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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Muntadas, “On Translation: Listening†(2005)


Muntadas, “On Translation: On View†(2004)


Muntadas, "Double Exposure: Lisboa/ Bogota†(1998-2006)


Muntadas, “On Translation: Stand by Iâ€


Muntadas, "On Translation: Stand by II"

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ARQUIVO:


ANTONI MUNTADAS

Muntadas




GALERIA FILOMENA SOARES
Rua da Manutenção, 80
1900-321 Lisboa

11 JAN - 03 MAR 2007


A repetição de uma mesma ideia de composição fotográfica realça o conjunto “On Translation: Stand by†(I e II, ambos de 2005), com que a sala principal da Galeria Filomena Soares apresenta Muntadas, em Lisboa, até ao dia 3 de Março. Para além de “On Translation: Stand byâ€, formado por 12 caixas de luz com impressão fotográfica (as de maior dimensão têm 250 x 130 cm), mostram-se ainda os trabalhos fotográficos “Lisboa/ Bogota†(1998-2006) e “Almería/ Budapeste†(1998), da série “Double Exposureâ€, e as projecções DVD “On Translation: Listening†(2005), “On Translation: On View†(2004) e “Mercedes Benz; for H. H.†(2005) e a instalação “Selling the Future†(1982 – 2006).

Antoni Muntadas (Barcelona, 1942) tem persistido na experimentação continuada de um universo conceptual que se desenvolve em torno da observação de um quotidiano que podemos designar por político e social, e que assenta num princípio de desterritorialização como estratégia de afirmação artística e de reflexão crítica. Em “On Translation: Stand by Iâ€, o artista coloca-nos perante uma situação perfeitamente enraizada no modus vivendi contemporâneo e ocidental; indivíduos aguardam em filas a sua vez para algo. Trata-se de indivíduos anónimos que, exercendo direitos ou cumprindo deveres, esperam, mas nessa espera cruzam-se e contradizem-se sinais de esperança e conformismo. Na maior parte das imagens não nos é dado a ver a verdadeira dimensão das filas, mas mesmo naquelas em que se regista o “primeiro para qualquer coisaâ€, experimentamos o perdurar de uma sensação angustiante de arrastamento de um tempo, que é sempre, quer seja em Barcelona, Nova Iorque ou Paris, amplificada pela percepção que temos do conjunto à nossa volta e pela possibilidade de observarmos com distanciamento (na sala de exposições) um olhar cru e em suspensão sobre o remoinho que, dia após dia, nos consome e nos “liberta†da impulsividade individual.

Tudo em prol de um padrão de vida social projectado para um devir coeso e mais justo, mas certamente mais ordeiro, menos reivindicativo e mais apático, porquanto investimos num presente sombrio a incerteza de melhores dias. Ao devolver-nos sob um registo de características documentais e sociológicas uma situação do nosso quotidiano, Muntadas permite-nos uma projecção e uma reflexão sobre os apurados mecanismos de coacção social. A violência e opressão que exercemos subliminarmente sobre a nossa própria vontade ficam ainda mais obviamente explanadas em “On Translation: Listening†(um espaço para exercício de uma paradoxal sociabilidade privada).

Em “Double Exposureâ€, o artista utiliza o mesmo negativo para sobrepor duas experiências de viagem em tempos e locais distintos. Sobrepõem-se (amontoando-se) as sensações e as memórias de locais e culturas diferentes, de que o resultado é a impossibilidade de uma visão objectiva e imparcial do local visitado. Este mecanismo de construção por acumulação é o mesmo a que somos submetidos socialmente, impedindo-nos de perceber a realidade sem uma orientação funcionalista da mesma. Essa modelação é progressiva e constitui-se como índole, “democrática†mas vertiginosamente direccionada para o consumismo. “Selling the Future†ironiza-o e, sim, na fila em que esperamos ordeiramente a nossa vez “para algoâ€, somos também os consumidores que, sem esperança, se entregam na procura de uma felicidade futura, que é preciso comprar quanto antes, adiando-se assim a evidência de uma constatação insuportável: a de que o futuro não será, nunca, agora!


Miguel Caissotti