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EXPOSIÇÕES ATUAIS


© Martín La Roche / Cortesia Miriam Gallery


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ARQUIVO:


MARTÍN LA ROCHE

YO TAMBIÉN ME ACUERDO (I DO REMEMBER)




MIRIAM GALLERY
319 Bedford Ave, Brooklyn
NY 11211, Estados Unidos da América

21 SET - 18 NOV 2023


 


Miriam Gallery apresenta a exposição “Yo también me acuerdo (I do Remember)” de Martín La Roche até ao dia 18 de Novembro de 2023. Miriam Gallery é um espaço expositivo e livraria, localizado em Williamsburg, Brooklyn, fundado e gerido por Jaclyn Dooner e Simón Ramírez. É um espaço intimista, que permite a criação de relações próximas com artistas e curadores que colaboram ou participam no projecto. Apresenta as mais diversas práticas e obras através de exposições, eventos pontuais de apresentações de livros, performances ou oficinas, e tem em permanência o espaço de livraria na entrada da galeria. A livraria é composta por uma cuidada selecção de publicações e livros de artista, com forte presença de editoras e artistas da América Latina.

“Yo también me acuerdo (I do Remember)” é uma exposição cuja obra principal é uma instalação interactiva com referência à terapêutica “Sandplay”. Esta terapia tem como reminiscência as práticas contemplativas de influência budista e utiliza a área de uma caixa de areia para instigar o acesso a eventos traumáticos presentes no subconsciente. Esta terapia foi maioritariamente divulgada nos anos 50 do século passado por Dora Kallf, e tem forte influência de Jung.

 

© Martín La Roche / Cortesia Miriam Gallery

 

Esta instalação consiste na presença de uma caixa de areia no centro da galeria, semelhante às que marcam presença em parques infantis, e que pode ser utilizada pelos visitantes, com recurso a uma panóplia de objectos recolhidos e encontrados, instalados em várias prateleiras na parede adjacente. Estes objectos, maioritariamente de pequeno formato, são de várias ordens e materiais; pequenos brinquedos, miniaturas de autocarros escolares, carrinhos de brincar, pequenas figuras de animais, cartas de baralho, postais, estranhos objectos de vidro que parecem pertencer a espaços laboratoriais, espirais metálicas, organizadores de escritório com slides fotográficos... O recurso e utilização a estes objectos por parte dos visitantes deverá ser realizado através da escolha particular de objectos que lhes relembrem situações anteriores.

Esta é também uma referência ao livro de Joe Brainard, “I Do Remember”, de 1975, que reúne frases das mais variadas ordens, sempre iniciadas pelo sujeito e verbo “Eu recordo”.

Na folha de sala está presente o seguinte excerto

I remember things I didn't do.
I remember wishing I knew then what I know now.
I remember peach-colored evenings just before dark.

Através destas três frases evocadas, conseguimos compreender a intenção desta exposição, e a relação entre as três peças que a compõe, como se cada uma delas conseguisse tornar-se uma sinopse de cada uma das obras, respectivamente, “Sandplay”, “The Mondays Bulletin Board” e “Gamma Colors”.

“Gamma Colors” é conjunto de serigrafias que convida a um novo entendimento e nomeação de uma gama de cores, onde determinadas tonalidades são chamadas de “Chewed pepermint gum with some flavour left”, “Atlantic Av” ou “Mama Grasse”. Este conjunto de serigrafias em particular resulta da participação de Martin La Roche no programa Beautiful Distress, programa de residências de Kings County Hospital, com participação de vários utentes, como forma de criar aceitação em torno de questões e acções fruto de doenças psiquiátricas e psicológicas e suas acções e consequências. Foi também no contexto deste programa que, há cinco anos atrás, La Roche desenvolveu as sessões I Remember, que aconteciam em caixas de areia, e que o levou à construção da presente peça “Sandplay”, ambas em colaboração com a artista e escritora Mirthe Berentsen (1984, Netherlands). Quatro destas sessões, desta vez apenas activadas por Martin, irão acontecer no contexto desta mesma exposição, convidando os visitantes a criar relações de memórias com os objectos dispostos nas prateleiras. Os resultados e disposições das relações de objectos criadas em cada uma das sessões darão origem a The Mondays Bulletin Board, título que se refere a um outro dos exercícios de colagem e poesia visual criados no contexto da residência em Kings County Hospital, e aqui recontextualizados.

 

© Martín La Roche / Cortesia Miriam Gallery

 

Todas as obras constroem uma paisagem de participação e interação sensível que, para além de pressupostos terapêuticos com premissas linguísticas, lembram jogos de composição de imagem com intersecções coreográficas. Trouxe-me à memória o método de composição em tempo real desenvolvido por João Fiadeiro, assim como as relações sinestésicas da pintura de Kandinsky. A formulação proto-terapêutica que é trazida para o contexto de espaço de apresentação artística não instiga apenas à participação externa, como me parece servir como partilha de métodos pessoais de construção de pensamento associativo e momentos educativos não formais, que podem contribuir para que questões pendentes sejam melhor esclarecidas individualmente, assim como criar uma ambiência confortável e segura para o confronto com o que é do âmbito artístico.

Esta parece-me uma via de construção - ou de desenvolvimento, uma vez que o espero já em curso - de um novo paradigma do papel e presença da arte ou do artístico na vida de qualquer pessoa, sem qualquer pressuposto classista a que temos vindo a ficar habituados.

Martín La Roche nasceu em Santiago do Chile em 1988 e vive em Amsterdão, depois de ter realizado o programa na Jan Van Eyck Academie em Maastricht. Foi-lhe atribuída uma bolsa de suporte da sua prática artística pelo Mondriaan Fond em 2021, vigente até 2024.

O seu trabalho tem vindo a cruzar o universo dos livros, da relação entre palavras e imagem no formato da página, através de meios como a colagem e a poesia visual. A prática colaborativa é também uma constante, fazendo parte de vários colectivos artísticos e projectos editoriais. A participação ou convite à brincadeira e jogo parece-me igualmente uma constante, e o carácter aparentemente infantil do seu universo é complementado por uma forte raiz filosófica e de investigação.

 

 

Catarina Real
(1992, Barcelos) Trabalha na intersecção entre a prática artística e a investigação teórica no campos expandidos da pintura, escrita e coreografia, maioritariamente em projectos colaborativos de longa duração, que se debruçam sobre o questionamento de como podemos viver melhor colectivamente. É doutoranda do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho com uma investigação que cruza arte, amor e capital. Encontra-se em desenvolvimento da Terapia da Cor, prática aplicada entre teoria da cor, arte postal e intuição coreográfica. Mantém uma prática de comentário - nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas - às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação colectiva e comunitária.
É de momento artista residente na Residency Unlimited, Nova York, com apoio do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC.

 



CATARINA REAL