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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


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Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.


Vista da exposição. Fotografia Teresa Tojo.

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ARQUIVO:


A COLECÇÃO PINTO DA FONSECA

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL




MUSEU ARPAD SZENES - VIEIRA DA SILVA
Praça das Amoreiras, 56
1250-020 Lisboa

20 SET - 13 JAN 2019


 


O móbil é antes a paixão que o dinheiro. E a paixão faz as coisas acontecerem” (Víctor Pinto da Fonseca)

 

Habitam estas paredes várias visões: as dos artistas que criaram as obras, a do coleccionador que as adquiriu e a do curador que as seleccionou. Quando se junta à visão do coleccionador a do curador, o resultado só pode ser de uma sinceridade pura. A sinceridade de quem adquiriu as obras não pensando no valor monetário mas sim no seu valor estético e sentimental, de quem viveu junto dos artistas partilhando as suas vivências e de quem olhou para as obras com outros olhos. Os mesmos olhos que permitiram que uma colecção de arte se transformasse numa educação de vida e de valores transmitida por um pai a um filho que hoje partilha com o público não só arte, mas uma forma de vida.

 

A Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva acolhe até dia 13 de Janeiro a exposição “Educação Sentimental. A Colecção Pinto da Fonseca”. Mostra-se uma parte da colecção que António Pinto da Fonseca desenvolveu entre o final dos anos 70 e o início dos anos 90. A curadoria está entregue a Víctor Pinto da Fonseca, o filho que participou de forma tão activa na construção da colecção, estando presente no momento da compra de todas as obras, algumas na companhia do pai e outras sozinho. Não havia outro caminho a tomar que não o da pessoa mais próxima à reunião destas peças: “tudo o que está aqui é olho do meu pai e o meu olho, não havia forma de convidar um curador”.

Esta colecção faz-se dos dois, se inicialmente impulsionada pelas escolhas estéticas de António, mais tarde embebida do espírito de Víctor, que confessa ter havido momentos em que voltava sozinho às galerias depois da compra das peças para se sentar e tentar compreender as escolhas do pai. Esta leitura e aprendizagem levou a que de dois olhares se fizesse apenas um, tornando impossível a identificação do comprador da obra: “eu tenho o olhar que aprendi com o meu pai, é só um olhar”.

Quando chegou a Portugal vindo de Luanda, em 1977, António Pinto da Fonseca começou por comprar Arte Moderna num período curto até entrar na Arte Contemporânea. Para isso contribuiu muito o facto de começar a relacionar-se com os artistas, o que fez com que no início dos anos 80 começasse a apoiar nomes então pouco conhecidos, como Pedro Cabrita Reis e José Pedro Croft. Neste encanto crescente pela arte contemporânea, que Víctor afirma ter a ver com a inquietude e a novidade, começou a nascer uma colecção que se construiu conhecendo pessoas, escolhendo criteriosamente as galerias e com tempo. Esta exposição, que vive da predominância de artistas portugueses da segunda metade do séc. XX, nasce de uma colecção com quarenta anos de evolução e selecção, que se faz “com conhecimento, leitura e discussão”.

Na recente visita guiada à exposição, Víctor Pinto da Fonseca confessou ter sido um desafio fazer a transição espacial entre a mostra permanente e a sua “Educação Sentimental”. A primeira sala recebe o núcleo de trabalho mais clássico desta exposição, com João Cutileiro, Menez e Júlio Pomar, de quem de entre quatro obras presentes se destaca “Santo António a pregar aos peixes”, adquirida na primeira grande exposição do pintor depois do período pós-revolução, em 1985. Uma obra que leva Víctor a partilhar com o público a recordação do momento da sua compra, sublinhando que desta educação faz parte um aprender consciente, que se desenvolve em questões tão simples como nessa altura esta obra o ter levado a querer saber quem era, historicamente, esta figura representada por Pomar.

Todos os momentos de compra destas obras escondem em si uma história e nela invariavelmente os afectos. A segunda sala, com Paula Rego, Helena Almeida, José de Guimarães, Marcelino Vespeira, Hogan, António Dacosta e Joaquim Rodrigo, está embebida de sentimentos e afinidades. José de Guimarães, que conhecera António em Luanda, é o primeiro artista a entrar em casa de ambos, em 1978. Vespeira foi companhia assídua de tardes de conversa e o quadro de Hogan presente nesta exposição pertencia-lhe. É na vida em comum com os artistas que se constrói este olhar. E nesta vida em comum reside muitas vezes um espírito de ajuda de António aos artistas em dificuldades, quer pela compra de obras como pela ajuda mais pessoal, contemplando momentos privados das suas vidas. São artistas que se tornam amigos, numa vivência em que simultaneamente se ama a obra e o autor. É no meio de toda esta convivência que Víctor começa também a fazer amigos e a iniciar ele mesmo a sua compra de obras. É particularmente interessante quando afirma que nunca conseguiu disfarçar a sua paixão pelas coisas, dando o exemplo da compra da obra de Lourdes Castro (“Sem título”, 1966), a única peça pela qual, diz, cometeu uma loucura na vida. É na mesma sala que residem René Bertholo, Costa Pinheiro, Eduardo Luís e José Escada, partes integrantes do grupo KWY, cujo nome remetia para as três letras que não existiam no alfabeto português e que assinou a revista publicada com o mesmo nome entre 1958 e 1964.

Outra geração compõe a última sala, entregue ao grupo de Évora: Jorge Martins, Joaquim Bravo, António Palolo, Álvaro Lapa e António Areal. Este último representado com duas obras, sendo uma delas “3º andamento do 1º concerto de Chopin”, de 1971, que a título de curiosidade representa Maria João Pires ao piano e esconde, por trás da tela, um texto escrito para a pianista.

 

Pedro Cabral Santo, Su pression, 2007-08.

 

A exposição encerra com Ângelo de Sousa e “Os deveres escolares” de Paula Rego, de 1969, em frente da qual Víctor confessa ser “extraordinário quando encontras amores perfeitos e tens a possibilidade de serem teus”. Pelo meio dos amores perfeitos de Víctor e António passámos também por Vítor Pomar e Pedro Cabral Santo, que figura nestas salas como um mote para uma possível futura exposição onde se mostrará as obras da colecção Pinto da Fonseca desde os anos 80 até à actualidade.

A visita a esta exposição faz-se percorrendo ao longo das várias salas obras das décadas de 60 a 80. No meio da arte vivem histórias, amizades e afectos que formaram todo um corpo de educação transmitida por António Pinto da Fonseca aos filhos. Nesta educação, sentimental, a arte forma um olhar crítico, emocional e sensível. E para Víctor, “é ser sensível o que está antes de tudo nesta exposição”, que dedica ao seu pai.

Partilha-se a arte e uma forma de vida. A de quem se constitui de pedra e cal como independente no meio artístico, idealizando e concretizando à margem do estabelecido projectos que de forma tão altruísta têm marcado de forma indelével a vida cultural de Lisboa. A homenagem a António Pinto da Fonseca nunca poderia ser algo póstumo, ele continua vivo na educação sentimental cuja pequena parte agora se partilha.

 

 



NATÁLIA VILARINHO