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EXPOSIÇÕES ATUAIS


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.


© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery. 


Magic Box de David Wojnarowicz. Cortesia de David Wojnarowicz Estate and of Fales and Special Collections NYU.


Magic Box de David Wojnarowicz. Cortesia de David Wojnarowicz Estate and of Fales and Special Collections NYU.


Magic Box de David Wojnarowicz. Cortesia de David Wojnarowicz Estate and of Fales and Special Collections NYU.


Magic Box de David Wojnarowicz. Cortesia de David Wojnarowicz Estate and of Fales and Special Collections NYU.

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ARQUIVO:


MARTÍN LA ROCHE

MAGIC BOX




PRINTED MATTER / ST MARKS
38 St Marks Pl, NYC
Nova Iorque, EUA

17 NOV - 17 JAN 2024


 

Magic Box, uma exposição de Martín La Roche, inaugurou a 17 de Novembro e está patente na Printed Matter / St Marks até 17 de Janeiro de 2024. A Printed Matter / St Marks tem vindo a realizar um programa de exposições nas montras da sua loja especializada em edições de arte e livros de artista.

Nesta exposição La Roche faz uso do seu arquivo pessoal de material paratextual que tem vindo a recolher de exposições de outros artistas; brochuras, folhas de sala, catálogos e outros materiais gratuitos que acompanham e fornecem contextos das mesmas exposições visitadas por si nos últimos dez anos.

Partindo deste arquivo, e tomando-o como matéria prima, La Roche produziu papel reciclado. Uma massa de papel que aglomera a memória de todas estas exposições passadas e onde, para além da mancha ilegível constituída pela pasta de papel distribuída em formato de folha, se tornam visíveis selecionados recortes. Algumas palavras e imagens compõem significantes dentro destas imagens cuja materialidade faz uso da particularidade do espaço expositivo da Printed Matter / St Marks. É explorada a entrada de luz e a dupla possibilidade que as imagens tomam, entre o espaço exterior e o espaço interior. As obras, desenhos ou poesia visual com base conceptual, partilham espaço – do interior – com toda a outra selecção de publicações da Printed Matter. A ideia de material impresso, que informa o propósito desta instituição, torna-se a base constitutiva da exposição, num jogo exploratório não só do contexto físico do espaço expositivo, como também da constituição identitária deste lugar - matéria impressa. 

Nesta construção, e aumentando o seu material de arquivo, foram incorporados materiais da própria Printed Matter, como anteriores catálogos de feiras de livros de arte e outros afins.

Dois arquivos - institucional e pessoal - entram em diálogo através do processo digestivo destes materiais impressos. A base material destas obras alimenta-se ou nasce do ponto de contacto entre ambos os gestos arquivísticos, criando igualmente uma conexão entre pontos geográficos. Por um lado, o trajecto de La Roche e das suas visitas a exposições e eventos artísticos e um rasto da sua constituição diria quasi identitária, partindo do pressuposto que todo o alimento – intelectual, poderá dizer-se aqui – ingerido passa a ser constituinte de um corpo vivo – aqui, artístico, poderá dizer-se. Por outro lado, o lugar (identidade e espaço) que a instituição constrói. É o gesto de registo e de perpetuação da sua própria história que o lastro de material gráfico informa, novamente, todos os outros corpos que a determinada altura visitaram este espaço. Como, também e a propósito, o corpo de La Roche.

A pergunta que introduz esta exposição é “Como preservar os ecos da memória e a construção de um arquivo?” – a partir destas mesmas memórias, fica tal explícito na versão inglesa da mesma questão. La Roche tem vindo a recorrentemente explorar a ideia de arquivo e de memória numa linha muito particular de acção – através da constituição de várias linhas arquivísticas ou actos de constituição de colecções de diferentes materiais, tangíveis ou não. Acompanhando esta linha de investigação e prática de La Roche, o evento que acompanhou a abertura desta mesma exposição reforça a visibilidade da pergunta que se enuncia.

