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ENTREVISTA



ALEXANDRA BIRCKEN


A primeira exposição de Alexandra Bircken em Portugal percorre um território vasto: da relação intrínseca entre os materiais e as emoções que evocam, à crítica mordaz do consumismo alimentado pelas redes sociais; da transição orgânica da moda para a escultura, encarando o corpo como um suporte escultórico, até às complexas interações entre os objetos de arte e o espaço museológico. Alexandra Bircken não teme de modo algum a abordagem a grandes temas da contemporaneidade como a busca quimérica pela imortalidade plástica ao impacto profundo da inteligência artificial na sociedade, sempre com um olhar cético sobre o poder da arte para mudar o mundo, e as pessoas que o moldam e se deixam moldar pelo mesmo.
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O ESTADO DA ARTE



INÊS FERREIRA-NORMAN


ARTE, VIOLÊNCIA E MATRIARQUIA EM TEMPOS DE PROPAGANDA
Dr. Gabor Maté é um médico húngaro-canadiano que nasceu em 1944 em Budapeste, cujos avós paternos morreram em Auschwitz e se tornou numa das vozes mais proeminentes sobre o trauma. Ele define o trauma distintamente de um evento que causa trauma, explicando que o trauma é algo com o qual nós vivemos a nossa vida, podendo por isso escolher tratá-lo ou não. “Trauma não é o que te acontece, mas o que acontece dentro de ti’ é como formula a sua definição. Ele também propõe que “a nossa cultura tem uma ideia adulterada de normalidade e esta é o maior impedimento para criarmos um mundo mais saudável, até ao ponto de nos prevenir de agirmos sobre aquilo que já sabemos’’. No seu livro O mito do normal (2023), Gabor destrinça o verbo normalizar: algo que no passado considerávamos anormal e que ‘devagarinho’ nos habituamos e que passa a ser aceite, admitido. A nível social, ele traduz esta ideia como “todos os sistemas estão a funcionar como eles são, não é preciso questionar mais’’.
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PERSPETIVA ATUAL

MAFALDA TEIXEIRA


CASA ORNATA - CONVERSA COM DANIEL BAUMANN
Disruptiva e contracorrente, as composições coloridas e grandiosas da artista alemã Kerstin Brätsch, dominadas pela abstração, exploram a natureza da pintura na era digital, revelando-nos uma visão transformadora da artista sobre a mesma. Evocando fluxos de energia, forças cósmicas, desejos inconscientes ou estados mentais, o universo visual sensual e lúdico da artista aparenta um constante estado de transformação, que nos leva a questionar sobre o que é uma pintura e quais os seus potenciais limites. Adicionando profundidade e complexidade à sua prática artística, Casa Ornata coloca em diálogo a obra de Brätsch com a história da arte, da arquitetura e os elementos decorativos do palacete, numa lógica de interação e de integração. A propósito da exposição conversámos com o historiador de arte suíço Daniel Baumann (1967) curador da mostra e da Casa São Roque.
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OPINIÃO

CLÃUDIA HANDEM


O ATELIER VERMELHO DE MARK ROTHKO
No passado mês de Setembro, o Teatro Carlos Alberto apresentou Vermelho, peça com texto de John Logan e encenada por Carlos Pimenta. O enredo baseia-se num acontecimento específico da vida e obra do pintor Mark Rothko (1903-1970): quando lhe foi encomendada, em 1958, a série de pinturas-murais para integrar o restaurante Four Seasons no Seagram Building em Nova Iorque, recém arranha-céus e marco da arquitetura moderna projectado por Mies van der Rohe e Philip Johnson. O tempo narrativo abrange os dois anos de produção que se seguiram no seu atelier da rua Bowery, no Lower East Side, e o ambiente é, desde o início, tenso: o dilema de as expor num espaço tão exclusivo e luxuoso, ao ponto de trair a moral do artista, irá gerar, através de um diálogo rubescente entre o pintor (João Reis) e o seu assistente Ken (Daniel Silva), uma reflexão profunda e rizomática sobre o que é a pintura e o mundo da arte.
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ARQUITETURA E DESIGN

