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ARQUITETURA E DESIGN




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PAULO PARRA – “UMA TRAJECTÓRIA DE VIDA” NA GALERIA ROCA LISBON

CARLA CARBONE


 

Uma profusão de cápsulas transparentes, em plexiglass, suspensas a partir do tecto, albergam sonhos e criam um efeito sci-fi, no início da exposição de “Paulo Parra – Design Essencial”. A exposição está presente, até setembro, nas instalações da galeria Roca, em Lisboa. Dentro das cápsulas encontram-se várias peças, incluindo protótipos, pequenas maquetes, e alguns projectos que chegaram ainda a tempo da produção serial.

As bolhas despontam, aqui e ali, como janelas “pop-up”, fornecendo um efeito de memória, sobre os visitantes, evocando todo um percurso de criação do designer Paulo Parra. “Uma trajectória de vida”, onde Paulo Parra começou por trabalhar individualmente, tendo depois conhecido José Viana, com quem primeiro trabalhou, e formou mais tarde os "Exmachina", juntamente com Raul Cunca e Marco Sousa Santos. 

Podemos ver emergir, protegidas por essas formas esferóides, o candeeiro Espiral de 1992, pela sua cor azul; depois a peça Aro, pelas suas linhas sinuosas, que evidenciam a brancura da porcelana, em forma de cone, tendo valido, ao designer, o prémio Jovem Designer em 1987.

As peças jorram na exposição, do mesmo modo como as memórias despertam. O “Pedalinho”, desenhado em 1994, evoca o conceito de objecto feito, na integra, de uma única peça., ou a cadeira M, de 1990, que desperta a reflexão sobre os modos de sentar; também os últimos trabalhos sobre cortiça estão presentes na exposição. Denunciam uma preocupação no tema do autóctone, no impacto ambiental, sempre presente nas preocupações do designer.

 

SELA PORTUGUESA, Banco Multiusos, 1996. Estudou-se uma forma
tradicional de construção com cortiça – o tarro – e 
aplicaram-se novas funções utilizando unicamente materiais 
e produções artesanais. Sentar natural, confortável, 
elástico, suave, silencioso, leve, perfumado... Pensar, 
produzir, utilizar ecológico. Projecto exposto no 
Pavilhão de Portugal da Exposición Internacional 
de Zaragoza em 2008.

 

Na exposição encontramos exemplos de peças, em cortiça, desenhadas em 1996, como a Sela Portuguesa, ou os mais recentes Puffs, (bancos e mesas), ou linha Esfera, estes últimos desenhados em 2016. Em 1993 o designer já tinha denunciado um certo à vontade com a cortiça, como manifestam os móveis Tipo, que consistiam num sistema Multiusos.

Parra persiste na matéria da cortiça, provando, ao longo dos anos, a maleabilidade deste material, assim como a capacidade que o mesmo tem de se adaptar a diferentes utilizações. Quer na iluminação, quer em actividades terapêuticas - envolvendo a aplicação da água - quer em mobiliário urbano, tendo em conta as preocupações do conforto e ergonomia. Com este exercício, Parra vai amadurecendo e revolucionando o modo de encarar um material como a cortiça, e ampliar, o mais possível, as potencialidades deste material. Humanizá-lo. E é aqui que entra a questão prostésica intrínseca no design. Todo o objecto é o prolongamento do homem.

Quando observamos o desfile de peças que se vão revelando, à medida que percorremos o espaço da exposição, que se divide por três pisos, não podemos deixar de mencionar um texto que Sigmund Freud terá escrito em 1930, sobre a “civilização” e os seus sucessivos “descontentamentos”, atendendo à natureza humana, e à propriedade da mesma superar os desígnios da natureza, ou seja, de estabelecer um controlo sobre a mesma. No mesmo texto evidencia os feitos do Homem, a capacidade de controlar o tempo e o espaço. Numa permanente tentativa de minimizar (reduzir) a “violência das forças da natureza”. Como diz o autor, retrocedendo ao longínquo passado, e tomando como exemplo o “uso dos primeiros utensílios”, ou a preocupação da civilização em “controlar o fogo” e construir refúgios, para se proteger.

Mais interessante é o momento em que Freud descreve este avanço: “em cada utensílio o homem aperfeiçoa os seus orgãos, quer motor quer sensorialmente”. E o desfile de concretizações não deixa de cessar: o poder dos motores que permite ao homem superar os “seus limites físicos,” levando-o a “qualquer direcção”; “graças aos barcos e aviões”, supera os elementos, “não havendo água nem mar que “impeça os seus movimentos”; “consegue ver melhor, graças a lentes que corrigem os defeitos da visão. Através do telescópio consegue ver para muito longe, e desafia a capacidade da retina ao observar, ao microscópio, os microrganismos que se concentram na matéria, e que de outro modo era impossível vislumbrar. E Freud continua, na sua incansável descrição ”na máquina fotográfica o Homem criou um instrumento que retém as impressões visuais fugazes”, e os exemplos, do psicanalista, não ficam por aqui. Freud desfaz-se em demonstrações, com outros objectos, do telefone ao então gramofone. O que é interessante é como termina este discurso, culminando numa frase que define a base, principal, do trabalho e motivação de Paulo Parra. O ser prostésico.

 

LUVAS BIOLUMINESCENTES, Luva, 1995. Luva é um sistema 
bioluminescente que, quando em contacto com o corpo 
humano transforma a energia térmica do corpo em energia 
luminosa. Este projecto foi distinguido pela 
7th Internacional Design Competition de Osaka, 
Japão, em 1995.

 

A frase de Sigmund Freud é portentosa, em poucas linhas resume, cirurgicamente, o elemento desencadeador (propulsor) de todo o processo em design: “O Homem veio a transformar-se num Deus prostésico”, e esta revelação estrondosa é o que desencadeia muitas das reflexões de Parra.

O “Ser Simbiótico” é um dos seus principais projectos que assentam neste pressuposto. Em 1997 Parra desenvolveu um Bio Fato que pretendia, justamente, prolongar as capacidades biológicas do ser humano, e que consistia em estabelecer um diálogo directo com os órgãos e membros do corpo, e justamente amplificar as suas capacidades ao nível da adaptação, através da potencialização da visão, audição, respiração, regulação térmica, iluminação comunicação, e até de desempenho muscular, conforme referido em catálogo da exposição. Outro dos exemplos de extensão do corpo são as Luvas Bioluminescentes, concebidas em 1995.

Em entrevista à revista Attitude, há uma década atrás, Parra face à pergunta sobre que filosofia suporta suas criações nas várias áreas de intervenção, o designer afirmou o seguinte: “Existem várias direcções que têm um princípio comum. O Design Simbiótico, entender os objectos como extensores do próprio corpo, propor uma simbiose entre sistemas biológicos e tecnológicos, respeitar a energia e os ecossistemas que estão na origem da vida”.

 

 

Carla Carbone