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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo


Alexandre Conefrey, Sem título #1 a 25 (Série Zepelim); 2021. Grafite sobre papel. © Pedro Lobo


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo


Alexandre Conefrey, Sem título #1 a 19, 2021. Técnica mista sobre papel. © Pedro Lobo


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo


Alexandre Conefrey, Sem título #1 a 25 (Série Zepelim); 2021. Grafite sobre papel. © Pedro Lobo


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo


Alexandre Conefrey, Sem título #1 a 25 (Série Zepelim); 2021. Grafite sobre papel. © Pedro Lobo


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo


Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo

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PEDRO CALAPEZ & ALEXANDRE CONEFREY

UM ESTRANHO AQUI CHEGUEI




GALERIAS MUNICIPAIS - PAVILHÃO BRANCO
Campo Grande, 245
1700-091 Lisboa

18 SET - 14 NOV 2021


 

 

How the storm has torn
the grey mantle of heaven!
The wisps of cloud flutter
about, jostling feebly.
And tongues of red fire
flicker among them.
I reckon this a morning
to match my frame of mind!
My heart sees in the sky
its own painted portrait.
It is nothing but winter,
winter chill and savage.

(Fragmento/
Der stürmische Morgen)
Poesia de Willhelm Müller
Tradução Inglesa de William Mann

 

 

Um estranho aqui cheguei, de Pedro Calapez e Alexandre Conefrey, celebra a contemplação da obra poética e lírica “A viagem de Inverno” de Wilhelm Müller, posteriormente, composta por Franz Schubert, numa série musical, cujo conjunto de 24 lieder se revelou no ciclo Winterreise.

Esta série poética e musical de Winterreise canta um viajante numa solitária jornada, que deambula para o desconhecido, envolto em névoa e neve, numa paisagem invernosa, transparece o seu universo conturbado e introspetivo do estado da alma: “My heart is as good as frozen; /within it her image gazes coldly. /If ever my heart thaws again, / her image too will melt away” (Erstarrung).

O diálogo estético entrelaçado de Pedro Calapez e Alexandre Conefrey cria uma simbiose do universo pictórico que louva o sentimento trágico do ser humano, apresentando, assim, não uma leitura ilustrativa da obra romântica, mas, porventura, uma inspiração meditativa do que se entende por sublime na atualidade. Ambivalência das duas linguagens dos pintores que se cruzam e se movimentam no espaço, transfere para o observador as tonalidades melancólicas e caminhos trágicos do estado da alma do ser contemporâneo.

Em Pedro Calapez, as pinturas de grandes dimensões projetam a performance do corpo no espaço infinito, numa aproximação da metafísica do ser, onde o campo de visão se expande para além do caminho introspetivo e se dissipa na paisagem. A cor negra que produz nas pinturas, cria uma visão da tragédia, de sofrimento e dor, que se manifesta num fluxo orgânico da expressividade da cor, acabando por quase abandonar a representação figurativa, para sugerir um “organismo vivo da paisagem”.

Caminhamos no espaço. Sentimos o corpo. Somos arrebatados pela imensidão do escuro, o infinito da cor negra que expressa o vigor do gesto como se fosse um deslocamento da pincelada. A emoção transparece na ação. Na profunda obscuridade, o impulso e o gesto repetem-se até à exaustão.

 

Another source of the sublime, is infinity; if it does not rather belong to the last. Infinity has a tendency to fill the mind with that sort of delightful horror, which is the most genuine effect, and truest test of the sublime. (Burke, 2008, p. 73)

 

Em contrapartida, Alexandre Conefrey assume, nas pinturas de pequeno formato, delicadas pinceladas de cor, suspensas no ar, cujo gesto se intensifica com a ausência da cor, onde delineia o registo da passagem do Zepelim no espaço, através dos desenhos. Da escuridão e do vazio, da solidão e do silêncio, predomina no infinito a aspiração do ser humano para algo cada vez maior.

 

Vista de exposição Um estranho aqui cheguei, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey. Pavilhão Branco, 2021. © Pedro Lobo

 

 

O observador caminha entre as obras suspensas e as que limitam o espaço. Do pequeno para o grande formato, a exposição um estranho aqui cheguei vivencia um discurso sobre o sublime. O olhar perde-se na condição de viajante, cuja vibração da pintura ensaia uma outra trajetória do engenho da máquina do Zepelim que atravessa abismos sem fundo, numa extensão sem limites. O desejo da conquista do viajante ansioso pelo desconhecido, que precedeu durante gerações desde os tempos remotos setecentista, suscita as oscilações das inquietações existenciais do ser humano. Através do imaginário da aventura pelo mistério, o espetador é colocado no tempo presente e na contingência da ausência de qualquer destino.

Contemplamos o sublime. Num diálogo de discursos complementares, somos invadidos pela escuridão e pelo vazio, enquanto observadores, mergulhamos no infinito traçado por um Zepelim.

Na exposição, os espectadores encontram-se na presente jornada, cujo imaginário carregado de perturbadas emoções e de experiências trágicas esboça um percurso sem rumo, “sem-sentido”, manifestando a insólita Era contemporânea.

Descobre-se outras leituras de diferentes perceções estéticas sobre “A viagem de Inverno”, que, em certa medida, renasce um outro discurso trágico, sentimos a nossa existência, quando vagueamos entre as obras dos artistas, como afirma o curador Sérgio Fazenda Rodrigues (2021):

 

Algo que se estabelece no diálogo entre o que está ao longe e o que fica perto entre o que nos move para baixo e o que nos dirige ao alto no todo e na parte, no que se alarga e no que se focaliza, na síntese e na saturação.

 

Um estranho aqui cheguei abre outras perceções sobre os caminhos existenciais. Entre a ação e a experiência de sentir, a tragédia e o silêncio, a cor escura e o desenho, revela-se uma inaudita experiência de viagem, na qual vislumbramos no infinito o desvanecimento da existência humana.

 

 

 

Joana Consiglieri
Vive e trabalha em Lisboa. Artista plástica, teórica de arte, investigadora, professora do ensino superior e Design (Cocriadora de AMAZ’D art studio). Doutoramento em Ciências da Arte. Mestrado em Teorias da Arte e licenciada em Artes Plásticas – Escultura.



JOANA CONSIGLIERI