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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Edvard Munch, Autorretrato com cigarro, 1895, óleo sobre tela, 110.5×85.5cm, Oslo, Galeria Nacional.


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Edvard Munch, Casais abraçando-se num parque (Friso Linde), 1904, óleo sobre tela, 91×170.5cm, Oslo, Munchmuseet.


Vista da exposição Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Sophie Crépy


Edvard Munch, Junto ao leito de morte, 1895, óleo e têmpera sobre tela, 90×120.5cm, Bergen, KODE Art Museum.


Edvard Munch, A Luta contra a morte, 1915, óleo sobre tela, 174x230cm, Oslo, Munchmuseet.

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ARQUIVO:


EDVARD MUNCH

EDVARD MUNCH. UN POÈME DE VIE, D’AMOUR ET DE MORT




MUSÉE D'ORSAY
62, rue de Lille
75343 Paris

20 SET - 22 JAN 2023


 


O problema que tenho com a exposição Munch no Musée d'Orsay (até 22 de janeiro), é que poderia escrever páginas e páginas, um livro quase [1]. Sou fascinado por Munch há 17 anos, quando descobri os seus autorretratos na Royal Academy, e vi diversas exposições do seu trabalho (aqui, aqui, aqui) e li vários livros sobre ele, algumas vezes por não ter visto as exposições (aqui e ali). Esta exposição está entre as melhores para a descoberta dos temas da sua obra (o que não me impedirá de lhe fazer algumas críticas). Os comissários fizeram uma escolha temática e não cronológica, o que tem a vantagem de fazer compreender melhor a essência do seu trabalho (e o inconveniente, lá chegarei, de ocultar a dimensão biográfica, necessária à percepção de certas obras, uma vez que a arte e a vida nele são indissociáveis). E, sem ser um “anti-Grito”: essa imagem que se tornou um ícone e um meme (e nós não mais podemos verdadeiramente olhar para ela com uma percepção artística, infelizmente) está praticamente ausente, apenas representada por uma gravura.

A primeira sala já dá o tom, ou, em todo o caso, um tom: cinco retratos, quatro bastante realistas e clássicos (o sulfuroso Hans Jaeger em 1889, a rígida e puritana Inger em 1889 e 1892, e a outra irmã de Munch, Laura, já presa à melancolia depressiva, em 1888). E em frente um autorretrato, um pouco mais tardio (1895), onde no lugar de calmas áreas planas, temos um tumulto nebuloso, no lugar de poses muitas vezes convencionais, temos formas atormentadas, indecisas, fusionais: nesse Auto-retrato com cigarro, Munch, aos 32 anos, inventa um estilo. A exposição fecha com um outro autorretrato, igualmente maravilhosamente confuso e atormentado, de 1903, em que o pintor, nu, emerge das chamas do inferno: não só a forma foi sacudida e desconstruída, mas o tema é aprofundado e testemunha agora as angústias e os tormentos psíquicos do artista.

 

Edvard Munch, Autorretrato no inferno, 1903, óleo sobre tela, 82x66cm, Oslo, Munchmuseet.

 

 

Existem muitas maneiras de visitar esta exposição, e é aqui que eu devo controlar o fluxo dos meus comentários para não os explorar todos aqui. Poder-se-ia só ver os seus autorretratos, todos trágicos, angustiados, ele envelhece-se sempre, e a morte está sempre presente. Poder-se-ia concentrar sobre as suas ansiedades, a morte da sua irmã Sophie, mas também a sua dificuldade de viver, de criar, de confrontar o seu eu profundo. Poder-se-ia admirar o pintor de paisagens e de cenas, as suas composições amplas e enfáticas, ou os seus rostos emergindo em primeiro plano da tela como para melhor nos conduzir nela. Poder-se-ia interessar pelo seu sentido de decoração, da encenação espacial, dos frisos e das grandes composições; e também pela diversidade dos seus médiums (mesmo se as suas fotografias estão aqui ausentes) e pela sua mestria com a gravura. Poder-se-ia tentar entrar na sua vida privada, as suas alegrias e os seus infortúnios amorosos (mas a relativa ausência de dados biográficos não o ajudará a saber quem é a mulher com broche ou quem é aqui personificada por Charlotte Corday; e, mesmo no espírito da época, qualificar Milly Thaulow de pioneira do feminismo na Noruega faz sorrir, o seu único registro de serviço consistente foi ser, em 1910, vinte e cinco anos depois da sua ligação com Munch, a primeira mulher jornalista de moda na Noruega. …). E cada um destes percursos mereceria páginas e páginas…

O seu trabalho de gravura é notavelmente bem apresentado, em particular toda uma parede consagrada ao Beijo, um período de perto de cinquenta anos (de 1894 a 1943), onde vemos como as formas dos corpos e dos rostos do homem e da mulher se fundiram gradualmente. A última xilografia do Beijo, a sua última obra antes da sua morte, mostra um quasi-desaparecimento das formas humanas nos veios da madeira, um resultado notável.

 

Edvard Munch, Beijo no campo, 1943, xilografia, 40.4x49cm, Oslo, Munchmuseet.

 

 

Teria, por outro lado, adorado que uma perspectiva semelhante tivesse sido oferecida para a sua pintura: ao longo dos anos, as suas formas dissolvem-se, os seus fundos, no início muito clássicos, tornam-se manchas coloridas, flutuantes (face a face, aqueles dois quartos da morte, de 1895 e de 1915, são, nesse sentido, reveladores, e a sua confrontação teria merecido mais atenção); pouco a pouco tramas coloridos, formas quase abstratas aparecem no cenário, como por exemplo a colcha do seu último autorretrato (ausente da exposição), com o relógio sem ponteiros, que inspirou Jasper Johns. E nada sobre o “maltrato”, o facto de Munch deixar deliberadamente as suas telas ao ar livre, à prova dos elementos, neve, vento, frio, chuva, para conservar apenas aquelas que resistiram bem. É uma pena terem simplesmente exposto, sem as explicitar ao visitante, as evoluções do seu estilo e do seu toque nas suas pinturas, ainda que os comissários o tenham feito muito bem para as suas gravuras.

Verá nesta exposição obras formidáveis, essenciais (e sobre cada uma poderia escrever-se um artigo inteiro): Puberdade, Melancolia, Metabolismo e a sua moldura esculpida, a tela intitulada (por um outro) Vampiro, Noite na Avenida Karl Johan, os Banhistas, as Jovens raparigas numa ponte, a Mulher em lágrimas, as telas preparatórias das pinturas murais para a Universidade e, evidentemente, os seus autorretratos, sete telas aqui (mais uma litografia e um guache) das cerca de sessenta que ele pintou. A única tela pertencente ao Musée d'Orsay, bastante secundária, um muro de vedação de 1904, está lá; a única outra tela num museu francês, o Pensador de Rodin no parque do Dr. Linde, não está lá. Isso demonstra infelizmente o desinteresse histórico da França em relação a Munch até recentemente, ainda que as muitas estadias de Munch em França tenham sido essenciais para ele.

 

 

 

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Notas

[1] E além disso: Angústias e desejo



MARC LENOT