JOÃO ALMEIDA E SILVA


AALTO — ONDE ALVAR ENCONTRA ÃLVARO
Em Portugal, é difícil não pensar em Alvar Aalto (1898–1976) como uma das grandes referências da arquitectura moderna — e, em particular, como uma das influências mais profundas sobre um dos maiores arquitectos portugueses de todos os tempos: Ãlvaro Siza. A visita a esta mostra constitui uma excelente oportunidade para ver projectos e materiais inéditos da obra dos Aalto e, ao mesmo tempo, confrontá-los com um edifício projectado por um dos seus assumidos discípulos. Conta-se que, ainda jovem, Siza recebeu de Carlos Ramos — seu mestre na Escola de Belas-Artes do Porto — o conselho de comprar algumas revistas de arquitectura. Entre as quatro que adquiriu, uma era inteiramente dedicada a Alvar Aalto – L’Architecture d’Aujourd’hui, Aalto, Paris, n.º 29 (1950). Esse “encontro†fortuito acabaria por marcar, de forma silenciosa mas duradoura, o seu percurso.
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ARTES PERFORMATIVAS

VICTOR PINTO DA FONSECA


PARTE V/5: NÃO NOS QUESTIONAMOS PARA VIVER: VIVEMOS PORQUE NOS QUESTIONAMOS
Mesmo a arte + simples pode levar a uma complexidade de pontos de vista fabulosa. E o contrário também é verdade: podemos erguer uma complexa obra de arte com vários níveis, que não produzirá nada a não ser esterilidade, onde nenhum questionamento irá cair jamais. — Diante deste momento, de certa forma, arte e mecânica quântica, duas matérias aparentemente sem relação uma com a outra, podem viver lado a lado - por razões de incerteza! Em traços simples, alguma arte não faz sentido; outra parece puramente errada. Isto significa inevitavelmente muitos estados de incerteza. É análogo a como um sistema quântico pode existir em vários estados de incerteza antes de ser analisado, quando infinitas possibilidades colidem numa única versão da realidade.
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PREVIEW

Lançamento de Livro + Reposição de “O Rei No Exílio - Remake†| 3 a 7 de Dezembro, na Escola de Mulheres, Lisboa


Francisco Camacho desvenda o trabalho de criação da obra que o projectou no mundo da dança, a nível nacional e internacional. Uma retrospectiva com notas autobiográfficas acompanhada da reposição da peça “O Rei No Exílio - Remakeâ€.
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

KERRY JAMES MARSHALL

THE HISTORIES


Royal Academy of Arts, Londres

Kerry James Marshall (1955, Alabama) é reconhecido pelas suas expressivas representações da comunidade negra, sobretudo a norte-americana, da sua história e das suas problemáticas. Articula o passado com o presente, convocando temas e sugerindo reflexões sempre importantes e centrais, residindo aí grande parte do valor do seu trabalho. Marshall é, com efeito, autor de uma obra permanentemente relevante, donde, atemporal.
LER MAIS CONSTANÇA BABO

FEIRA DE ARTE

PARIS PHOTO 2025


Grand Palais, Paris
O Paris Photo volta a evidenciar a vitalidade, a pujança e também a pluralidade da criação fotográfica contemporânea. É impossível não reconhecer a importância e relevância deste enorme evento que recebeu 179 galerias de 33 países (incluindo 60 estreantes). Podemos ver ao lado dos ‘clássicos’ e dos vintage, as novas linguagens no campo da experimentação digital. O Paris Photo acolhe o que a conhecida revista Artnet designa como “a diversidade de galerias, expositores e editoras que promovem o diálogo entre obras de arte e artistas através do tempo e do espaço".
LER MAIS PAULO ROBERTO

