Links

EXPOSIÇÕES ATUAIS


Créditos: Benedita Pestana


Créditos: Benedita Pestana


Créditos: Benedita Pestana


Créditos: Benedita Pestana

Outras exposições actuais:

PEDRO TUDELA

U MADE U


Kubikgallery, Porto
CONSTANÇA BABO

COLECTIVA

PRÉ/PÓS - DECLINAÇÕES VISUAIS DO 25 DE ABRIL


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

YAYOI KUSAMA

YAYOI KUSAMA: 1945-HOJE


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
MAFALDA TEIXEIRA

ANTÓNIO FARIA

AS VIZINHAS


Centro Cultural Bom Sucesso, Alverca do Ribatejo
FÁTIMA LOPES CARDOSO

MARIA DURÃO

EVAS


Kubikgallery, Porto
SANDRA SILVA

COLECTIVA

ENSAIOS DE UMA COLEÇÃO – NOVAS AQUISIÇÕES DA COLEÇÃO DE ARTE MUNICIPAL


Galeria Municipal do Porto, Porto
CONSTANÇA BABO

TINA MODOTTI

L'ŒIL DE LA RÉVOLUTION


Jeu de Paume (Concorde), Paris
MARC LENOT

COLECTIVA

ANAGRAMAS IMPROVÁVEIS. OBRAS DA COLEÇÃO DE SERRALVES


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
CONSTANÇA BABO

JOÃO BRAGANÇA GIL

TROUBLE IN PARADISE


Projectspace Jahn und Jahn e Encounter, Lisboa
CATARINA PATRÍCIO

JOÃO PIMENTA GOMES

ÚLTIMOS SONS


Galeria Vera Cortês, Lisboa
MADALENA FOLGADO

ARQUIVO:


SARA MEALHA

TANGO








05 OUT - 28 NOV 2019

Sara Mealha no Armário

 

 

O Armário é um projecto independente situado na Calçada da Estrela nº 128A com direcção de Benedita Pestana . Já contou na sua programação-provocação com nomes como António Olaio, Ana Vidigal, Armanda Duarte, Vânia Rovisco, André Alves e Luísa Cunha entre vários outros, numa constelação artística muito interessante e pertinente. É um espaço cuja provocação dada aos artistas, como mote para acção, e para exposição, é a de o espaço expositivo ser habitado primordialmente pelo objecto que lhe dá nome - um armário. Um armário de madeira e vidro, “três prateleiras e duas gavetas com puxadores em latão” (como se lê no texto de apresentação do projecto em http://o-armario.a-montra.com), próximo de uma vitrine. Ao artista, dá-se liberdade, mas também contingência: o armário não pode ser movido para fora da sala e a sua integridade deverá ser mantida.

A exposição de Sara Mealha, Tango - inaugurada a 05 de Outubro e patente no Armário até dia 28 de Novembro, visitável sob marcação e com a atenta e disponível companhia da Benedita - traz-nos o gesto expositivo de esconder o evidente. Não disfarçar, não fingir: velar. Há um acondicionamento do armário e do espaço-ele-mesmo que torna evidente a incapacidade do proposto: é impossível esconder-se não só as evidências como aquele armário, e aquele espaço, ou o espaço vazio que entre eles se forma e que nós, enquanto corpos, ocupamos.
Esconder uma característica evidente evoca fenómenos próximos, como o gesto de Fernão Cruz, ao ocultar o chão azul da galeria Balcony na sua exposição “Long Story Short” ou mesmo com as suas esculturas que parecem esconder o próprio referente que representam, ou fenómenos menos próximos e de outras escalas, como as tentativas anunciadamente falhadas de ocultar objectos, edifícios e ilhas de Jeanne-Claude e Christo. Ocultando, evidencia-se o oculto, anuncia-se o que já estava lá enquanto evidência. Há um movimento contrário a ser colocado simultaneamente no mesmo movimento. Armário como Ilha. Dupla-captura entre o ocultar e o desvendar.

Ocultando uma evidência, evidencia-se o ocultamento. Entramos como que na evidência do espaço que o armário em si não ocupa. E Sara, com as suas esculturas sinalética - e novamente exemplos próximos e ainda mais próximos como os de Horácio Frutuoso com as suas pinturas que assinalam o vazio e a nossa respectiva entrada e saída deles ou mesmo João Louro, anunciando a distância a que nos mantemos dos autores e dos seus espaços conceptuais nos vários Dead Ends - evoca o Tango.

Tango é o nome da exposição mas as figuras-esculturas não parecem dançar, ou pelo menos não connosco, que chegamos tarde à dança. Talvez com as suas próprias sombras inúteis e imóveis (não há entradas de luz natural, a luz não mexe, nem a sombra, simultânea que é com uma perspectiva de topo - posso exagerar para efeitos imagéticos, a inexactidão justifica-se pela vontade do exercício especulativo se cumprir, serve a retórica.) Poderia dizer-se mais um tango interno, um tango implícito. Os padrões coloridos e repletos de texturas visuais, no fundo as esculturas são uma espécie de desenhos em rebelião contra o quadrado e a parede, com a sua estrutura própria. Talvez reclamando o seu movimento, talvez reclamando o corpo que elas próprias anunciam. Estes desenhos evocam também a anterior exposição de Sara “ às nove a caminho” pela morfologia, que parece ainda uma reminiscência das possíveis pegadas, juntas, misturadas... um corpo à procura do corpo. Ou do corpo do outro, para que dance. Contrasta contudo com a negritude dos seus ratos, muito embora carrega a mesma comicidade.

Parece-me no entanto que o acto principal e primordial desta exposição é mesmo o de tornar o espaço um envelope, deixar-nos entrar mas ainda assim fazer-nos saber que ali não é a nossa casa, estamos de visita, obrigam-nos a não sujar o chão, como num hospital, como se aquela dança que alguém ao longe evoca - o autor - não fosse para nós. Aqui é Tango, mas não se dança, pára-se.



Catarina Real