prémio do Festival de Locarno.

25 JUL
Zéfiro | Portugal, 1994
35mm | cor | 52 min.
Margem Sul | Portugal, 1994
Vídeo | cor | 25 min.

27 JUL
Peixe Lua | Portugal, 2000
35mm | cor | 123 min.
A fase final da obra de José Álvaro Morais afirma a sua intensidade solar como "cinema do sul”. Zéfiro (1994), Margem Sul (1994) e Peixe Lua (2000) são filmes-viagem que pensam o país meridional enquanto lugar de cruzamento de culturas, dotado, por isso mesmo e paradoxalmente, de uma identidade única. Vendo Lisboa como a última das cidades mediterrânicas, condenada ao Atlântico pelo vasto estuário do
Tejo que a separa da margem "africana”, é entre cacilheiros, touros e marinheiros
encalhados que o cineasta faz o reconhecimento de um território onde as fronteiras que separam o Alentejo da Andaluzia se resumem a uma placa de estrada.

30 JUL
Quaresma | Portugal, 2003
35mm | cor | 95 min.
A viagem e o exílio, as raízes familiares enlaçadas com a memória e o espírito do lugar, a aceitação e a recusa da terra onde se nasceu, a tensão entre pertença e evasão são pontos de fuga a que José Álvaro Morais regressa em Quaresma (2003). Neste seu último filme, situado entre a casa dos avós, na Covilhã, e as frias paisagens da Dinamarca, enterra-se definitivamente e sem resposta a melancólica questão, pessoal e nacional, que atravessa toda a sua obra: o magnetismo de um país que atrai tanto quanto repele, as razões profundas que, como se vê no final de O Bobo, levam os portugueses a sair de Portugal para "ser caricatura desta terra noutra terra”.