RUI CHAFES

ACREDITO EM TUDO


Galeria Filomena Soares, Lisboa
Quando visitamos a exposição Acredito em tudo, de Rui Chafes, vislumbramos bandeiras, pendões, pequenas divisas, tomadas pelo vento, pelo tempo. Num cenário que nos inclui, num espaço que nos devora, claustrofóbico, intuímos um fim, uma condenação. Sob o efeito fantasmático, talvez possamos ver multidões que marcham, descontentes, ou ainda clamores esperançosos. Por entre gritos, já mudos, resta apenas a ondulação do vento, os farrapos, ou a inelutável destruição dos signos.
LER MAIS CARLA CARBONE

INAS HALABI

ALL THAT REMAINS


La Loge, Bruxelas
As quatro obras apresentadas na exibição foram produzidas enquanto fragmentos do filme em produção The Right of Return. Logo no primeiro piso, uma sala à direita nos leva ao Fragmento I. O espaço onde a instalação se encontra é completamente fechado, sem nenhuma entrada de luz. Escutamos sons e vozes enquanto os olhos demoram alguns instantes para perceber as palavras escritas em três paredes. Nos segundos de desorientação visual, adentramos abruptamente no mundo criado por Halabi: uma Palestina inscrita entre o passado anterior ao Nakba, a continuidade deste processo de limpeza étnica no presente, e um futuro em aberto que a artista convida a imaginar.
LER MAIS ISABEL STEIN

COLECTIVA

WHEN THE WORLD IS FULL OF NOISE


Espaço.Arte, Campo Maior
No meio do vasto e sereno Alentejo, de campos cobertos por uma capa de silêncio, surge uma exposição que desafia esta calmaria. “When the world is full of noiseâ€, com curadoria de Orlando Franco, instala-se num intervalo onde o ruído se converte em presença, convocando-nos a escutar o que vibra por baixo da superfície do visível. “When the world is full of noise†não é apenas um enunciado sobre o excesso contemporâneo; é, sobretudo, uma meditação sobre o que persiste no meio desse tumulto: a respiração, o gesto, o silêncio que resiste ao apagamento.
LER MAIS LEONOR GUERREIRO QUEIROZ

GONÇALO SENA

FOLHAS FANTASMA


Kubikgallery, Porto
Ao entramos na exposição deixamo-nos surpreender pelos tons ocres, cinzas e minerais que revestem o espaço, como se a marginal do Douro e o ambiente fluvial exterior encontrassem um prolongamento no interior da galeria, em que o ambiente expositivo e cenográfico desenhado pelo artista afirma-se no próprio espaço, expandindo-o e enfatizando-o través da intervenção principal: as paredes texturadas que nos recebem. O interesse de Sena em criar ambientes específicos que respondam aos espaços onde expõe, alia-se ao seu entendimento e visão de cada exposição como um elemento de suspensão do processo de trabalho, para o qual cria um vocabulário, por norma novo, ou no caso de Folhas Fantasma integrando trabalhos antigos.
LER MAIS MAFALDA TEIXEIRA

ALEXANDRA BIRCKEN

SOMASEMASOMA


Culturgest, Lisboa
Há na exposição um diálogo e uma dissolução constante entre o corpo e a veste, o interior e o exterior, o natural e o fabricado. O eventual rasgo ao meio de determinada obra, expondo a sua maquinaria interna, é expressivo dessa dissolução. Bem como as pedras plastificadas que se dispersam entre as salas. Outras vezes tecidos lado a lado, dos pólos anteriormente opostos, emergem esculturas por meio dessa inflexão mútua, compondo um espaço de estranha assemblage. Novas configurações emergem de uma escolha de materiais e alegorias, escolha esta que confere ao espectador espaço ao mesmo tempo para a o estranhamento, a sugestão e o reconhecimento.
LER MAIS MARIANA VARELA