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ENTREVISTA



PAULO LISBOA


Conversámos com Paulo Lisboa no atelier onde trabalha há já 10 anos. A configuração do espaço por níveis – com primeiro piso (o escritório, do processo mental ao burocrático), a loja e a sobreloja (a oficina de trabalho) e ainda uma cave obscura (onde nunca se vai mas onde se guarda tudo) reforçam um psiquismo que faz do atelier um ator no sentido mais pulsante que lhe deu Bruno Latour da Teoria do Ator-Rede. Nesta entrevista conheça-se o espaço criativo de Paulo Lisboa, cujo trabalho mais recente pode ser visitado na exposição de desenho e instalação Ciclóptico, com curadoria de Sérgio Mah, a ver no MAAT até 11 de março.
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O ESTADO DA ARTE



JOÃO BORGES DA CUNHA


CRAGG ERECTUS
A fortuna das exposições de Tony Cragg no panorama, e já na história, das mostras do muito empenhado Portugal-da-Grande-Arte-Contemporânea parece assombrada por coincidências de agenda e de calendário que se encarregam de recusar ao escultor a irresistível dimensão que ele transporta, secundarizando-o no instantâneo de cada momento em que se apresenta entre nós. Ou mais desmoralizador e injusto, empurrando-o para o circuito de uma suposta “arte séria”, onde o peso dos nomes consagrados é esmagador, território para iniciados e esteti-nautas, o que faz com que os demais, aquela legião entusiasta e legitimadora daquilo que é o “contemporâneo”, se precipitem até ao último evento de aparato à beira-rio.
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PERSPETIVA ATUAL

NUNO LOURENÇO


O OMNITALENTO DE RUI MACEDO OU A VISÃO DE UM ARTISTA TRANSTEMPORAL
A exposição “Aparato” do pintor eborense Rui Macedo é uma das mais recentes ilustrações sobre a obsessão do ofício da pintura da qual Gerhard Richter se refere nas suas notas de 1973, em The Daily Practice of Painting: “uma vez obcecados, somos levados em última instância ao ponto de acreditar que podemos mudar os seres humanos através da pintura." Por isto, esta exposição arrisca-se a ser considerada a melhor de 2023 para quem acredite que a pintura como meio artístico ainda tem uma palavra preponderante a dizer no curso da contemporaneidade.
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OPINIÃO

LIZ VAHIA


À ESPERA DE SER ALGUMA COISA
It’s painted on her shirt in capitals, de João Ferro Martins, patente agora na 3+1 Arte Contemporânea, tem qualquer coisa de “montagem que desmonta”, onde o “expositivo” tem tanto valor como o que se “expõe”. O que a poesia faz com palavras, Ferro Martins faz com os objectos: juntar, partir, repetir, aproximar, afastar, sublinhar... As obras re-figuram as nossas expectativas enquanto espectadores e conhecedores daqueles objectos, oferecendo novos modos de ver. O que encontramos pode parecer só a estrutura de algo que foi e agora é outra coisa. Gestos de paródia que nos fazem sorrir um momento e duvidar desse sorriso logo a seguir.
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ARQUITETURA E DESIGN

MADALENA FOLGADO


TERCEIRO ANDAR DE LUCIANA FINA OU DESTINAÇÃO (EST)ÉTICA
O espaço filmado — Comum — torna-se assim tessitura de si mesmo, recebe as raízes de uma planta trepadeira, monstera deliciosa em latim, commumente designada por costela-de-adão. Quer na narrativa bíblica quer na do Alcorão as mulheres são criadas a partir da costela de Adão. A planta com raizes suspensas no espaço não nos comunica no entanto nada de patriarcal; pelo contrário, trás se não o próprio reforço do enlace (est)ético: Estas três mulheres, de certo modo todas imigrantes, impregnam as suas raízes no Comum que não nivela; que é antes o tal ‘espaço múltiplo em que a super-estima se encontra com o original’ — a sua própria origem. Esta integridade é também ela radical, é-nos por isso profundamente plasmada. É impossível não acompanhar todo o documentário — ou zelar com a Luciana por ambas as amigas — sem um sorriso cúmplice, muito menos assisti-lo descompromissadamente. Estamos juntos.
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ARTES PERFORMATIVAS

CATARINA REAL


CAFE ZERO BY SOREN AAGAARD, PERFORMA - BIENAL DE ARTES PERFORMATIVAS
A Bienal de Artes Performativas – Performa aconteceu em Nova Iorque no mês de Novembro, distribuindo-se entre vários espaços de apresentação pública, mais ou menos informais ou institucionais. A primeira edição desta bienal de Artes Performativas foi realizada em 2004, fundada pela importante historiadora e curadora RoseLee Goldberg, cuja investigação em torno da história da performance tem servido como guião para muitos cursos de performance.
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PREVIEW

