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ENTREVISTA


Helena Falcão Carneiro


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Helena Falcão Carneiro. Plataforma Revólver, 2021.

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HELENA FALCÃO CARNEIRO


26/12/2021

 

 

Helena fala com uma maturidade que não floresce, mas que se herda, inscreve-se nas famílias dos que nasceram a questionar o mundo e que nem por isso se deixam de fascinar por ele. Este texto é pautado pelo fascínio e a forte impressão que a Helena me causa, e não deve camufla-lo. “Curioso”, diz ela, antes de uma pequena pausa, e de avançar para um pensamento. Este texto, que é apenas um pequeno apontamento de entrada para a sua cabeça (custa-me falar da sua obra, quando lhe reconheço como gesto mais relevante a participação e a presença) é uma tentativa - talvez falhada, mas à procura de uma queda gloriosa - de me relacionar também com as suas preocupações, dais quais ando próxima. No seguimento da conversa com Diogo Lança Branco, e no contexto do seu trabalho colaborativo para a plataforma virtual Wetland e para a comunidade enquanto Dylena, tive vontade de propor à Helena que conversássemos uma conversa-jogo. Com um jogo de perguntas e respostas em vista, escrevi-lhe uma série de perguntas, para que me respondesse sem o esforço de pensar, sem ensaios, preparação ou rede, para que me respondesse via pequenos clipes de áudio* durante a sua viagem entre o Porto e Lisboa.
 
 
Perguntava-me, considerando a inacção do estar-sentado com a movimentação territorial: ~ Será que o movimento afecta o pensamento? ~
HFC: Sim, parece-me que o movimento afecta o pensamento. Às vezes até acho que se podia chamar ao pensamento movimento e vice-versa.
 
Por Catarina Real

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O TPC - trabalho para comboio - que escrevi para a Helena, tratava-se de uma espécie de verificação empírica sobre uma existência, através de um destrinçamento de algumas variáveis que poderiam surgir a partir da leitura (da pessoa, do trabalho, das participações). Tratava-se também de uma tentativa de entrar em relação com a Helena, mais até do que em conversação, e assim abrir a possibilidade para que o pensamento da Helena se agenciasse, em directo - no sentido em que era emitido para mim a sua resposta, consigo mesmo. O corpo parado, o corpo em movimento, o pensamento parado, o pensamento em movimento.
O que é primário é de uma dificuldade extraordinária. Tentei a clareza com um enunciado:
“- Fazendo uso de um  pensamento em directo  - com o menor espaço entre o pensar e o proferir e utilizando - no caso de conforto com a oralidade em viagem as gravações do whatsapp responde-me às seguintes questões:
[no caso de não conforto com a oralidade, a resposta poderá ser escrita - mensagens talvez seja o formato escrito mais adequado à velocidade do pensamento, com as mãos]”

CR: Qual é a tua relação com as mãos?
HFC: Não sei, acho que é semelhante à minha relação com as pernas, por exemplo. Embora, quer dizer... sim... as mãos são uma parte muito … se calhar a seguir ao rosto é uma parte marcante da identidade, embora não goste nada de hierarquizar as parte do corpo mas, até há pessoas que lêem a sina nas mãos e, sei lá, as mãos de um ceramista... de uma massagista, enfim... A minha relação com as mãos? É uma relação próxima, como de resto... Sim, fico feliz por ter mãos. Porque... porque... escrevemos com as mãos e tocamos nas coisas com as mãos e parece ser uma parte do corpo com uma capacidade sensitiva muito afinada, então é interessante explorar isso, diria. Sim. 
 
CR: Quais as diferenças de relação entre as mãos e o resto do corpo?
HFC: Em relação às diferenças de relação entre as mãos e o resto do corpo, acho que pode ter um bocado a ver com essa circunstância de, por exemplo, não pegarmos nas coisas com a barriga ou com - sei lá - a cabeça! Ou com as orelhas. Não tocamos uns nos outros... quer dizer, na verdade, toda a superfície do corpo é superfície de toque, mas a coisa das mãos agarrarem e escreverem e … Faz com que seja uma parte do corpo, pronto, acho que é mais ou menos... Para mim seria essa essencialmente a diferença: não usamos outras partes do corpo para pegar nas coisas ou para nos servirmos. Para, para, nos servirmos de um copo de água ou para chamar [alguém], para tocar nas costas de uma pessoa que passou à nossa frente ou para [riso]... Abraçamos com o corpo todo, isso é certo, mas, sim, pois é, eu acho que em relação ao resto, às outras partes do corpo, as mãos teriam essa primazia, do... ah... Do toque. Embora simultaneamente me pareça que todo o corpo é uma superfície de toque, não é? Mas as mãos têm um poder de acção grande nesse aspecto. Nesse sentido são muito articuladas, não é? Temos cinco dedos e são muito articuladas e muito livres e muito capazes, não é? Nesse sentido de gestos pequenos e gestos maiores, o que é interessante. Sim, acho que é um pouco isso.
 
A bem dizer, podemos “segurar” coisas na cabeça: às vezes vejo senhoras com garrafões na cabeça por exemplo. Mas “pegar” ou “ agarrar” são acções mais possíveis com a ajuda das mãos, creio. 
 
