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SNAPSHOT. NO ATELIER DE...
























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SÃO TRINDADE

LIZ VAHIA


 

Na recente edição da Le Bal Books Week-End, festival de livros de fotografia em Paris (este ano tendo Portugal como país em destaque), o primeiro livro de São Trindade, “Bad Liver And A Broken Heart” (2012), foi adquirido pela biblioteca do MoMA e do Centro Pompidou. Tanto no formato livro como no expositivo, a fotografia de São Trindade desenvolve-se com o auxílio de outras áreas, como a pintura, a instalação ou a performance, apoiando-se muitas vezes em registos de auto-representação. A artista, que irá inaugurar em breve uma nova exposição, recebeu a Artecapital no seu atelier em Lisboa para uma conversa sobre modos e espaços de trabalho.

 

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LV: Como é que organizas o teu atelier?

ST: O meu atelier não se confina a esta sala, a um espaço físico, é maioritariamente mental.
Esse atelier que não requer espaço, que me acompanha para todo o lado e não tem horário de funcionamento, é um pouco caótico. As ideias para trabalhos vão aparecendo, vão sendo ruminadas e como a maior parte das vezes não há tempo para as concretizar, vão-se atropelando. Se não concretizo logo, surge uma nova ideia e depois outra, abrindo lugar a alguma dispersão.Vou registando através da escrita e de imagens o que me interessa. Acaba por ser uma exposição que surge ou um outro projecto em que vá participar a despoletar a concretização de uma dessas ideias. Essa materialização acontece no atelier físico, mais arrumado que o mental. Quando estou a trabalhar sou metódica e organizada mas não gosto de projectar em pormenor, entro numa espécie de transe, afasto-me do mundo, dou espaço ao erro que tem um grande potencial. Em seguida vem a fase de edição que requer outra postura e onde o erro deve ser evitado.


LV: E quando um projecto não corre bem, que fazes?

ST: Depende. Refaço ou substituo. Mas quando refaço, nasce diferente, vai distanciar-se bastante do primeiro.


LV: Sendo uma artista que trabalha com o meio fotográfico, o teu atelier parece mais o de um pintor ou escultor.

ST: Eu venho da pintura, uso a fotografia por ser um meio que me interessa. Interessa-me a ambiguidade que a fotografia pode criar. Muitas vezes construo objectos para fotografar, podem ser pinturas, esculturas, adereços ou posso representar uma acção frente à câmara. Transportei para a fotografia um estar que tinha experimentado na pintura, essa espécie de transe que já referi.


LV: É aqui neste espaço que fotografas maioritariamente?

ST: É neste espaço que construo os objectos, fotografo e faço a edição dos trabalhos. Mas, fotografo um pouco por todo o lado. Isto é, é o projecto que vai ditar o espaço mas, também pode acontecer o contrário.


LV: Apesar da dispersão, pareces muito organizada.

ST: Os espaços onde trabalho e vivo têm que respirar uma certa ordem, contrariamente ao da minha cabeça. É uma questão de equilíbrio, de sobrevivência, mas quando estou a trabalhar, desarrumo tudo, sou extraordinária a ocupar espaço.


LV: E estes objectos aqui são coisas que tu procuraste?

ST: Estes objectos deixaram-se encontrar, são espelho das minhas obsessões e são material de trabalho.


LV: Muitas das tuas fotografias convocam uma encenação que é muito visível. Achas que há um jogo irónico que é mostrar esse lado construído de imagens cruas?

ST: Também há, e a ironia é minha irmã, mas tenho trabalhos encenados que me vêm das entranhas. Daí a necessidade da auto-representação, se usasse outras pessoas seria falso, uma vez que estou a lidar com coisas minhas.


LV: Ia perguntar-te se havia uma tentativa de auto-representação (física, emocional) ou se também era uma questão prática.

ST: Também é uma questão prática. Sou muito má a dirigir pessoas, fico desconfortável, pouco à vontade. Isso também acontece quando preciso de um assistente, aí, tento que seja alguém muito próximo e conheça bem o meu trabalho. Mesmo assim, não me é fácil, prefiro trabalhar sózinha.


LV: Fazes muitos livros?

ST: Vou fazendo, com arritmias.


LV: Gostavas de expor mais vezes?

ST: Gostava era de poder trabalhar mais. Expor é importante, e é um incentivo à conclusão de projectos. Gostava de pensar num projecto para livro.