Ciclo de seminários e Workshop Intimidades públicas, Performance, performatividades e hibridismo | 23 Fev a 19 Abr, Online


Este ciclo procura suscitar o debate acerca das relações entre a Performance Arte e o conceito de Intimidade, aqui perspectivadas em diferentes dinâmicas: enquanto temática, questão central, ferramenta criativa, ou ainda sobre o espectro das relações íntimas – do privado ao público, até à relação artista-espectador.
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

MARIA LAMAS

AS MULHERES DE MARIA LAMAS


Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Espírito inquieto que usou a recusa e as dificuldades de viver em ditadura como ímpeto para mudar a condição da mulher em Portugal, Maria Lamas e a obra que deixou são o exemplo de como a coragem pode ser transformadora. Depois do encerramento, em julho de 1947, do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a que presidia, a jornalista e ativista foi dar a volta ao país com um ‘caixote Kodak’ para mostrar ao mundo que, em território nacional, os principais braços de trabalho vestiam saias e, sem direito a contrapartidas, labutavam de sol a sol.
LER MAIS FÁTIMA LOPES CARDOSO

PEDRO TUDELA

R!TM0


Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso, Santo Tirso
Se a exposição começa com obras sem a intervenção do som tão característica de Tudela, elas inauguram a tendencial da rotina nos seus dois antónimos: a regra e a exceção, a sequência e a pausa. Visitar uma exposição de Tudela é também estarmos cientes do intercâmbio entre a simultaneidade da imagem e a sucessividade do som. Enquanto experiências conjuntas (nem sempre dependentes), a visual e a auditiva está associada a um espaço que reverbera sempre uma (im)possível troca.
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COLECTIVA

COLIBRI EM CHAMAS


ZARATAN - Arte Contemporânea , Lisboa
Neste mundo há espécies nunca antes vistas. Ao criarem o mundo, mesmo à nossa frente, ensinam-nos que não podemos abandoná-lo. Já é real. Têm os braços e os olhos abertos. Dançam e cantam. Celebram a sua existência e companheirismo, convidando-nos à sua amizade. Brilham e misturam-se e integram-se e olham-se e admiram-se. E mais uma vez, dançam e cantam — que a alegria (mesmo com a tristeza) é mesmo a coisa mais séria da vida.
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MARTÍN LA ROCHE

MAGIC BOX


Printed Matter / St Marks, Nova Iorque
Nesta exposição La Roche faz uso do seu arquivo pessoal de material paratextual que tem vindo a recolher de exposições de outros artistas; brochuras, folhas de sala, catálogos e outros materiais gratuitos que acompanham e fornecem contextos das mesmas exposições visitadas por si nos últimos dez anos. La Roche tem vindo a recorrentemente explorar a ideia de arquivo e de memória numa linha muito particular de acção – através da constituição de várias linhas arquivísticas ou actos de constituição de colecções de diferentes materiais, tangíveis ou não.
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ANDRÉ ROMÃO

CALOR


Museu de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto
É nesse espaço liminar, onde a realidade e o onírico se articulam numa espécie de narrativa psiconáutica, que a exposição “Calor”, do artista André Romão, se estrutura ao longo de quatro salas contíguas, no Museu de Serralves. As obras, na liberdade do anacronismo temporal, são configuradas pela metamorfose e hibridização, através de um continuum entre o natural e o artificial, o orgânico e o anorgânico, e ainda o humano, o animal, e o maquínico.
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WIM WENDERS

ANSELM - O SOM DO TEMPO


Cinemas Portugueses,
Wenders convida-nos a entrar no mundo de Kiefer. Faz-nos viajar por paisagens tridimensionais pejadas pelas obras do artista. Tudo parece estar no sítio certo. Ou caminhar nessa direcção. Wim não parece ter vontade de nos explicar quem é Anselm Kiefer. Parece ter mais vontade em recriar a vida do artista através do seu olhar cinematográfico.
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ALEXANDRE ESTRELA

FLAT BELLS


MoMA - The Museum of Modern Art, Nova Iorque
Parecem-me existir duas vidas de apresentação desta exposição. Por um lado, uma partilha da experiência vivida ao visitá-la. Por outro, a compreensão das estruturas conceptuais e formais que regem o conjunto de obra de Estrela. Para uma maior compreensão destas estruturas conceptuais e narrativas que refiro, aconselha-se esta leitura, onde se compreende o trajecto de formação da obra, desde a descoberta das placas metálicas gravadas com desenhos, à criação e organização dos sons a partir das mesmas e da “audição da imagem”.
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