 
(Haha estava a ouvir “Lean on me” do Bill Withers, que morreu este ano: resting in power.)
(Ah, muito curioso: agora estou a ouvir “Lean on me” da Aretha Franklin yes! Resting in power.)
]
 
CR: Se eu digo age, o teu pensamento move-se?
HFC: Se disseres age, o pensamento move-se, sim.
 
CR: Preocupa-te que falhemos redondamente?
                    Seria mais proveitoso falhar de outra forma?
HFC: Não me preocupa que falhemos, na verdade até acho que é muito importante o erro ou a falha. O que de facto... De algum modo, a tua segunda pergunta responde à primeira, parece-me. O que é um pouco desanimador é o facto de por vezes parecer que falhamos sempre, ou quase sempre, da mesma forma. Dá impressão de que [de que se trata d]a insistência no mesmo erro e assim uma espécie de insistência numa postura arrogante. Não sei. Dá impressão de que nos falta humildade, às vezes, para insistirmos sempre no mesmo erro. Ahum.. então sim, acho que reinventar a maneira como, ou recriar, ou pelo menos tentar falhar de outras formas seria uma coisa boa. Então aí, de algum modo, a tua segunda pergunta responde à primeira. Mas acho que é muito vital, não é? A questão do falhar. O falhar é vital no fundo, acho eu. 
  
CR: De que forma é sério o espaço da diversão?
HFC: Sim eu acho que a diversão, se resultar de uma espécie de contracto com compromisso com a alegria, é uma coisa mesmo muito séria [riso], mas a palavra séria também - sério, pronto - mas ahuum sim eu acho que …. Investir na alegria é como que um exercício de, de resistência contra a impostura do desânimo e da, sei lá!, E então nesse sentido é uma missão séria, pois, uma missão desafiante, uma missão … séria porque exige esse - parece-me - essa consciência e compromisso constante de não cedência às forças muitas vezes mais ahhhhhhh persuasivas do desânimo ou... Não vou falar da tristeza porque eu não acho que a diversão seja o contrário da tristeza não é?, Pronto, se calhar é. Não sei, pronto. Do desânimo, se calhar, pois. A diversão é uma coisa... [é] mais como uma coisa que vibra, em tensão com uma coisa que não vibra, que é o desânimo, que é, sei lá, a desistência - o que seja - então sim, acho que sim, que é uma coisa séria. Mas não é uma coisa séria de.. Não é séria como outras coisas são. Não é pesada. Não é, mas é séria, sim acho que sim [riso] ou se calhar... pois.
 
CR: O contacto-improvisação ensinado de forma massiva poderia ser uma solução para ________ ?
HFC: Ahuum, eu não sei muito sobre contacto improvisação. Embora, hummm, goste muito de uma série de pessoas que estiveram na raiz do, do, dessa prática, digamos. Ahh, mas acho que podia ser uma solução para a solidão, por exemplo. Sim. 
 
[tchiiiii, a última]
 
CR: Do you believe in god?
HFC: I do believe in god aha. Só não lhe chamaria “Deus”. Mas sinto que uma parte da existência diz respeito ao transcendente. É que a dimensão humana sai a perder quando perde o rasto do espiritual. Acho que a relação com os deuses/deusas, como quiseres, ajuda ao exercício da liberdade (o que provavelmente não tem nada que ver com a ideia de Deus que criámos no Ocidente). Não sei o suficiente sobre o budismo, mas gosto da ideia de que cada um/uma de nós é Buda e está no caminho para a “transcendência”. Ahah. Mas evitando fazer disso um trunfo e destruindo a estranha relação entre as noções de god/deus: divino e poder (aqueles adjectivos terríveis empregues pelo cristianismo para definir deus: todo-poderoso!!?). Mais uma procura viva pelo que não é visto/descrito/material. Provavelmente está profundamente relacionado com “amar”.
 
“Como proposta, e caso te divirta (significando entusiasmo perante x), dedica todo o tempo da tua viagem Porto-Lisboa a estas respostas. Caso não te divirta pensar estes  pensamentos, por favor abandona-os e esquece-os ou... propõe-me outros.
Toma, em cada uma das perguntas, o tempo que achares melhor.  
Poderá acontecer  
- não teres tempo para responder a todas as questões colocadas
- teres tempo para repetir a resposta a todas as questões colocadas [será que a diferença de paisagem motiva uma diferença de resposta? - Repetir, repetir até encontrar o estilo. ]
- divergências ou apartes a partir das questões que te coloco.  Por favor opta por escolher o teu caminho.

Pensa sozinha, sabendo que estamos juntas.”
 
Como plano de fundo, a questão - que me remete sempre a um seminário com o mesmo título no contexto do aniversário do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea, em São Paulo, por parte de Boaventura Sousa Santos - : Porquê pensar?. Talvez para lhe responder precisemos de ouvir o pensamento a ser pensado, com as suas colocações interrogativas e indecisões. Hummmm...  [As respostas que aqui se apresentam respeitam todos as variações da oralidade por essa mesma razão. ]  
 
 
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Helena Falcão Carneiro nasceu no Porto em 1995, vive em Lisboa, é licenciada em Estudos Gerais com Minor em Expressão Plástica pela Universidade de Lisboa e mestre em Comunicação e Artes pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem vindo a participar em projectos nas áreas artísticas e das ciências sociais. 
 
 
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*Áudio e escrita porque tenho um ouvinte atento, corrige Helena.