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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.


Vista da exposição. Fotografia: Constança Babo.

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ANISH KAPOOR: OBRAS, PENSAMENTOS, EXPERIÊNCIAS




MUSEU DE SERRALVES - MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA
Rua D. João de Castro, 210
4150-417 Porto

06 JUL - 06 JAN 2019


 

 

 

A arte e a natureza são duas esferas que se encontram interligadas desde sempre. Os objetos artísticos assumem, frequentemente, formas orgânicas e reais e habitam lugares naturais, onde se revelam relações e conjugações tão harmoniosas e equilibradas como inesperadas e impressionantes. Quando o autor é Anish Kapoor, ambas os casos se aplicam, sendo a sua arte completa, plural e indiscutivelmente única.

O artista, nascido em Mombai e residente em Londres, é conhecido por conceber peças distintas, globais e absolutamente transformadoras do espaço em que se inserem. Em todas as suas produções, arrisca, problematiza e alarga o que é a concepção de escultura e a de obra de arte, construindo algo que absorve e se apropria da sua envolvente. Interpela sempre o espectador e convida-o a aproximar-se, a observar atentamente e a disponibilizar-se para uma experiência imersiva, física, visual e perceptiva, sem a qual não é possível compreender na totalidade a obra do artista.

O trabalho de Anish Kapoor é contínuo, materializa uma pesquisa que cresce, amadurece e se desenvolve ao longo do tempo, da qual resultam objetos que, mesmo que se distanciem entre si, a nível visual e formal, partilham uma mesma essência e natureza que os distingue da produção de qualquer outro criador. Cor, forma, estrutura, perspectiva e efeito são os fios condutores principais do artista, aos quais pode acrescentar-se o contexto e o espaço para o qual concebe as suas peças.

Quando Anish Kapoor visitou e explorou, pela primeira vez, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves e as suas imediações, cruzou-se com elementos que o inspiraram e impulsionaram a criar. Os jardins da instituição, reconhecidos como património nacional, revelaram-se o cenário ideal para o artista relocalizar algumas criações do passado e conceber novas. Perto de meio ano depois, no passado dia 6 de julho, apresentou-se o que, desde o início, foi acompanhado por Suzanne Cotter, então diretora do museu, mantendo-se envolvida, depois, enquanto curadora da exposição. O resultado é tão belo, imponente e surpreendente quanto exigente e ambicioso, duas características próprias do artista. Resultado de um forte trabalho de equipa, o projeto "prolongou-se até ao limite do possível", como conta Marta Almeida, atual diretora adjunta de Serralves que conduziu todo o percurso e construção desta ocasião.

Ainda havendo uma obra por finalizar, com data apontada para setembro deste ano, já se encontram instaladas cinco, às quais se acrescenta uma exposição, no interior do museu, de modelos e maquetes destes projetos e de tantos outros, alguns deles nunca concretizados. Contam-se 56 objetos datados dos últimos 40 anos que compõem um fascinante conjunto de arquivos, que são produtos de uma mente repleta de trabalhos, pensamentos e experiências, como o nome da exposição assinala. Suzanne Cotter refere que nessa instância torna-se mais claro o nível da experimentação escultórica e da consciência de fisicalidade, caracterizadoras do trabalho do artista, objeto de ideias complexas que requerem aplicações tão tecnológicas quanto científicas.

No que diz respeito às instalações, a peça escolhida para integrar o hall de entrada do museu, White Out (2004) é geométrica e particularmente minimalista, com a capacidade de habitar o espaço, sem a ele se sobrepor, ao invés, dialogando com Álvaro Siza. Tanto essa como a obra que se encontra no exterior, localizada paralelamente ao percurso de entrada do museu, são a forma de Anish Kapoor se relacionar com o que considera ser a construção de "um dos maiores arquitetos de todos os tempos". Apresentada pela primeira vez nos jardins do Palácio de Versailles, em 2015, Sectional Body preparing for Monadic Singularity é a peça que marca o início da intervenção nos jardins.

As restantes obras têm como envolvente o profundo verde da natureza e o azul do céu. Sky Mirror (2018), próximo da Casa de Serralves, está estrategicamente disposta numa pequena área que se rende aos seus mais de três metros de aço inoxidável de uma forma côncava que, como o artista observa, "trás o céu até ao chão". A interação entre elementos desenvolve-se e continua, sendo depois evocada numa estrutura construída especialmente para esta ocasião e cujo propósito é a sua utilização para chamar pássaros. Language of birds sugere a comunicação entre todas as espécies mas, principalmente, entre o homem e o animal.

A visita ao parque termina com Descent into Limbo (1992), a mais antiga obra do artista agora exposta em Serralves. O espectador é convidado a entrar dentro desta construção de cimento e a descobrir um cenário em certa medida dantesco. No chão, um profundo buraco negro com forma circular no centro do monumento quadrado, joga com geometria, linhas e perspectivas. Abre-se um espaço de percepção onde se desenvolve uma experiência intensa e particularmente distinta das anteriores. Esta peça e outras de Anish Kapoor evocam a dimensão da fantasia. O artista confessa o seu fascínio pelo estranho, algo que procura implementar na sua criação, para tal afastando-se da perfeição e da beleza e apelando, precisamente, ao oposto, ou seja, ao peculiar e ao único. Essa é mais uma singularidade que torna o seu trabalho tão distinto quanto valioso.

O artista questiona se, na arte, será suficiente colocar objetos em espaços. Propõe, ao invés, que se desenvolva uma reflexão sobre ambos os elementos, sobre a sua interação e simbiose.

O homem contemporâneo, absorvido pela acelerada atualidade e pelos pequenos objetos tecnológicos do quotidiano distancia-se, frequentemente, do mundo e da paisagem. As obras que aqui se apresentam surgem como a resposta do artista, propondo uma reaproximação à origem, um retorno a questões primordiais tais como de onde vimos? e para onde vamos? No que diz respeito a esta exposição, sabe-se que a direção a tomar é para além da escultura, da land art, dos jardins e do céu. É ingressar numa viagem que, até dia 6 de janeiro de 2019, permite ao público o contacto com a essência da natureza e da arte, reveladas no confronto e na experiência com cada objecto de Anish Kapoor.



CONSTANÇA BABO