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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.


Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.

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ARQUIVO:


COLECTIVA

A IDADE DE OURO DO MOBILIÁRIO FRANCÊS. DA OFICINA AO PALÁCIO




FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN
Av. de Berna, 45 A
1067-001 Lisboa

06 MAR - 28 SET 2020


 

A exposição “A idade de Ouro do Mobiliário Francês”, com curadoria de Clara Serra, ainda pode ser visitada na galeria do piso inferior da Fundação Calouste Gulbenkian, até ao dia 26 de Setembro. Mais do que revelar peças do século XVIII, a exposição desvenda modos de fazer, ferramentas, costumes e corporações de marceneiros, de acordo com o estilo da época.

Segundo Clara Serra, o mobiliário francês, nesse período, “atingia uma qualidade técnica e artística sem precedentes”. Período este “compreendido entre o final do reinado de Luís XIV e a Revolução”, e que “ficou conhecido como a Idade de Ouro do Mobiliário Francês”.

As condições económicas florescentes da época propiciaram uma evolução do mobiliário nunca antes perspectivado. E com elas uma procura, por parte da elite abastada, de peças que traduzissem, e ostentassem, esse florescimento e ascenção social.

Por esse motivo, e por se tratar de uma elite com gostos sofisticados, os marceneiros foram obrigados a inovar as suas criações. Quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista dos materiais escolhidos.

As descobertas marítimas dos portugueses permitiram também, por isso, a chegada de novas e exóticas madeiras oriundas da Ásia, da África e da América, para o continente europeu, da qual França não foi alheia, às suas densas propriedades tonais e texturais. Helen Jacobsen, no texto que realizou para o catálogo da exposição, menciona o uso de “carapaça de tartarugas, das águas temperadas”, como recurso exótico e “em alternativa aos folheados”.

A exposição levanta assim o véu por detrás da conceção e execução destas belas peças, dos artesãos e ebanistas envolvidos, bem como da complexa tensão existente entre as suas diversas corporações.

Para melhor explicar os pormenores técnicos e materiais do mobiliário francês do séc. XVIII, a curadora contou igualmente com a ajuda preciosa da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva.

 

Vista da exposição A Idade de Ouro do Mobiliário Francês. Da Oficina ao Palácio. Fotografia: Carla Carbone.

 

Com a expansão marítima, o mobiliário de França recebia influências das técnicas de laca asiática, enriquecidas, depois, com extraordinários ornamentos em bronze, que, segundo Helen Jacobsen, eram “frequentemente dourados”. A provar a riqueza de recursos e materiais, que usados para adornar o mobiliário de setecentos, a mesma autora acrescenta: “importava-se mármore europeu para guarnecer as cómodas e as mesas com tampos lisos e funcionais. O trabalho destes diversos materiais exigia artesãos cada vez mais especializados, o que constituía um crescente desafio às regulamentações do meio pré-existente”.

Além das ferramentas e linhas de montagem descriminadas na exposição, podem ver-se problematizadas as questões relativas às corporações, tão vincadamente delimitadas as suas fronteiras. Em Paris estabelecia-se um sistema corporativo muito acentuado de “organização social”. Para Jacobsen, “cada área de especialização tinha a sua própria corporação, que estruturava uma boa parte da vida dos artesãos”. Cada corporação tinha as suas regras que se distinguiam pelas suas técnicas e materiais. Os menuisiers, que se ocupavam da criação de peças de mobiliário, ou os menusier en ébéne, ou ébéniste, que trabalhavam e manuseavam o ébano.

Bairros de marceneiros, especialmente a zona de Saint-Antoine, alinhavam-se pelo Sena, a aguardar o desembarque da madeira proveniente de vários pontos do mundo.

Não era fácil tornarem-se mestres marceneiros. Segundo Jacobsen, André-Jacob Roubo terá descrito, em 1771, as dificuldades por que passavam os aprendizes, e as competências que tinha que adquirir. Desde técnicas de marcenaria, domínio total do desenho, conhecimentos de “química, metalurgia e serralharia”, e saberes de arquitectura, perspectiva e ornamentação”.

Começavam cedo estes aprendizes, segundo Jacobsen. Com idades compreendidas entre os 13 e os 23, alguns, ficavam subordinados a um mestre durante um período de aproximadamente 6 anos. Trabalhavam em condições precárias e dormiam até nas oficinas. Nem todos chegavam a mestres. Denunciando o grau de exigência que a atividade exigia.

Uma exposição a não perder.



CARLA CARBONE