Neste evento – um formato híbrido entre uma conversa e uma performance com base no diálogo e partilha oral de narrativas recolhidas – intitulado “Magic Box: Objects, Special Collections, Memory and Archiving.” foi apresentado o projecto “Musée Légitime”, que La Roche tem vindo a realizar desde 2017 de modo a cultivar e insistir na preservação de histórias de outros artistas e contribuidores, cujo sedimento se tornam as obras, os registos físicos destas histórias. Este projecto aparece depois de La Roche conhecer o projecto de Robert Filliou que, entre 1962 e 1963, realizou a “Galerie Légitime”.

Durante duas horas, La Roche juntamente com Nicholas Martin e Jaclyn Dooner, “Musée Légitime” foi lido à luz da sua ligação com a “Magic Box” de David Wojnarowicz, parte da colecção especial da NYU, de que Nicholas Martin é curador depois de ter sido – relevante para este contexto esta nota curricular – anteriormente presidente da “Archivists Round Table of Metropolitan New York”. Nicholas partilha com o artista o interesse em arquivos de objectos, e por isso mesmo compreende a necessidade de acesso aos mesmos, e ao contacto com a sua fisicalidade, para além das descrições e outras formas de documentação dos mesmos. Jaclyn Dooner, co-fundadora e directora da Miriam Gallery - uma galeria criada e gerida por artistas com um trabalho notável ao nível de publicações de artistas e de criação de visibilidade para práticas artísticas que fazem uso de material gráfico – tomou o papel de moderadora deste evento, gerindo as relações entre versões destas caixas mágicas, arquivos ou colecções íntimas.

La Roche tem vindo a estudar, através de visitas ao arquivo especial onde esta está conservada, a “Magic Box” de Wojnarowicz pela qual se fascinou pelo mistério que a rodeia, e que de resto, a nomeação enquanto mágica se adivinha. Esta nomeação, embora sirva também os propósitos arquivísticos da NYU, foi apenas uma vez registada, encontrada num apontamento dos cadernos de Wojnarowicz. Esta caixa foi encontrada depois da morte do artista, debaixo da sua cama, com um conjunto de objectos cuja ligação e escolha se apresentou como um enigma, e cujo enigma inevitavelmente contribuiu para a sua aura posterior.

 

Magic Box de David Wojnarowicz. Cortesia de David Wojnarowicz Estate and of Fales and Special Collections NYU.

 

Wojnarowicz faleceu em 1992 devido a complicações derivadas da AIDS. O momento histórico onde a morte assolou a sexualidade foi também referido ao longo deste evento, lendo a ligação entre as colecções privadas e o aprisionamento ou conservação da magia nos objectos e no mistério dos corpos e vontades. Através de partilhas pessoais, que contribuíram para a manutenção da intimidade ao longo desta conversa, La Roche recorreu à narrativa da sua travessia pessoal e familiar enquanto pessoa queer, onde a conservação de espaços de intimidade privados, móveis e limitados, se tornou de maior importância. Caixas, escondidas debaixo de camas.

Musée Légitime trata-se de um museu dentro de um chapéu, o que torna a colecção e exposições temporárias que o espaço museológico abarca, móveis e apenas activadas através do uso do mesmo espaço arquitectónico – o chapéu. O chapéu-museu necessita de um corpo que o viaje, e é assim que Martin tem vindo a fazer. Actualmente, devido a um crescer (imprevisto mas desejado...?) da sua colecção, o museu abriu novos espaços arquitectónicos e está albergado em diferentes chapéus que vão sendo usados pelo seu coleccionador-artista. Através desta portabilidade de uma exposição – invisível até ser desvendada – Martin viaja com obras selecionadas – por acasos, intuições, ou por decisões curatoriais – que vão sendo apresentadas de forma agendada ou imprevista. Quer isto dizer que estas exposições, tal como neste evento de abertura de “Magic Box”, são mostradas publicamente de forma programada, onde é esperada a visita a esta colecção, mas também através de outras abordagens informais e inesperadas. Quererá visitar uma exposição alojada no meu chapéu? E é assim que uma visita guiada começa.

