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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia


Vista da exposição. Fotografia: Liz Vahia


Vista da exposição. Fotografia: Liz Vahia


Vista da exposição. Fotografia: Victor Garcia

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COLECTIVA

HOMELESS MONALISA




COLÉGIO DAS ARTES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
Colégio das Artes, Apartado 3066
3001-401 Coimbra

17 ABR - 05 JUN 2015

Uma Mona Lisa ao relento


“A Mona Lisa não é mais do que uma fotografia tipo passe com paisagem ao fundo” [1]. Esta afirmação, aparentemente redutora, sobre aquela que é talvez a obra de arte mais conhecida, não é o mote da exposição “Homeless Monalisa” nem pretende ser uma caracterização em poucas palavras da mesma. No entanto, o conceito central que perpassa os trabalhos expostos está incluído nesta sentença. O retrato, como ícone do sujeito, e a paisagem, como espaço de agencialidade, como território reivindicado, transmutam-se numa investigação da relação entre o artista e o (seu) espaço, alargando essa mesma operação à relação do Indivíduo com o seu entorno físico, geográfico, social. A relação aqui não é representação e de certa maneira evoca também o modo como a arte contemporânea se caracteriza.

 

Esta exposição tem a curadoria de António Olaio, Jorge Figueira, Pedro Pousada e José Maçãs de Carvalho, e vem no seguimento do relançamento da revista com o mesmo nome [2], composta por textos curtos sobre obras de arte específicas. Cada texto parte de uma obra, assim como cada artista está isolado nesta exposição – cada um ao seu investigar – e os resultados não são de todo estáveis. A caveira branca de Miguel Leal rodopia na plataforma giratória, sem se conseguir localizar, sem se conseguir deter para lançar sortes. As imagens enquadradas de Ana Pérez-Quiroga, em “Quase ali”, criam uma linha costeira única definida pela posição específica do observador. A disposição em ângulo recria uma possível imersão nesse local. Em “Centro urbano, mapa de um desgaste”, peça em bronze de Baltazar Torres, semelhante a um corte de um pneu gasto, é um mapa que reflecte as condições do território, da circulação constante que vai deixando gasta a superfície da matéria.

 

Os trabalhos, que vão desde a fotografia à escultura, à instalação e ao vídeo, denotam essa ideia de que o espaço se constrói pela acção, pelo movimento. Os artistas, entre a arte e a arquitectura, reflectem sobre a experiência do tempo e do espaço, desde as percepções do dia a dia até às intervenções arquitectónicas.

 

Isaura Pena, em “Ver lonjuras” (2015), trabalhou a partir de materiais que foi encontrando no Colégio das Artes, onde desenvolveu o seu doutoramento. Começando por cadeiras antigas num arrumo, juntou caixas de papelão, revistas e desenhos descartados dos alunos de arquitectura. A montagem da obra foi-se dando por ajustes directos dos próprios materiais, surgiu “da actividade experimental de buscar um encaixe, no lado de fora, para fragmentos de percepção, do lado de dentro”, escreve Marcia Vaitsman [3].

 

Nuno Sousa Vieira vem transformando o seu espaço em objecto. Em “Estudo para uma fuga” (2008) manipula, no verdadeiro sentido do manusear, as características arquitectónicas do seu atelier. A porta deste local ainda está numa ombreira presa por dobradiças, no entanto, dobrou-se e apertou-se, tornou-se um volume suspenso.

 

Algumas das obras presentes em “Homeless Monalisa” derivam directamente de materiais ou referentes arquitectónicos, como a já citada peça de Miguel Leal, a de Jorge Santos ou a obra de Miguel Palma, construída a partir de uma maquete do arquitecto Jacques Couélle feita nos anos 1960 para um aldeamento turístico. Ou ainda “Prefiguração geográfica” (2014), de David Maranha, 3 maquetes com textos de parede onde se explica tecnicamente o processo de construção representado, sem pelo meio deixar de notar que há uma presença humana em todo aquele procedimento de transposição do técnico para o habitacional.



“Retrato”, de Vasco Araújo, e “Symbolic landscape #8 / #11”, de Ana Catarina Pinto, falam ambas do espaço interior, da anima que percorre aqueles lugares e do que se esconde no plano que não conseguimos ver. As fotografias de Ana Catarina Pinto mostram dois interiores domésticos vazios, mas habitados, a partir de uma perspectiva de portas que dão a ver parcialmente as outras divisões da casa, como se a verdadeira vida estivesse ali no fora de plano.

 

Um retrato é um revelar de alguém, é um retirá-lo do fundo que o integra. É uma exposição. O retratado fica como que presente na sua representação. Tem um lado artístico e social, um lado de formas e um lado de contexto. Pensar uma Mona Lisa ao relento pode ser reflectir sobre esta relação entre o indivíduo e um espaço. O lugar que se cria nesse processo é o que aqui se mostra materializado nesta exposição.

 

 

 

Artistas: Ana Catarino Pinho, Ana Pérez-Quiroga, Baltazar Torres, Cristina Mateus, David Maranha, Isaura Pena, João Vasco, Jorge Santos, Márcia Vaitsman, Marco Pires, Miguel Ângelo Rocha, Miguel Leal, Miguel Palma, Nuno Sousa Vieira, Pedro Loureiro, Pedro Tudela, Rodrigo Oliveira, Vasco Araújo.

 


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Notas

[1] http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/16464/homeless-monalisa-uma-reflexao

[2] A revista Homeless Monalisa é uma revista online editada pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra e resulta de colaboração com o Departamento de Arquitectura da FCTUC, o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e o Núcleo Cidades Cultura e Arquitectura do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (UC). Recupera a revista criada pelo núcleo Artes Plásticas e Arquitectura do Centro de Estudos de Arquitectura da UC em 2003 e pode ser consultada aqui: www.homelessmonalisa.com

[3] http://homelessmonalisa.com/obra/ver-lonjuras/

 

 

[a autora escreve de acordo com a antiga ortografia]



Liz Vahia