 

© Oswaldo García. Cortesia do artista, Printed Matter e Miriam Gallery.

 

Qualquer visita ou entrada neste museu é acompanhada pela partilha de todas as histórias que constituem as peças que lhe pertencem. São precisamente estas histórias que alimentam o projecto, e que criam a intimidade e sustentam a relação mágica com os mesmos objectos. A partilha de histórias, de forma oral – ou seja, de uma forma que é recontada e variável a cada das suas apresentações – activa a memória ancestral das tradições poéticas. A poesia dos objectos, e das vivências que estes sustentam, retorna à oralidade e a mesma poesia atravessa toda e qualquer obra e toca-nos a partir do veículo-artista, que se torna o maior protector destas histórias e das ligações que inevitavelmente vão criando entre si.

Neste evento, considerando o contexto da sua exposição e da relação com a “Magic Box” de Wojnarowicz, uma selecção de obras* foi mostrada num dos edifícios do museu que se assemelha a um gorro – um museu de Inverno, portanto. Estas mesmas obras e as suas narrativas acabaram por ser os motivos que sustentavam as respostas de Martín às pertinentes perguntas de Jaclyn. A curiosidade performática de Martin neste contar de histórias, no recurso à citação de outros trajectos pessoais, e de todos estes artistas que nomeia e que cita, que contextualiza na entrada para a colecção, contribuem para a criação de momentos envolventes, em que não só a curiosidade quanto às pequenas obras se desperta mas também a sensação de que passamos a deter a posse de segredos misteriosos, oriundos de outros que não chegamos a conhecer, mas de quem nos sentimos próximos.

Muitas das caixas mágicas são abertas, nesta exposição, e neste evento de abertura. Ao qual, de resto, se deixa a nota de agrado por contornar o formato clássico de inauguração.

 

 

Catarina Real
(1992, Barcelos) Trabalha na intersecção entre a prática artística e a investigação teórica no campos expandidos da pintura, escrita e coreografia, maioritariamente em projectos colaborativos de longa duração, que se debruçam sobre o questionamento de como podemos viver melhor colectivamente. É doutoranda do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho com uma investigação que cruza arte, amor e capital. Encontra-se em desenvolvimento da Terapia da Cor, prática aplicada entre teoria da cor, arte postal e intuição coreográfica. Mantém uma prática de comentário - nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas - às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação colectiva e comunitária.
É de momento artista residente na Residency Unlimited, Nova York, com apoio do Atelier-Museu Júlio Pomar/EGEAC.

 

 

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* As obras apresentadas neste evento foram as seguintes;

–‘Every hat needs a feather’, 2017 de Amílcar Guzmán
–‘Life is so fragile, when to panic?’, 2020 de Sands Murray Wassink
–‘Shoes for the fingers’, 2017 de Dongyoung Lee
–‘Spacecake’, 2018 de Nives Widauer
–‘ ‘In Minor Key VII' de Rujuta Rao
–‘Untitled’, 2019 de Timothy Dabriel
–‘Expressive Origami Therapy (dice)’, 2023 de Toshiko Kobayashi
– Uma nova contribuição de Toshiko Kobayashi foi realizada durante esta apresentação, um tradicional tatreez, uma almofada bordada palestiniana
–‘Untitled’, 2023 de contribuidor anónimo
– Peça site specific de Masaki Komoto ‘The museum is here’, 2023.

 

No final deste evento foram também partilhadas as seguintes edições;

Musée Légitime Catalogue Raisonné, First Version, 2023. Publicado por Calipso Press e Good Neighbour, de Martín La Roche com texto de Maike Aden.
– Sandplay Manual (Miriam, BK), 2023. Livro de artista de Martín La Roche, publicado em colaboração com Miriam Gallery, a propósito da exposição ‘Yo también me acuerdo (I do remember)’.

 



CATARINA REAL